{"id":9230,"date":"2026-05-05T11:25:46","date_gmt":"2026-05-05T14:25:46","guid":{"rendered":"https:\/\/noticiarioregional.com.br\/?p=9230"},"modified":"2026-05-05T11:25:47","modified_gmt":"2026-05-05T14:25:47","slug":"dona-olanda-de-moura-um-seculo-de-memorias","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/noticiarioregional.com.br\/?p=9230","title":{"rendered":"Dona Olanda de Moura: um s\u00e9culo de mem\u00f3rias"},"content":{"rendered":"\n<p><strong>Riqueza &#8211;<\/strong> No pr\u00f3ximo dia 18 de maio, a comunidade de Riqueza celebra um marco raro e profundamente emocionante: os 100 anos de vida de dona Olanda de Moura, uma mulher cuja trajet\u00f3ria se confunde com a pr\u00f3pria hist\u00f3ria da coloniza\u00e7\u00e3o, do desenvolvimento e da forma\u00e7\u00e3o das comunidades do Extremo Oeste catarinense.<\/p>\n\n\n\n<p>Ao longo de um s\u00e9culo, dona Olanda viu o mundo mudar diante dos olhos. Viu a mata fechada dar lugar \u00e0s estradas, \u00e0s casas, \u00e0s escolas e \u00e0s comunidades. Viveu o tempo em que n\u00e3o havia m\u00e9dico, energia el\u00e9trica, escolas estruturadas ou recursos b\u00e1sicos. Criou filhos, netos, bisnetos e j\u00e1 acompanha a chegada de tataranetos. Sua hist\u00f3ria \u00e9, acima de tudo, um retrato de resist\u00eancia, trabalho e amor \u00e0 fam\u00edlia.<\/p>\n\n\n\n<p>Natural do Rio Grande do Sul, dona Olanda nasceu na regi\u00e3o de Casca, ent\u00e3o vinculada ao munic\u00edpio de Passo Fundo, nas proximidades de Marau. Ainda menina, com cerca de 11 anos, deixou a terra natal junto dos pais e irm\u00e3os para buscar uma nova vida no Oeste. A viagem foi at\u00e9 a comunidade de Vor\u00e1, em Descanso.&nbsp; Naquele tempo, n\u00e3o havia munic\u00edpio, n\u00e3o havia infraestrutura, e o destino era praticamente s\u00f3 mata. A viagem, feita de carro\u00e7a, durou quatro dias. Da quinta-feira at\u00e9 o domingo pela manh\u00e3, a fam\u00edlia enfrentou barro, estradas prec\u00e1rias e paradas for\u00e7adas no caminho. \u201c<em>Era s\u00f3 mato. Tinha que andar com fac\u00e3o junto<\/em>\u201d, recorda.<\/p>\n\n\n\n<p>Enquanto a fam\u00edlia vinha de carro\u00e7a, os animais, vacas e cavalos, foram conduzidos por outros familiares em uma jornada que levou oito dias. Quando chegaram, encontraram uma realidade dura: mata fechada, poucos moradores e quase nenhum recurso. A inf\u00e2ncia de dona Olanda foi marcada pelo trabalho no campo e por muitas dificuldades, pois aos 13 anos, perdeu seu pai, e assim, sua m\u00e3e foi todo o alicerce da fam\u00edlia. Sem recursos, a fam\u00edlia precisou seguir em frente sustentada pelo trabalho dos irm\u00e3os mais velhos e pela for\u00e7a da m\u00e3e.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"683\" height=\"1024\" src=\"http:\/\/noticiarioregional.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/Chimarrao-e-uma-tradicao-do-povo-da-nossa-regiao-683x1024.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-9234\" srcset=\"https:\/\/noticiarioregional.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/Chimarrao-e-uma-tradicao-do-povo-da-nossa-regiao-683x1024.jpg 683w, https:\/\/noticiarioregional.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/Chimarrao-e-uma-tradicao-do-povo-da-nossa-regiao-200x300.jpg 200w, https:\/\/noticiarioregional.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/Chimarrao-e-uma-tradicao-do-povo-da-nossa-regiao-768x1152.jpg 768w, https:\/\/noticiarioregional.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/Chimarrao-e-uma-tradicao-do-povo-da-nossa-regiao-1024x1536.jpg 1024w, https:\/\/noticiarioregional.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/Chimarrao-e-uma-tradicao-do-povo-da-nossa-regiao-1365x2048.jpg 1365w, https:\/\/noticiarioregional.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/Chimarrao-e-uma-tradicao-do-povo-da-nossa-regiao-150x225.jpg 150w, https:\/\/noticiarioregional.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/Chimarrao-e-uma-tradicao-do-povo-da-nossa-regiao-450x675.jpg 450w, https:\/\/noticiarioregional.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/Chimarrao-e-uma-tradicao-do-povo-da-nossa-regiao-1200x1800.jpg 1200w, https:\/\/noticiarioregional.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/Chimarrao-e-uma-tradicao-do-povo-da-nossa-regiao-scaled.jpg 1707w\" sizes=\"(max-width: 683px) 100vw, 683px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Chimarr\u00e3o \u00e9 uma tradi\u00e7\u00e3o do povo da nossa regi\u00e3o<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Filha de uma fam\u00edlia numerosa, cresceu entre irm\u00e3os, ajudando nas tarefas da lavoura e da casa. A agricultura era o sustento de todos. Plantava-se de tudo: milho, feij\u00e3o, hortali\u00e7as e alimentos para o consumo da fam\u00edlia. \u201c<em>Comida quase n\u00e3o se comprava, porque tinha de tudo em casa<\/em>\u201d, relembra.<\/p>\n\n\n\n<p>Mesmo em meio \u00e0s dificuldades, ela teve acesso \u00e0 escola, algo raro para a \u00e9poca, mas todo o tempo que permaneceu na escola n\u00e3o ultrapassou seis meses. Para estudar, caminhava cinco quil\u00f4metros a p\u00e9 todos os dias, enfrentando frio intenso, barro e temporais. As aulas aconteciam em uma pequena escolinha, e o professor era pago pelos pr\u00f3prios pais dos alunos. Naquele tempo, n\u00e3o havia cadernos como hoje. A escrita era feita com pena e tinta, em t\u00e1buas improvisadas. O frio era t\u00e3o intenso que, muitas vezes, as m\u00e3os ficavam r\u00edgidas. Sempre ao chegar, no inverno o professor tinha uma chapa de tijolos aquecida com fogo, para que os alunos pudessem esquentar os p\u00e9s, j\u00e1 que grande parte ainda vinha descal\u00e7o. A vida no campo exigia maturidade precoce. Pela manh\u00e3, a escola. No restante do dia, a ro\u00e7a. Era enxada na m\u00e3o, cultivo da terra e ajuda constante \u00e0 fam\u00edlia.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"683\" src=\"http:\/\/noticiarioregional.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/Comemoracao-de-Bodas-do-casal-1024x683.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-9231\" srcset=\"https:\/\/noticiarioregional.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/Comemoracao-de-Bodas-do-casal-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/noticiarioregional.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/Comemoracao-de-Bodas-do-casal-300x200.jpg 300w, https:\/\/noticiarioregional.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/Comemoracao-de-Bodas-do-casal-768x512.jpg 768w, https:\/\/noticiarioregional.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/Comemoracao-de-Bodas-do-casal-1536x1024.jpg 1536w, https:\/\/noticiarioregional.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/Comemoracao-de-Bodas-do-casal-2048x1365.jpg 2048w, https:\/\/noticiarioregional.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/Comemoracao-de-Bodas-do-casal-150x100.jpg 150w, https:\/\/noticiarioregional.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/Comemoracao-de-Bodas-do-casal-450x300.jpg 450w, https:\/\/noticiarioregional.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/Comemoracao-de-Bodas-do-casal-1200x800.jpg 1200w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Comemora\u00e7\u00e3o de Bodas do casal<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Foi na juventude, em meio aos tradicionais bailes realizados nos por\u00f5es e casas de madeira da comunidade, que dona Olanda conheceu o grande amor de sua vida, que viria a se tornar seu marido, Pedro de Moura. Naquele tempo, os bailes eram simples, mas cheios de encanto. Os m\u00f3veis eram afastados, algu\u00e9m puxava a gaita, outro tocava viol\u00e3o ou gaita de boca, e a festa estava feita. Pedro vinha de cavalo ou de canoa, atravessando o rio para participar dos encontros. O namoro come\u00e7ou quando dona Olanda tinha 16 anos. O casamento veio aos 20 anos, enquanto ele tinha cerca de 28.<\/p>\n\n\n\n<p>Foi uma uni\u00e3o s\u00f3lida, constru\u00edda no respeito, no trabalho e no companheirismo.<\/p>\n\n\n\n<p>Juntos, permaneceram casados por 60 anos. Depois do casamento, dona Olanda fixou-se na regi\u00e3o da Cambucica, em Riqueza, onde ajudou a cuidar da sogra e construiu a vida ao lado do marido, detalhou sobre o amor sempre foi o principal pilar do casal, e que n\u00e3o se recorda de alguma vez, os dois se retrucarem.<\/p>\n\n\n\n<p>O casal viveu da agricultura, trabalhando na terra e criando os filhos com os frutos do pr\u00f3prio esfor\u00e7o. Foram sete filhos, nascidos em casa, em tempos em que os partos eram assistidos no pr\u00f3prio lar, sem hospitais ou maternidades. Cada nascimento era um ato de coragem. Cada filho, uma nova esperan\u00e7a. Hoje, a fam\u00edlia cresceu de forma impressionante. Dona Olanda \u00e9 m\u00e3e, av\u00f3, bisav\u00f3 e tatarav\u00f3. S\u00e3o 14 netos, cerca de 32 bisnetos e um tataraneto, um legado humano que atravessa gera\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>Ao longo de 100 anos, dona Olanda testemunhou a transforma\u00e7\u00e3o completa da regi\u00e3o. Ela viu surgir escolas, igrejas, estradas, propriedades rurais estruturadas e o crescimento das comunidades. A regi\u00e3o que antes era mata fechada hoje \u00e9 espa\u00e7o de progresso. \u201c<em>Agora evoluiu muito. Est\u00e1 muito melhor do que era<\/em>\u201d, afirma.<\/p>\n\n\n\n<p>Sua trajet\u00f3ria tamb\u00e9m se entrela\u00e7a com a hist\u00f3ria da pr\u00f3pria comunidade, ajudando a formar v\u00ednculos, fortalecer fam\u00edlias e construir a identidade local.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"758\" src=\"http:\/\/noticiarioregional.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/Filhos-scaled-e1777991129104-1024x758.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-9232\" srcset=\"https:\/\/noticiarioregional.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/Filhos-scaled-e1777991129104-1024x758.jpg 1024w, https:\/\/noticiarioregional.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/Filhos-scaled-e1777991129104-300x222.jpg 300w, https:\/\/noticiarioregional.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/Filhos-scaled-e1777991129104-768x568.jpg 768w, https:\/\/noticiarioregional.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/Filhos-scaled-e1777991129104-150x111.jpg 150w, https:\/\/noticiarioregional.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/Filhos-scaled-e1777991129104-450x333.jpg 450w, https:\/\/noticiarioregional.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/Filhos-scaled-e1777991129104-1200x888.jpg 1200w, https:\/\/noticiarioregional.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/Filhos-scaled-e1777991129104.jpg 1493w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Filhos<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Aos 100 anos, dona Olanda segue l\u00facida, carism\u00e1tica e com mem\u00f3ria admir\u00e1vel. Apesar das limita\u00e7\u00f5es naturais da idade, como a fraqueza nas pernas, continua se virando com autonomia nas tarefas do dia a dia. Ainda aprecia um bom chimarr\u00e3o, s\u00edmbolo t\u00e3o presente em sua hist\u00f3ria ga\u00facha e catarinense. Cercada pelo carinho dos filhos, netos e demais familiares, dona Olanda \u00e9 um exemplo vivo de sabedoria. Atualmente, est\u00e1 aos cuidados do filho Luiz Carlos de Moura e da nora, Nadir de Moura.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Riqueza &#8211; No pr\u00f3ximo dia 18 de maio, a comunidade de Riqueza celebra um marco raro e profundamente emocionante: os 100 anos de vida de dona Olanda de Moura, uma mulher cuja trajet\u00f3ria se confunde com a pr\u00f3pria hist\u00f3ria da coloniza\u00e7\u00e3o, do desenvolvimento e da forma\u00e7\u00e3o das comunidades do Extremo Oeste catarinense. 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