Uma trajetória de vida marcada pela dedicação profissional
Iporã do Oeste – Nívio Borges Ribeiro, mais conhecido como Borjão, nasceu na cidade de Lagoa Vermelha, Rio Grande do Sul. Veio com os pais para Santa Catarina, em 1955, aos 04 anos de idade. A família havia comprado área de terra na região de Cambucica e Consoladora, atual território do município de Riqueza, mas que na época pertencia a Mondaí. A terra foi comprada da antiga colonizadora Territorial Sul Brasil.
Aos 09 anos de idade Borjão foi para o seminário em Maravilha, mas por problemas de saúde precisou retornar para casa. Mais tarde voltou para o seminário, desta vez na cidade de Passo Fundo. Em função da revolução de 1964, os padres dispensaram os seminaristas, e mais uma vez Borjão teve que retornar para a propriedade da família. A partir de então, até o ano de 1969, trabalhou na agricultura com os pais, no plantio de feijão, milho e fumo. Recorda que na época os preços agrícolas eram muito bons, e o valor arrecadado em duas safras, era o suficiente para a compra de uma colônia de terra.
Como tinha o desejo de estudar, e por considerar o trabalho no campo muito sofrido, em uma época sem tecnologias e maquinários, Borjão foi a Mondaí estudar. E foi nesta cidade que teve as suas primeiras experiências de trabalho, além da agricultura. Uma das primeiras profissões que exerceu foi a de cobrador de ônibus, percorrendo a região onde os pais moravam.

Em 1973, quando o antigo Departamento de Correios e Telégrafos passou para Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos, Borjão foi indicado para trabalhar no local, pelo então chefe dos Correios de Mondaí, Nilson Wilhelms. Para isso, realizou quatro meses de curso em Porto Alegre. Não era necessário realizar concurso, pois somente a indicação bastava para assumir o cargo. O ingresso nos Correios foi em 1974, ano em que também se casou com Teresinha Ribeiro, mais conhecida como Nena.
Nos oito anos em que trabalhou na empresa, Borjão contestava algumas formas de trabalho, sempre prezando pelo bom atendimento as pessoas. Cita que um dos serviços que realizava, e que por ordens dos superiores teve que parar de fazer, era escrever as cartas para pessoas mais humildes que procuravam os Correios, e queriam mandar a correspondência para seus familiares. Entre as mensagens que muitas pessoas pediam para transmitir pelas cartas, estavam fatos simples do dia a dia, como avisar os familiares de que “o porco estava gordo”, recorda Borjão.
Cerca de um ano depois de ter se desligado dos Correios, Borjão passou a trabalhar no Cartório de Registro Civil, onde funcionava também o Tabelionato e o Cartório de Protesto, a convite do então proprietário Edgar Eckert. Entre as funções que exerceu nestes dois anos, estava a transcrição dos livros, devido a bonita caligrafia que tinha. Enquanto desempenhava a função no cartório, teve a oportunidade de realizar o concurso para trabalhar no antigo Besc, Banco do Estado de Santa Catarina. Foi aprovado, mas no período de cerca de seis meses que demorou para ser chamado a assumir o cargo no banco, continuou no cartório.
Borjão ingressou no Besc desempenhando a função de escriturário, e atuava também no setor de cobranças. Em 1990, logo após a emancipação de Iporã do Oeste, houve a necessidade de aumentar o quadro de funcionários do então recém-criado Besc no município, e Borjão recebeu proposta para assumir o cargo de caixa, além do setor de crédito rural. Para isso, se mudou com a esposa Teresinha e as filhas Jaqueline e Jussara para Iporã do Oeste, onde se aposentou no banco em 2002.
No ano de 1991 Borjão assumiu mais uma grande responsabilidade em sua vida profissional. O Juiz de Paz titular, Afonso Staudt, estava em tratamento de saúde, e pelas suas frequentes ausências para se tratar em Florianópolis, era necessário definir um juiz substituto. Para esta função, considerando as experiências profissionais que já possuía, o juiz da comarca de Mondaí indicou Nívio Borges Ribeiro. Como Juiz de Paz substituto, assumiu em 14 de agosto de 1991. No ano seguinte o juiz titular faleceu, e em 1993 Borjão foi nomeado como Juiz de Paz titular, sendo a partir de então o serventuário da Justiça.
Por um período, o cargo de juiz desempenhou junto com as atribuições no Besc, e após a aposentadoria, passou a se dedicar de forma exclusiva a função no judiciário. Inclusive, por certo período, possuía em Iporã do Oeste um escritório para atendimento presencial as pessoas que o procuravam, principalmente para mediações e reconciliações familiares e de trabalho, tudo com poder jurídico. Como Juiz de Paz assinava inclusive as rescisões de contrato, e com a implantação do Juizado de Pequenas Causas no Fórum de Mondaí, esse atendimento foi alterado. Atualmente Borjão continua na função de Juiz de Paz, cargo ao qual já se dedica há mais de 30 anos, mas o trabalho é restrito a execução de casamentos realizados no cartório.
Aos 75 anos de idade, Borjão carrega muito mais do que as várias experiências e responsabilidades profissionais que assumiu ao longo de sua vida. Marido da Teresinha, popular Nena, pai da Jaqueline (em memória) e da Jussara, avô do Guilherme Barp e bisavô do pequeno Breno Barp, Nívio Borges Ribeiro, junto com a esposa, sempre foram muitos ativos na comunidade com o trabalho voluntário. Ele foi o primeiro presidente do Grupo Escoteiro Tupã, quando da sua criação em 1993, e Nena foi chefe escoteira por 16 anos. A esposa também contribui há anos com o trabalho voluntário na igreja, a exemplo de sua atuação nas pastorais da Saúde e da Criança. Borjão concilia a função de Juiz de Paz com o cargo de vendedor, e sempre que possível, ele e a esposa gostam de viajar para visitar a filha e os familiares.
O apelido carinhoso que recebeu, ainda na infância, se deve pelo fato de sempre ter sido torcedor do Internacional. Na década de 1970, o Colorado tinha um jogador chamado de Borjão, e apesar de não ser titular no time, quando entrava no jogo, tinha bom desempenho. Nívio na época jogava no Ipanema, de Mondaí, e da mesma forma, era reserva do time. Em um dos jogos se destacou, e o treinador o comparou ao Borjão do Colorado, e foi nesse momento que o apelido “pegou” para o resto da vida.

