{"id":7957,"date":"2025-10-29T10:44:18","date_gmt":"2025-10-29T13:44:18","guid":{"rendered":"https:\/\/noticiarioregional.com.br\/?p=7957"},"modified":"2025-10-31T10:42:57","modified_gmt":"2025-10-31T13:42:57","slug":"dia-do-professor-historias-de-quem-moldou-geracoes-com-dedicacao-coragem-e-amor-a-educacao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/noticiarioregional.com.br\/?p=7957","title":{"rendered":"Dia do Professor: hist\u00f3rias de quem moldou gera\u00e7\u00f5es com dedica\u00e7\u00e3o, coragem e amor \u00e0 educa\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"\n<p><strong>Monda\u00ed \u2013<\/strong> No m\u00eas em que se celebra o Dia do Professor, o tributo vai muito al\u00e9m de flores e homenagens: \u00e9 o reconhecimento a quem, com giz, cadernos e cora\u00e7\u00e3o, ajudou a construir comunidades inteiras. Em tempos em que escolas multisseriadas reuniam crian\u00e7as de v\u00e1rias idades em uma \u00fanica sala, professores enfrentavam jornadas longas, recursos escassos e desafios di\u00e1rios, mas com uma voca\u00e7\u00e3o que ultrapassava qualquer obst\u00e1culo. Seis educadores de Monda\u00ed e regi\u00e3o compartilharam suas mem\u00f3rias \u2014 verdadeiros retratos vivos da hist\u00f3ria da educa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>As vozes de H\u00e9dio, Renata, Darcila, Solange, Renata M\u00fcller e L\u00eddia ecoam como um tributo aos milhares de educadores an\u00f4nimos que moldaram o futuro com paci\u00eancia, sacrif\u00edcio e esperan\u00e7a. Porque ensinar, como bem provaram eles, \u00e9 deixar marcas que nem o tempo apaga.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center\"><strong>Um destino tra\u00e7ado entre<\/strong> <strong>livros e voca\u00e7\u00e3o \u2013 o relato de H\u00e9dio Jos\u00e9 Rech<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Aos 91 anos, H\u00e9dio Jos\u00e9 Rech ainda fala da educa\u00e7\u00e3o com brilho nos olhos. Filho de agricultores, ele sonhava em ser padre e chegou a estudar filosofia no Semin\u00e1rio de Gravata\u00ed. Mas, como ele mesmo brinca, \u201cfoi quando se perdeu um padre e se ganhou um professor\u201d. O motivo? Um simples olhar de uma mo\u00e7a, de vestido florido, mudou o rumo de sua vida.<\/p>\n\n\n\n<p>Em 1960, foi convidado por um irm\u00e3o Lassalista para dar aulas em Cunha Por\u00e3. Pouco tempo depois, transferiu-se para a comunidade de Catres, em Monda\u00ed, onde, al\u00e9m de ensinar, assumia pap\u00e9is que iam muito al\u00e9m da sala de aula: realizava celebra\u00e7\u00f5es religiosas, conduzia vel\u00f3rios e enterros e chegou a ser presidente da comunidade, liderando a constru\u00e7\u00e3o de uma nova igreja.<\/p>\n\n\n\n<p>Efetivado no magist\u00e9rio estadual ap\u00f3s concluir os estudos, seguiu aprimorando-se, cursando o magist\u00e9rio em S\u00e3o Miguel do Oeste e, mais tarde, o ensino superior em Erechim. H\u00e9dio tamb\u00e9m participou ativamente da emancipa\u00e7\u00e3o pol\u00edtico-administrativa de Riqueza, sendo o autor do projeto que deu origem ao munic\u00edpio e seu primeiro secret\u00e1rio de Educa\u00e7\u00e3o. \u201c<em>Foram 35 anos dedicados \u00e0 educa\u00e7\u00e3o. Eu me sinto plenamente realizado<\/em>\u201d, afirma com serenidade o professor que, al\u00e9m de ensinar, ajudou a construir uma hist\u00f3ria de f\u00e9, civismo e compromisso com o desenvolvimento da regi\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center\"><strong>Renata Campos: a menina de 16 anos que virou professora<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Com apenas 16 anos, Renata Campos iniciou sua trajet\u00f3ria docente em 1967, na rec\u00e9m-inaugurada escola da comunidade de Alta Tempestade. Jovem e inexperiente, mas corajosa, assumiu o desafio de ensinar turmas cheias e animadas. \u201c<em>Naquele tempo, os alunos obedeciam. O professor era autoridade na comunidade<\/em>\u201d, relembra. Foram poucos anos na doc\u00eancia antes de casar-se e dedicar-se \u00e0 fam\u00edlia e ao trabalho no hospital, mas as lembran\u00e7as permanecem vivas: os rostos atentos, o respeito e o carinho dos alunos. \u201c<em>At\u00e9 hoje, quando encontro algum ex-aluno, eles v\u00eam me abra\u00e7ar. Isso \u00e9 gratificante<\/em>.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center\"><strong>Darcila Disegna: coragem de menina e cora\u00e7\u00e3o de professora<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Aos 15 anos, Darcila Disegna recebeu o chamado para dar aulas na La. Pirap\u00f3, Ipor\u00e3 do Oeste, ent\u00e3o pertencente a Monda\u00ed. Ia a cavalo todos os dias, percorrendo sete quil\u00f4metros para participar das reuni\u00f5es pedag\u00f3gicas em Monda\u00ed. \u201c<em>Naquele tempo, o professor era o l\u00edder da comunidade. Era respeitado e querido<\/em>\u201d, conta.<\/p>\n\n\n\n<p>Ao longo de 30 anos de carreira, Darcila lecionou em diversas comunidades \u2014 Encantado, Linha Pav\u00e3o, Anta Gorda Alta \u2014 sempre com o mesmo amor e compromisso. Recorda-se com ternura de um inverno rigoroso, quando um aluno chegou \u00e0 escola de chinelos e tremendo de frio. \u201c<em>Eu tirei meu casaco e dei para ele. Era o que eu podia fazer<\/em>.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Para ela, ser professora era mais do que ensinar: era cuidar. \u201cA gente tinha que gostar do que fazia. Eu adorava o meu trabalho. Foram tempos dif\u00edceis, mas cheios de amor.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center\"><strong>Solange Wandscheer: o dom de ensinar com carinho<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Formada no Col\u00e9gio Sant\u00edssima Trindade, em Cruz Alta, Solange Wanscheer come\u00e7ou a lecionar em Vicente Dutra e, logo depois, em Monda\u00ed, onde construiu sua vida profissional e pessoal. Foram 30 anos dedicados \u00e0 alfabetiza\u00e7\u00e3o, especialmente na Escola Delminda Silveira, onde ensinava a primeira s\u00e9rie. \u201c<em>Era tudo feito com carinho. Cada crian\u00e7a era um mundo a ser descoberto<\/em>\u201d, conta. Entre risadas e lembran\u00e7as, recorda situa\u00e7\u00f5es curiosas, como as revis\u00f5es di\u00e1rias contra piolhos, &nbsp;comuns na \u00e9poca, e as receitas que entregava aos alunos para levarem \u00e0s m\u00e3es.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas o que mais a marcou foram os v\u00ednculos afetivos criados: \u201c<em>Teve um aluno que n\u00e3o queria passar para a segunda s\u00e9rie porque n\u00e3o queria me deixar. \u00c9 gratificante ver o quanto o amor e a aten\u00e7\u00e3o faziam diferen\u00e7a.<\/em>\u201d<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center\"><strong>Renata M\u00fcller: uma vida entre li\u00e7\u00f5es, cadernos e lembran\u00e7as<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Nascida em 1941, Renata M\u00fcller cresceu em meio \u00e0 rotina escolar. Ainda na terceira s\u00e9rie, j\u00e1 substitu\u00eda professores. Ap\u00f3s concluir o curso Normal Regional, iniciou sua carreira oficialmente, permanecendo na profiss\u00e3o por 25 anos, entre o magist\u00e9rio e a fun\u00e7\u00e3o de auxiliar de dire\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Entre suas mem\u00f3rias mais v\u00edvidas, est\u00e1 o epis\u00f3dio com o filho Mauro, um de seus alunos na primeira s\u00e9rie. \u201c<em>Um dia ele n\u00e3o ganhou a estrelinha no caderno e me deu um tapinha, dizendo: \u2018m\u00e3e, eu n\u00e3o ganhei estrelinha\u2019. Eu expliquei que ele precisava caprichar mais. Foi uma li\u00e7\u00e3o para os dois<\/em>\u201d, recorda, com emo\u00e7\u00e3o e saudade. Renata tamb\u00e9m lembra do rigor e da disciplina dos tempos de forma\u00e7\u00e3o: \u201c<em>Tive que escrever a f\u00f3rmula da \u00e1rea do ret\u00e2ngulo tr\u00eas mil vezes. Nunca mais esqueci<\/em>.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center\"><strong>L\u00eddia Lehmann Morgenstern:<\/strong> <strong>de menina sonhadora \u00e0 professora de gera\u00e7\u00f5es<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Natural de Ira\u00ed (RS), L\u00eddia Lehmann Morgenstern sempre soube que queria ser professora. Fugindo da lida na ro\u00e7a, sonhava com o quadro e o giz. Formou-se no curso Normal Regional de Monda\u00ed e iniciou a carreira em Alta Riqueza, onde dava aula para turmas multisseriadas, acumulando fun\u00e7\u00f5es de merendeira e faxineira. \u201c<em>Naquele tempo, a gente fazia de tudo. E os alunos ajudavam. Era muito bom, a comunidade valorizava o professor<\/em>\u201d, lembra.<\/p>\n\n\n\n<p>Durante 30 anos, L\u00eddia alfabetizou gera\u00e7\u00f5es e assumiu cargos administrativos, como auxiliar de dire\u00e7\u00e3o e secret\u00e1ria escolar. Hoje, ao caminhar pelas ruas, \u00e9 constantemente reconhecida: \u201c<em>Eles me chamam de \u2018profe\u2019. Isso n\u00e3o tem pre\u00e7o. \u00c9 a maior recompensa.<\/em>\u201d<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Monda\u00ed \u2013 No m\u00eas em que se celebra o Dia do Professor, o tributo vai muito al\u00e9m de flores e homenagens: \u00e9 o reconhecimento a quem, com giz, cadernos e cora\u00e7\u00e3o, ajudou a construir comunidades inteiras. 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