Trabalho voluntário que transforma vidas através do cuidado e da prevenção
Outubro é um mês que chama atenção para a prevenção de doenças que afetam o público feminino, como o câncer de mama e o câncer do colo de útero. Diversas ações são realizadas nesse período, com foco na orientação e conscientização das mulheres quanto aos exames preventivos e o diagnóstico precoce que permite maior chance de cura. Também ganham maior destaque as entidades, grupos e profissionais que se dedicam a essa causa, muitas destes de forma voluntária, como a Rede Feminina de Combate ao Câncer, presente em vários municípios do estado.
Para conhecer mais sobre a Rede Feminina de São Miguel do Oeste, o trabalho que realiza e os serviços que oferece, conversamos com a tesoureira da Associação Rede Feminina de Combate ao Câncer do município, Massimina Borelli Alessi. Fundada no município em 1985, a Rede Feminina nasceu do compromisso e da solidariedade de mulheres que acreditaram que, através da união, do cuidado e da prevenção, era possível transformar vidas.
A tesoureira explica que o foco principal é a prevenção do câncer de mama e do câncer do colo do útero, além do diagnóstico precoce, conscientizando, incentivando as mulheres a cuidarem da própria saúde. Destaca que na Rede Feminina, o exame preventivo Papa Nicolaué realizado todos os dias no período vespertino. No mês de outubro o horário é estendido no período noturno, por duas semanas, oferecendo às mulheres um atendimento acessível, acolhedor e humanizado.
Além do trabalho de prevenção, Massimina ressalta que a Rede busca constantemente recursos por meio de projetos e parcerias, para ampliar o atendimento e oferecer serviços essenciais, totalmente gratuitos, consultas ginecológicas e de clínica geral, atendimentos psicológicos, fisioterapia, exames laboratoriais e de diagnóstico. A estruturação da Rede Feminina de Combate ao Câncer é feita através de setores que atuam de forma integrada, sendo estes os setores: ambulatorial, artesanato, bazar/ brechó e administrativo.
A voluntária ressalta que a Rede tem como público alvo mulheres de todas as idades de São Miguel do Oeste. Também atende pacientes de municípios vizinhos com a colaboração de laboratórios parceiros, o que reduz de forma significativa o valor para as mulheres. Os serviços são realizados dentro dos princípios do SUS, buscando contribuir para que mais mulheres tenham acesso à prevenção, ao diagnóstico precoce e aos cuidados necessários.
Para manter suas atividades e continuar oferecendo seus serviços à comunidade, a tesoureira enfatiza que a Rede Feminina de São Miguel do Oeste conta com diferentes fontes de recursos, construídos ao longo dos anos com o apoio da comunidade. Entre elas cita os recursos provenientes da venda de artesanato produzido pelas amigas da Rede, comercializados no bazar; do brechó de roupas e calçados formado a partir de doações da comunidade; além de recursos públicos municipais, emendas impositivas da Câmara de Vereadores e recursos estaduais obtidos por meio de projetos. A Rede também recebe doações espontâneas da comunidade e de pacientes que reconhecem e valorizam o trabalho realizado pela entidade.
“Quem deseja contribuir pode participar de diferentes maneiras: por meio de doações de recursos financeiros, roupas e calçados usados em bom estado, adquirindo artesanatos ou tornando-se parceiro nos projetos “Colo de Esperança” e “Amor à Vida”, que levam acolhimento, carinho e apoio às pessoas atendidas. Cada contribuição, independente do tamanho, transforma-se em cuidado e pode fazer diferença na vida de mulheres e de suas famílias”, enaltece a tesoureira da Rede.
Por mês, são realizados em média 120 exames preventivos. Além desses exames, a Rede Feminina, conforme a disponibilidade de recursos, também oferece outros serviços de saúde. Como exemplo, no ano 2025 foram custeados pela Rede Feminina um total de: 1.343 exames preventivos; 97 consultas com clínico geral; 218 consultas ginecológicas; 33 procedimentos (biópsia de colo de útero, cauterização e colposcopia); 1.832 exames laboratoriais; 238 exames de diagnóstico; 354 atendimentos psicológicos e 447 atendimentos de fisioterapia.
A instituição desenvolve de forma contínua os projetos “Colo de Esperança” e “Amor à Vida”. O “Colo de Esperança” é realizado junto ao setor de oncologia do Hospital Regional levando atenção e apoio às pessoas que estão vivenciando o processo de tratamento oncológico e seus familiares. O grupo “Amor à Vida” leva apoio às Mulheres que passaram ou estão em diferentes etapas do tratamento oncológico. Proporcionando momentos de convivência, escuta, acolhimento, troca de experiências e desenvolvimento de atividades que favorecem o bem-estar, a autoestima e o fortalecimento emocional das participantes.
Massimina, em nome de toda a Rede Feminina de Combate ao Câncer de São Miguel do Oeste, deixa a seguinte mensagem neste Outubro Rosa: “Que este mês nos lembre que cuidar da saúde não deve acontecer apenas em outubro. Conhecer o próprio corpo, manter os exames preventivos em dia, buscar informações confiáveis e procurar atendimento diante de qualquer alteração são atitudes importantes de cuidado. A prevenção e a detecção precoce têm um papel fundamental no enfrentamento do câncer. Acreditamos que nenhuma mulher deve atravessar um momento de adoecimento sozinha. Precisamos fortalecer redes de apoio, oferecer escuta, acolhimento e, acima de tudo, lembrar cada mulher de que ela continua sendo muito mais do que o seu diagnóstico. Que o Outubro Rosa seja um convite para olharmos para nós mesmas com mais carinho, coragem e atenção. Prevenir é cuidar. Acolher e fortalecer. E juntas somos uma rede de esperança”.


