{"id":9268,"date":"2026-05-15T10:26:00","date_gmt":"2026-05-15T13:26:00","guid":{"rendered":"https:\/\/noticiarioregional.com.br\/?p=9268"},"modified":"2026-05-15T10:26:01","modified_gmt":"2026-05-15T13:26:01","slug":"do-papel-a-energia-que-transforma-vidas-a-trajetoria-de-tere-43-anos-dedicados-a-celesc","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/noticiarioregional.com.br\/?p=9268","title":{"rendered":"Do papel \u00e0 energia que transforma vidas: a trajet\u00f3ria de Ter\u00ea, 43 anos dedicados \u00e0 Celesc"},"content":{"rendered":"\n<p><strong><u>Jocel\u00e2yne Bauer<\/u><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Monda\u00ed &#8211;<\/strong> No dia 1\u00ba de maio, quando o Brasil celebra o Dia do Trabalhador, hist\u00f3rias como a de Irossida Terezinha Ues, a \u201cTer\u00ea da Celesc\u201d, ajudam a dar rosto e significado \u00e0 data. Aos 70 anos, rec\u00e9m-afastada da rotina profissional, ela carrega na mem\u00f3ria mais de quatro d\u00e9cadas de dedica\u00e7\u00e3o ao servi\u00e7o p\u00fablico, marcadas por desafios, mudan\u00e7as tecnol\u00f3gicas e, sobretudo, compromisso com as pessoas.<\/p>\n\n\n\n<p>Natural do Rio Grande do Sul, Ter\u00ea construiu sua vida no Oeste catarinense. Antes de ingressar na Celesc, trabalhou em um mercado no munic\u00edpio de Palmitos, onde deu seus primeiros passos no mundo do trabalho. Foi ali que come\u00e7ou a desenvolver o senso de responsabilidade que, anos depois, seria essencial em sua longa carreira.<\/p>\n\n\n\n<p>Aos 27 anos, veio a oportunidade que mudaria sua trajet\u00f3ria: o ingresso na ent\u00e3o cooperativa Erusque, que posteriormente foi incorporada pela Celesc. Com a transi\u00e7\u00e3o, os funcion\u00e1rios foram automaticamente integrados \u00e0 nova estrutura, e Ter\u00ea passou a fazer parte de uma das principais empresas do setor el\u00e9trico do estado.<\/p>\n\n\n\n<p>Em Monda\u00ed, onde atuou por 43 anos, tornou-se uma figura conhecida. \u201c<em>Todo mundo me conhece<\/em>\u201d, diz, com simplicidade. No dia a dia, exercia fun\u00e7\u00f5es administrativas e de atendimento ao p\u00fablico \u2014 uma posi\u00e7\u00e3o que exigia paci\u00eancia, organiza\u00e7\u00e3o e, muitas vezes, jogo de cintura.<\/p>\n\n\n\n<p>Sua trajet\u00f3ria tamb\u00e9m acompanha a evolu\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica do trabalho. \u201c<em>Quando eu comecei, era tudo no papel e caneta<\/em>\u201d, relembra. Depois vieram as m\u00e1quinas de escrever e, mais tarde, os computadores. \u201c<em>Quando chegou o tal do computador, a gente ficou apavorada<\/em>\u201d, conta, entre risos. A adapta\u00e7\u00e3o n\u00e3o foi f\u00e1cil, mas, como em tantas outras situa\u00e7\u00f5es, ela seguiu aprendendo e se reinventando.<\/p>\n\n\n\n<p>Apesar da fun\u00e7\u00e3o administrativa, Ter\u00ea n\u00e3o ficou restrita ao escrit\u00f3rio. Em tempos em que equipes eram reduzidas e os recursos escassos, ela tamb\u00e9m acompanhava eletricistas em atendimentos no interior. Estradas prec\u00e1rias, falta de comunica\u00e7\u00e3o e condi\u00e7\u00f5es adversas faziam parte da rotina.<\/p>\n\n\n\n<p>Uma dessas experi\u00eancias ficou marcada para sempre. Durante a liga\u00e7\u00e3o de energia para um casal de idosos, em uma propriedade rural, um erro na instala\u00e7\u00e3o provocou um curto-circuito. \u201c<em>O eletricista fez sinal para mim, de que podia ligar a chave, e quando eu liguei, deu uma explos\u00e3o e tudo virou uma fuma\u00e7a, o casal de idosos, levaram um grande susto. Pensei: \u2018meu Deus, quase matei os velhos\u2019<\/em>\u201d, recorda. A casa n\u00e3o tinha forro, e a fuma\u00e7a se espalhou rapidamente. Apesar do susto, ningu\u00e9m se feriu, mas o epis\u00f3dio ilustra os riscos e a responsabilidade dos envolvidos no trabalho.<\/p>\n\n\n\n<p>Ao longo dos anos, Ter\u00ea acompanhou programas de expans\u00e3o el\u00e9trica que levaram energia a comunidades rurais, contribuindo diretamente para melhorar a qualidade de vida de muitas fam\u00edlias. \u201c<em>Era tudo muito diferente. N\u00e3o tinha celular, n\u00e3o tinha mapa. A gente ia se virando como dava<\/em>\u201d, lembra.<\/p>\n\n\n\n<p>A rotina intensa tamb\u00e9m exigia sacrif\u00edcios pessoais. Com jornada di\u00e1ria das 7h30 \u00e0s 11h30 e das 13h30 \u00e0s 17h30, o tempo livre era escasso. \u201c<em>A gente vivia pensando no trabalho. N\u00e3o desligava nunca<\/em>\u201d, afirma. Mesmo assim, ela seguiu firme, construindo uma carreira s\u00f3lida e respeitada.<\/p>\n\n\n\n<p>Agora, ap\u00f3s deixar definitivamente a fun\u00e7\u00e3o \u2014 embora j\u00e1 estivesse aposentada anteriormente \u2014 Ter\u00ea vive um novo momento. \u201c<em>\u00c9 um al\u00edvio, mas tamb\u00e9m \u00e9 estranho<\/em>\u201d, confessa. Acostumada a uma vida \u201cligada no 220\u201d, ela ainda se adapta ao ritmo mais tranquilo. \u201c<em>Agora \u00e9 aproveitar<\/em>\u201d, resume. A sensa\u00e7\u00e3o, no entanto, \u00e9 de dever cumprido. Foram 43 anos dedicados a uma mesma institui\u00e7\u00e3o, atravessando mudan\u00e7as, enfrentando desafios e contribuindo para o desenvolvimento da regi\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Neste Dia do Trabalhador, a hist\u00f3ria de Ter\u00ea simboliza milhares de brasileiros que, com esfor\u00e7o di\u00e1rio e dedica\u00e7\u00e3o silenciosa, ajudam a construir o pa\u00eds. Mais do que n\u00fameros ou tempo de servi\u00e7o, sua trajet\u00f3ria revela o valor do trabalho feito com responsabilidade, coragem e humanidade.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Jocel\u00e2yne Bauer Monda\u00ed &#8211; No dia 1\u00ba de maio, quando o Brasil celebra o Dia do Trabalhador, hist\u00f3rias como a de Irossida Terezinha Ues, a \u201cTer\u00ea da Celesc\u201d, ajudam a dar rosto e significado \u00e0 data. 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