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    Várias versões em uma só: Simone Koelln relata seus sonhos, desafios e realizações como mulher

    Joana Reichert

    De mulher para mulher

    Iporã do Oeste – A Simone da delegacia. A Simone gremista. A mãe do Ângelo. A que joga vôlei, que é extrovertida, divertida e sincera. São várias versões de uma só pessoa. Uma única mulher em suas várias funções e fases. Todas elas de forma verdadeira, e autêntica. Esse é o jeito dela de ser. Na edição de hoje, uma matéria especial em homenagem ao Dia Internacional da Mulher e a todas as mulheres pela data, com o depoimento de Simone Koelln, de 45 anos, admirada pelo seu profissionalismo, persistência e dedicação.

    Profissão

    Desde a infância Simone conviveu em um meio com vários familiares atuando na polícia. Sua mãe Bernadete iniciou a carreira na Polícia Civil, quando Simone tinha cerca de sete anos de idade. Acompanhou o seu dia a dia, suas falas, conselhos e relatos. A profissão aos poucos despertou seu interesse, de forma natural.

    Simone já tinha o desejo de cursar a faculdade de Direito, e depois de formada, prestou concurso no início de 2002, foi aprovada, e no mesmo ano fez a Academia de Polícia.  Um ano e nove meses depois foi nomeada, e seu primeiro local de trabalho foi em Itapiranga, cidade em que nasceu, onde trabalhou por quatro anos, atuando inicialmente junto com a sua mãe.

    Antes da carreira policial, Simone trabalhava no judiciário, como assessora do juiz. Como gostava do trabalho, e recebendo convite para voltar, retornou para a função, onde ficou mais sete anos, mas vinculada a Polícia Civil. Após esse período, com a vontade de “mudar de ares”, Simone pediu para voltar a PC, e nesse seu retorno, em outubro de 2015 foi designada para a Delegacia Municipal de Iporã do Oeste, onde atua até hoje como Agente de Polícia Civil, criando vínculos com a cidade.

    “Eu amo trabalhar na polícia pela emoção, pela importância, por poder ajudar e tentar resolver as questões. Gosto de investigar, de atuar. Talvez esteja no sangue, como costumam dizer. Nunca pensei em mudar, a não ser que seja para melhorar em outro cargo na PC”, enaltece Simone. Por outro lado, o que lhe frusta na profissão é a falta de efetivo, diante da grande demanda de trabalho, e de casos que muitas vezes chegam na delegacia, mas que por falta de contribuição das pessoas, são muito difíceis de serem solucionados, como por exemplo, por não haver provas ou testemunhas que aceitem depor a favor. No dia a dia da profissão, a agente percebe que falta muito diálogo entre as pessoas para tentar resolver a situação, antes de levar a polícia.

    Maternidade

    O desejo de ser mãe sempre esteve presente na vida de Simone. Com o passar dos anos, sua frustração era perceber a idade para ser mãe passando, sem ter conseguido realizar esse sonho. Aos 41 anos se tornou a mãe do Ângelo, um menino alegre, muito esperto, e seu maior companheiro. Tudo aconteceu sem planejar, sem a ansiedade que tinha anteriormente em querer que a maternidade se tornasse realidade.

    Mas, Simone lembra que “nem tudo são flores”. A maternidade foi para ela a realização de um sonho, mas em alguns aspectos também frustrante, pois teve que mudar sua rotina, suas prioridades e lidar com muita coisa sozinha. Sem estar junto do pai de Ângelo, Simone é quem cria o filho, desde que nasceu, e lida com todas as demandas do dia a dia, como conciliar o seu trabalho e questões pessoais, com a creche, a escolinha e as atividades do menino. “É puxado, difícil, talvez muito por eu estar sozinha, mas ao mesmo tempo é maravilhoso. Ver meu filho me trazendo uma flor, acompanhar o seu crescimento e as suas descobertas. O Ângelo é meu companheiro para tudo, ele me salva muitas vezes”, enaltece.

    A paixão pelo Grêmio e o lazer

    Por muitas pessoas, Simone também é conhecida pela sua paixão pelo tricolor gaúcho. Algo que também despertou na infância, por incentivo do pai e do irmão mais velho. Na adolescência, por volta de 1995, o Grêmio estava em uma fase muito boa, com um time bom e ótimas conquistas, o que fortaleceu o vínculo. Hoje essa paixão é repassada, de forma muito natural, para o filho Ângelo, que com quatro anos de idade já acompanhou a mãe em vários jogos na Arena, além dos que são acompanhados pela televisão.

    Muito além da policial, da gremista e mãe do Ângelo, Simone se define como uma mulher simples, que gosta das tarefas básicas do dia a dia, como cuidar da casa e do pátio. Também é vaidosa, gosta de estar bem-vestida, e sempre que o momento pede, enaltece a beleza com uma maquiagem bem-feita. Sempre muito ativa, Simone é praticante de vôlei, Beach Tennis, faz pilates e vai na academia, e desde a chegada do filho, a bicicleta já está adaptada para as voltas com ele pelo bairro onde mora. De mulher para mulher, alusivo ao Dia Internacional da Mulher comemorado no domingo, 08 de março, Simone cita uma frase muito conhecida, e que se aplica bem a sua vida: “Lugar de mulher, é onde ela quiser. Eu nunca me senti invadida, pois sempre cortei e impus limites quando precisei. A mulher tem que se impor, todos os dias passamos por situações que não gostaríamos, mas é nossa atitude que faz a diferença. Também sou guiada pela fé, e peço a proteção diária de Deus para minha vida”.

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