{"id":8099,"date":"2025-11-18T08:59:56","date_gmt":"2025-11-18T11:59:56","guid":{"rendered":"https:\/\/noticiarioregional.com.br\/?p=8099"},"modified":"2025-11-18T08:59:57","modified_gmt":"2025-11-18T11:59:57","slug":"produtor-vilson-ghisleri-mantem-tradicao-vitivinicola-de-familia-e-relata-desafios-com-as-condicoes-climaticas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/noticiarioregional.com.br\/?p=8099","title":{"rendered":"Produtor Vilson Ghisleri mant\u00e9m tradi\u00e7\u00e3o vitivin\u00edcola de fam\u00edlia e relata desafios com as condi\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas"},"content":{"rendered":"\n<p><strong>Regi\u00e3o &#8211;<\/strong> Em S\u00e3o Jos\u00e9 do Laranjal, interior de Iraceminha, o aroma das uvas e o som constante do trabalho no parreiral fazem parte da rotina do produtor Vilson Ghisleri, homem que carrega no sangue a tradi\u00e7\u00e3o vitivin\u00edcola de sua fam\u00edlia, iniciada h\u00e1 mais de sete d\u00e9cadas. Filho e neto de viticultores, Ghisleri mant\u00e9m viva a heran\u00e7a deixada pelo av\u00f4, o primeiro morador da comunidade e respons\u00e1vel por trazer, em 1951, as primeiras mudas de uva para a regi\u00e3o. Hoje, aos 20 mil litros anuais de vinho produzidos em sua vin\u00edcola artesanal, \u2018Vinhos Cave de Erm\u00ednio\u2019 somam-se hist\u00f3rias de dedica\u00e7\u00e3o, aprendizado e desafios impostos pela natureza e pelo tempo.<\/p>\n\n\n\n<p>A safra deste ano, no entanto, n\u00e3o tem sido das mais generosas. O produtor relata que a excessiva umidade durante a flora\u00e7\u00e3o trouxe perdas significativas, principalmente nas variedades bord\u00f4, destinadas \u00e0 produ\u00e7\u00e3o de vinhos finos. \u201c<em>A uva n\u00e3o quer muita chuva na florada. Ela precisa de umidade s\u00f3 na brota\u00e7\u00e3o. Mas esse ano, choveu demais. As flores n\u00e3o conseguiram se desenvolver, ficaram grudadas e acabaram abortando. Acredito que a perda chegue a 30%<\/em>\u201d, lamenta Ghisleri.<\/p>\n\n\n\n<p>Ele explica que o trabalho de controle de pragas e doen\u00e7as \u00e9 constante e come\u00e7a ainda no in\u00edcio de setembro, quando os parreirais come\u00e7am a brotar. \u201c<em>A gente inicia as aplica\u00e7\u00f5es no dia 5 ou 10 de setembro. Depois, a cada seis ou sete dias tem que aplicar de novo. Mesmo assim, \u00e9 um cuidado enorme<\/em>\u201d, conta.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"683\" src=\"https:\/\/noticiarioregional.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/Cacho-\u2018abortado-que-nao-consegue-se-desenvolver-1024x683.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-8101\" srcset=\"https:\/\/noticiarioregional.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/Cacho-\u2018abortado-que-nao-consegue-se-desenvolver-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/noticiarioregional.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/Cacho-\u2018abortado-que-nao-consegue-se-desenvolver-300x200.jpg 300w, https:\/\/noticiarioregional.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/Cacho-\u2018abortado-que-nao-consegue-se-desenvolver-768x512.jpg 768w, https:\/\/noticiarioregional.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/Cacho-\u2018abortado-que-nao-consegue-se-desenvolver-1536x1024.jpg 1536w, https:\/\/noticiarioregional.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/Cacho-\u2018abortado-que-nao-consegue-se-desenvolver-2048x1365.jpg 2048w, https:\/\/noticiarioregional.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/Cacho-\u2018abortado-que-nao-consegue-se-desenvolver-150x100.jpg 150w, https:\/\/noticiarioregional.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/Cacho-\u2018abortado-que-nao-consegue-se-desenvolver-450x300.jpg 450w, https:\/\/noticiarioregional.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/Cacho-\u2018abortado-que-nao-consegue-se-desenvolver-1200x800.jpg 1200w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Cacho \u2018abortado\u2019 que n\u00e3o consegue se desenvolver<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>As doen\u00e7as mais temidas s\u00e3o o m\u00edldio \u2014 um mofo que ataca folhas, gr\u00e3os e cachos \u2014 e a botrite, que aparece com o excesso de chuva. \u201c<em>Teve ano em que o m\u00edldio atacou do dia para a noite. Parecia que tinha nevado de tanto fungo branco sobre as plantas. Foi preciso correr com o sulfato de cobre para tentar salvar o que restava<\/em>\u201d, relembra.<\/p>\n\n\n\n<p>Para o produtor, a \u00fanica forma de evitar completamente os preju\u00edzos seria investir em cobertura para os parreirais, o que reduziria a incid\u00eancia de chuvas e doen\u00e7as. Por\u00e9m, o alto custo inviabiliza o projeto. \u201c<em>Seria o ideal, mas \u00e9 muito caro. Para quem trabalha com uva de vinho, n\u00e3o compensa. O investimento \u00e9 alto demais<\/em>\u201d, explica. Mesmo assim, Vilson n\u00e3o desanima. Mant\u00e9m um pequeno vinhedo pr\u00f3prio, al\u00e9m de comprar parte das uvas de outros produtores da regi\u00e3o para manter a produ\u00e7\u00e3o constante. \u201c<em>Eu compro de quem sobra. \u00c0s vezes \u00e9 100 quilos, \u00e0s vezes \u00e9 uma tonelada. D\u00e1 certo. Assim, a gente n\u00e3o deixa de produzir<\/em>\u201d, conta.<\/p>\n\n\n\n<p>A hist\u00f3ria da vin\u00edcola Ghisleri tem ra\u00edzes profundas. O av\u00f4 de Vilson, vindo do Rio Grande do Sul, trouxe em 1950 as primeiras mudas e plantou o primeiro parreiral na comunidade. Desde ent\u00e3o, a uva e o vinho fazem parte da vida da fam\u00edlia. \u201c<em>Meu nono foi o primeiro a plantar aqui. Depois meu pai continuou. E eu cresci vendo-os trabalhando. Em 1995, comecei a plantar por conta pr\u00f3pria. A gente fazia tudo em pequena escala, mas com muito carinho<\/em>\u201d, relembra.<\/p>\n\n\n\n<p>Foi tamb\u00e9m em 1995 que Iraceminha realizou a primeira Feira do Vinho, ainda sem uma produ\u00e7\u00e3o local consolidada. Ghisleri participou das edi\u00e7\u00f5es seguintes, e em 2003, com apoio do munic\u00edpio, iniciou a constru\u00e7\u00e3o da atual vin\u00edcola, por meio de programas de incentivo ao pequeno produtor. \u201c<em>O prefeito da \u00e9poca incentivou bastante. Conseguimos recursos do Estado e do Banco do Brasil. Foi um passo grande, maior que a perna, mas necess\u00e1rio. Aprendemos errando e fomos nos aperfei\u00e7oando<\/em>\u201d, conta ele. Com o passar dos anos, Vilson buscou forma\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica, fez cursos em Videira e Bento Gon\u00e7alves, e at\u00e9 frequentou aulas na Embrapa Uva e Vinho, onde aprimorou os m\u00e9todos de produ\u00e7\u00e3o e controle de qualidade.<\/p>\n\n\n\n<p>Hoje, a vin\u00edcola produz cerca de 20 mil litros de vinho de mesa por safra, al\u00e9m de comercializar r\u00f3tulos finos e espumantes em parceria com uma cooperativa da Serra Ga\u00facha, que det\u00e9m a tecnologia e estrutura necess\u00e1rias para vinhos de maior complexidade. \u201c<em>L\u00e1, eles produzem o vinho fino e o espumante. Eu coloco a minha marca e vendo. \u00c9 um acordo bom, porque o custo de produ\u00e7\u00e3o de um espumante \u00e9 muito alto. Seria invi\u00e1vel investir sozinho<\/em>\u201d, explica.<\/p>\n\n\n\n<p>Vilson mant\u00e9m um cat\u00e1logo com variedades de tipos de vinho, entre secos, suaves e finos, todos vendidos sob sua marca. O produtor acredita que a diversidade \u00e9 o que atrai os clientes. \u201c<em>Quem vem comprar uma garrafa, acaba levando cinco. Quer experimentar. Se tivesse s\u00f3 um tipo, o movimento seria menor. Ent\u00e3o, quanto mais variedades, melhor<\/em>\u201d, destaca. \u201c<em>Vale a pena. \u00c9 um trabalho que exige muito, mas \u00e9 justo. A gente se sustenta, vive bem e leva adiante o nome da fam\u00edlia. No fim das contas, o vinho \u00e9 mais que um produto \u2014 \u00e9 a nossa hist\u00f3ria engarrafada<\/em>.\u201d<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Regi\u00e3o &#8211; Em S\u00e3o Jos\u00e9 do Laranjal, interior de Iraceminha, o aroma das uvas e o som constante do trabalho no parreiral fazem parte da rotina do produtor Vilson Ghisleri, homem que carrega no sangue a tradi\u00e7\u00e3o vitivin\u00edcola de sua fam\u00edlia, iniciada h\u00e1 mais de sete d\u00e9cadas. 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