{"id":10265,"date":"2026-10-20T14:37:16","date_gmt":"2026-10-20T17:37:16","guid":{"rendered":"https:\/\/noticiarioregional.com.br\/?p=10265"},"modified":"2026-10-20T14:37:17","modified_gmt":"2026-10-20T17:37:17","slug":"as-mudancas-e-os-novos-desafios-do-professor-em-sala-de-aula","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/noticiarioregional.com.br\/?p=10265","title":{"rendered":"As mudan\u00e7as e os novos desafios do professor em sala de aula"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Na vis\u00e3o de quem acompanha de perto a educa\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A educa\u00e7\u00e3o, no que se refere a forma de educar e aprender, vem se transformando muito ao longo dos anos, e grande parte disso se deve pela introdu\u00e7\u00e3o das tecnologias e ferramentas de intelig\u00eancia artificial. Neste m\u00eas, em que comemoramos o Dia do Professor, conversamos com a professora Erenisi Vogt, com 25 anos de trabalho na \u00e1rea, e que tem acompanhado de perto essa revolu\u00e7\u00e3o dentro e fora da sala de aula. Uma mudan\u00e7a que tr\u00e1s novos desafios, tanto para professores como para alunos, e que conforme define Erenisi, faz o papel dos educadores ser fundamental. Pois \u00e9 o profissional, com suas habilidades e conhecimentos, que vai auxiliar os estudantes a diferenciar o que \u00e9 verdadeiro, pensar criticamente e a transformar informa\u00e7\u00e3o em conhecimento.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Notici\u00e1rio Regional &#8211;<\/strong> <strong>Qual \u00e9 sua trajet\u00f3ria profissional: onde se formou, em quais \u00e1reas, principais locais de trabalho e h\u00e1 quantos anos \u00e9 professora\/profissional da educa\u00e7\u00e3o.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Erenisi Vogt &#8211;<\/strong> Me formei em Letras L\u00edngua e Literatura Inglesa pela Universidade de Palmas \u2013 Paran\u00e1 no ano de 1999 e na sequ\u00eancia fiz uma especializa\u00e7\u00e3o na mesma \u00e1rea. Inicialmente atuei nas escolas municipais CIEF, CIER, em paralelo S\u00e3o Louren\u00e7o, Cristo Rei e a Vendelino Seidel.&nbsp; Me efetivei em 1999 na EEB Madre Benvenuta de S\u00e3o Jo\u00e3o do Oeste e no ano seguinte fiz a permuta para EEB Padre Vendelino Seidel, escola onde atuo at\u00e9 a presente data. Por\u00e9m, em abril 2020, recebi convite do ent\u00e3o diretor Pedro Valdir Gauer para ser assessora de dire\u00e7\u00e3o e posteriormente o mesmo convite pelo atual diretor Valtuir Dal Bosco. Estou h\u00e1 mais de 25 anos no magist\u00e9rio, com a pretens\u00e3o de permanecer at\u00e9 final desse ano, e ent\u00e3o usufruir de licen\u00e7as que tenho conquistado e, na sequ\u00eancia, encerrar o ciclo profissional com a possibilidade de ressignificar o tempo, redescobrir caminhos e continuar construindo sentidos para a vida.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>NR &#8211; Em todos estes anos na sala de aula, o que voc\u00ea percebe que mudou na forma de ensinar e aprender?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Erenisi Vogt &#8211;<\/strong> Posso afirmar que muita coisa mudou nessa caminhada. Quando ingressei no magist\u00e9rio, o ensino era muito mais tradicional. O professor explicava, o aluno ouvia, copiava, fazia as atividades e depois era avaliado. O professor era, de certa forma, o centro da sala de aula. Com o passar dos anos, fomos percebendo que ensinar n\u00e3o \u00e9 somente transmitir conhecimentos atrav\u00e9s de conte\u00fado. O aluno precisa participar, questionar, experimentar, relacionar aquilo que est\u00e1 aprendendo com a sua realidade. Da mesma forma mudou a maneira como os alunos aprendem. Antes, quando se tratava de um assunto a investigar, pesquisar, muitas vezes precis\u00e1vamos ir at\u00e9 a biblioteca, procurar em livros, enciclop\u00e9dias. Hoje, em poucos segundos, o estudante tem acesso a uma quantidade enorme de informa\u00e7\u00f5es. Sendo assim, surgiu outro desafio: ensin\u00e1-lo a buscar o conhecimento v\u00e1lido e saber o que fazer com tanta informa\u00e7\u00e3o. Precisamos ajud\u00e1-lo a diferenciar aquilo que \u00e9 verdadeiro daquilo que n\u00e3o \u00e9, a pensar criticamente e a transformar informa\u00e7\u00e3o em conhecimento. E acredito que hoje, esse \u00e9 um dos nossos maiores desafios.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>NR &#8211; Qual foi a maior mudan\u00e7a \u00e0 qual voc\u00ea, como professora, precisou se adaptar?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Erenisi Vogt &#8211;<\/strong> Acredito que uma das maiores mudan\u00e7as \u00e9 entender que n\u00f3s tamb\u00e9m precisamos mudar. Durante muito tempo, n\u00f3s aprendemos uma determinada maneira de ensinar e, naturalmente, tendemos a repetir aquilo que conhecemos. S\u00f3 que os alunos mudaram, a sociedade mudou, a tecnologia mudou e a escola, as universidades tamb\u00e9m precisaram e ainda precisam mudar, ter esse novo olhar. Precisamos aprender novas metodologias, conhecer novas ferramentas, utilizar recursos tecnol\u00f3gicos e, principalmente, entender que nem sempre aquilo que funcionou muito bem com uma gera\u00e7\u00e3o, vai funcionar com a gera\u00e7\u00e3o atual. Tivemos que sair da zona de conforto. Isso n\u00e3o significa que tudo o que faz\u00edamos estava errado. Muito pelo contr\u00e1rio, tenho certeza de que existem pr\u00e1ticas tradicionais que continuam sendo extremamente importantes. Por\u00e9m, o que muda \u00e9 a necessidade de combinar diferentes estrat\u00e9gias. E essa demanda vem refor\u00e7ar que precisamos estar em constante estudo, aprendizagem. E talvez essa seja uma das coisas mais bonitas da nossa profiss\u00e3o: aprendemos todos os dias.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>NR &#8211; Com a tecnologia, a internet e os celulares, qual \u00e9 hoje o maior desafio para manter a aten\u00e7\u00e3o dos alunos?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Erenisi Vogt &#8211;<\/strong> Esse com certeza, \u00e9 um grande desafio. O celular, a internet e as redes sociais trouxeram in\u00fameras possibilidades, mas tamb\u00e9m criaram uma realidade em que o estudante est\u00e1 permanentemente exposto a notifica\u00e7\u00f5es, v\u00eddeos curtos, jogos, mensagens e conte\u00fados que competem diretamente pela sua aten\u00e7\u00e3o. E n\u00f3s professores, precisamos concorrer com essa realidade extremamente din\u00e2mica. Enquanto uma explica\u00e7\u00e3o em sala exige concentra\u00e7\u00e3o, escuta e tempo para construir um racioc\u00ednio, o ambiente digital oferece respostas imediatas e est\u00edmulos r\u00e1pidos. Mas acredito que o problema n\u00e3o esteja simplesmente na tecnologia ou no celular. O grande desafio est\u00e1 em <strong>ensinar o estudante a utilizar esses recursos com consci\u00eancia e prop\u00f3sito<\/strong><strong>.<\/strong>Precisamos ajud\u00e1-los a compreender que nem tudo o que chama a aten\u00e7\u00e3o \u00e9 necessariamente importante e que aprender exige tamb\u00e9m concentra\u00e7\u00e3o, paci\u00eancia, esfor\u00e7o e capacidade de permanecer diante de um desafio. A escola tem um papel fundamental nesse processo. N\u00e3o podemos simplesmente ignorar o mundo digital em que nossos estudantes vivem. Precisamos educ\u00e1-los para utiliz\u00e1-lo de maneira respons\u00e1vel, cr\u00edtica e produtiva.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>NR &#8211; Voc\u00ea acredita que a tecnologia e o ensino tradicional podem caminhar juntos?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Erenisi Vogt &#8211;<\/strong> Com certeza. Eu n\u00e3o vejo a necessidade de escolher entre um ou outro. Acredito muito no equil\u00edbrio. Existem coisas que aprendemos de maneira tradicional e que continuam sendo fundamentais: ler, escrever, interpretar, fazer c\u00e1lculos, resolver problemas, estudar, ouvir uma explica\u00e7\u00e3o, conversar com o professor, discutir uma ideia. Mas hoje temos recursos que podem complementar tudo isso. Podemos utilizar v\u00eddeos, imagens, jogos, pesquisas, plataformas digitais, simuladores e intelig\u00eancia artificial. Podemos tornar uma aula mais din\u00e2mica e oferecer diferentes maneiras para o aluno compreender determinado conte\u00fado. O que precisamos ter \u00e9 clareza de que a tecnologia \u00e9 um meio, n\u00e3o o objetivo da aprendizagem. E isso precisa se fazer compreender nessa gera\u00e7\u00e3o.&nbsp; N\u00e3o adianta usar uma ferramenta moderna simplesmente porque ela \u00e9 moderna. O importante \u00e9 saber: &#8220;O que isso vai acrescentar \u00e0 aprendizagem do meu aluno?&#8221; E acredito tamb\u00e9m, que a\u00ed entra um papel importante nosso, bem como das fam\u00edlias, que ele, o estudante, precisa aprender a utilizar esses recursos com responsabilidade e prop\u00f3sito.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>NR &#8211; E como o professor pode se beneficiar da tecnologia e da intelig\u00eancia artificial?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Erenisi Vogt &#8211;<\/strong> Acredito que, tanto a tecnologia como a intelig\u00eancia artificial devem ser usadas como nossas aliadas. Pois, nos ajudam a preparar atividades, criar quest\u00f5es, pensar em diferentes maneiras de explicar um conte\u00fado, elaborar projetos e at\u00e9 adaptar atividades para estudantes que apresentam diferentes necessidades e ritmos de aprendizagem. Tudo isso facilita e muito, o nosso trabalho. Por\u00e9m, existe uma coisa que considero fundamental: a intelig\u00eancia artificial pode nos ajudar, mas ela n\u00e3o conhece o aluno como n\u00f3s o conhecemos. Somos n\u00f3s que percebemos aquele aluno que est\u00e1 quieto demais, que percebe quando o estudante ou alguma coisa n\u00e3o est\u00e1 bem. \u00c9 o professor que sabe que determinada turma precisa de uma abordagem diferente, que conhece a hist\u00f3ria, as dificuldades e as potencialidades dos seus estudantes. Por isso, eu n\u00e3o vejo a intelig\u00eancia artificial como uma substituta do professor. Mas, como uma ferramenta que pode nos ajudar a fazer melhor aquilo que j\u00e1 fazemos. E esse \u00e9 um desafio que temos diante de n\u00f3s: aprender a utilizar a tecnologia sem perder aquilo que existe de mais importante na educa\u00e7\u00e3o, que \u00e9 a rela\u00e7\u00e3o humana.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Nessa caminhada, presenciei muitas mudan\u00e7as, evolu\u00e7\u00f5es na \u00e1rea tecnol\u00f3gica e tamb\u00e9m nas gera\u00e7\u00f5es. E com certeza, teremos muitas transforma\u00e7\u00f5es e numa velocidade ainda maior. Mas, apesar de todas essas mudan\u00e7as, uma coisa continua igual: o estudante sempre precisa de algu\u00e9m que acredite nele, que o incentive, que o ajude quando ele tem dificuldade e que mostre que ele \u00e9 capaz de aprender. E eu acredito que o professor do futuro n\u00e3o ser\u00e1 aquele que sabe tudo sobre tecnologia. Ser\u00e1 aquele que souber usar a tecnologia sem deixar de olhar para o aluno como um ser em constru\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Depois de 25 anos, essa \u00e9 uma das maiores certezas que levo comigo: podemos mudar a maneira de ensinar, mas nunca podemos perder a sensibilidade de educar pessoas. Afinal, nenhuma transforma\u00e7\u00e3o na educa\u00e7\u00e3o faz sentido se n\u00e3o tiver a humaniza\u00e7\u00e3o como princ\u00edpio.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Para Erenisi Vogt, o ensino tradicional e as tecnologias podem ser um equil\u00edbrio nessa nova forma de ensinar e repassar os conte\u00fados<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":10266,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[41],"tags":[],"class_list":["post-10265","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","category-noticias"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/noticiarioregional.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/10265","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/noticiarioregional.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/noticiarioregional.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/noticiarioregional.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/noticiarioregional.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=10265"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/noticiarioregional.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/10265\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":10267,"href":"https:\/\/noticiarioregional.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/10265\/revisions\/10267"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/noticiarioregional.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/10266"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/noticiarioregional.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=10265"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/noticiarioregional.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=10265"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/noticiarioregional.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=10265"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}