TRAGÉDIA NO RIO URUGUAI
Alegre, extrovertido, divertido, caprichoso e simples. É assim que os familiares de Maicon Yuri Di Domenico, de 22 anos, o definiram quando questionados, sobre quem era ele. De riso fácil, tinha uma enorme facilidade em fazer amigos. Prestativo, adorava conversar, cozinhar, jogar bola e pescar, se doava para tudo e todos, pensava mais nos outros do que nele próprio, gostava de ‘puxar a frente’ para ir em busca do que queria e desejava, confiava nas pessoas, e mesmo quando era chamado sua atenção, não retrucava, Maicon era apressado e tinha pressa para viver e o medo, era um sentimento desconhecido por ele.
Maicon é natural da comunidade de São José do Laranjal, interior de Iraceminha, onde seus pais residem até hoje. O jovem ficou conhecido regionalmente na última semana, após, infelizmente, ser vítima de afogamento na terça-feira, dia 13 de janeiro, na Área de Lazer, em Mondaí. Os pais do jovem, Isabel Dalanora Di Domenico e Laurindo Di Domenico, são produtores de uvas e estavam comercializando na propriedade quando receberam a notícia de que era Maicon que havia se afogado. A notícia veio através de um sobrinho e da esposa de um bombeiro que reside na comunidade. O pai comenta, que após receberam a notícia, ficaram atordoados e as horas seguintes foram apagadas da memória, não se recordam o que exatamente aconteceu. Os pais não chegaram a ir até o local do afogamento, e quem acompanhou tudo de perto, durante os dias de busca pelo corpo, foi a tia, Dosilde Di Domenico Stefanello, que se vê como segunda mãe de Maicon, já que ele chegou a residir com ela em dois períodos, em Maravilha.

Atualmente, Maicon estava residindo em Riqueza, a cerca de um mês, trabalhando com o tio, na padaria da família, juntamente com sua namorada, a qual estava junto com ele na terça-feira, na Área de Lazer, no dia do ocorrido. Estavam pescando às margens, quando a boia do anzol se soltou, e por ter comprado a boia naquela tarde, não queria perder ela, e dessa forma, saindo pela rampa, sem camisa, apenas de calça de moletom, nadou até a boia, pegou ela, mostrou que havia pegado, colocou-a na boca para retornar para a margem. Foi neste momento, que Maicon afundou, submergiu e gritou que estava se afogando e por socorro, afundando e não retornando mais. Pescadores que estavam por ali tentaram ajudar, mas sem sucesso.

Os bombeiros foram acionados, e daquele dia, foi iniciada uma longa e extensa busca pelo corpo de Maicon. Segundo informações do Corpo de Bombeiros, naquela mesma noite, foram feitas buscas superficiais. Na quarta-feira, as buscas foram com mergulhadores e com Jet-ski. Na quinta-feira, foram iniciadas as buscas novamente com a utilização do Jet-Ski nas margens, do local que Maicon submergiu, descendo aproximadamente 16 quilômetros, rio abaixo, percorrendo ao todo aproximadamente 40 quilômetros. No mesmo dia, outra equipe de mergulhadores iniciaram as buscas, com a utilização do Sonar, vindo de Piratuba, sendo realizada a varredura de aproximadamente 27 quilômetros, mas sem lograr êxito.
Para a família, a espera por notícias era agonizante, e chegaram a ajustar barcos particulares para percorrem pelo rio e auxiliar nas buscas, mas foi apenas na sexta-feira, por volta das 11h15, é que veio a informação de que Maicon havia sido encontrado. A tia, Dolside, destacou que na sexta-feira, pela manhã, foi chamado pescadores que desejavam ser voluntários nas buscas. E assim foi feito, um dos barcos voluntários, iniciou a busca pela comunidade de Sede Capela, subindo pelo Rio, e dessa forma encontraram o corpo, nas margens, no lado que pertence ao Rio Grande do Sul, cerca de 15 quilômetros de onde Maicon se afogou.

O pai comenta que ao saber que encontraram o filho, se ajoelhou e agradeceu, pois sabia que teria a oportunidade de pelo menos se despedir do filho. “A nossa sorte é que dificilmente baixava de 15, 20 pessoas aqui na nossa casa, foram dias muito difíceis. Nós tínhamos uva pra colher, mas não tínhamos cabeça pra nada. O pessoal organizou, veio ali, colheu, vendeu. A comunidade aqui é muito boa nessas partes. Mas quando veio a notícia que encontraram, pra mim foi um alívio”.
Após encontrarem Maicon, seu corpo foi levado para o IML e o reconhecimento foi feito por um primo. Devido ao estado que seu corpo se encontrava, pelo tempo em que ficou na água, mesmo com caixão fechado, o velório durou menos de 1h. Seu corpo chegou na igreja da comunidade, às 5h30 da manhã de sábado, e para a surpresa da família, naquele horário, a igreja estava lotada, um feito inédito, dessa forma, ressaltando que apesar de jovem, Maicon conseguiu deixar marcado seu legado. Um costume que a família ainda comenta, é que sempre ao sair de algum lugar, ao invés de falar ‘desculpa pela bagunça’, sempre dizia, ‘obrigado pela bagunça’.
A família destaca e agradece o empenho dos bombeiros nas atuações de buscas, mas principalmente, agradece aos pescadores que dia após dia, colocavam seus barcos para ajudar, e relatam a eterna gratidão aos pescadores que encontraram Maicon.
A prima, Jéssica Riboldi, acredita que Maicon cumpriu a sua missão na Terra. “Ele está num lugar muito melhor do que nós. Porém, pelo jeito dele ser, a pessoa que ele era, por a gente amar ele, a falta, a saudade, ela dói, e ela vai se manter ali por um tempo. E por um bom tempo. Não é uma coisa que passará de uma hora pra outra. E aí eu vejo que agora é o cuidado, o zelo, a companhia, apoiar, pra que conforme o tempo for passando, essa dor ela vai se transformando. E é assim. Não tem o que fazer, não tem pra onde fugir.”
Na terça-feira, 20, a família, foi até a Área de Lazer, próximo ao local onde Maicon foi visto pela última vez, e despejou flores no rio, rosas e Girassóis, como forma de homenagem e despedida ao jovem.


