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    Aos 74 anos, dona Inês descobriu na corrida uma nova paixão e mostrou que nunca é tarde para começar

    Dona Inês ao lado da filha Isolde, e a neta Nádia que incentivou na corrida

    Jocelâyne Bauer

    Mondaí – O que começou por acaso se transformou em uma das experiências mais emocionantes da vida de Inês Olívia da Costa, moradora da Linha Antas. Aos 74 anos, ela participou de sua primeira corrida em 2025, completou os cinco quilômetros em 43 minutos e conquistou o primeiro lugar em sua categoria. Mais do que uma medalha, levou para casa uma nova motivação, mais qualidade de vida e a certeza de que a idade nunca é um obstáculo para quem decide se desafiar.

    A oportunidade surgiu de maneira inesperada. A neta, Tainá, e o marido haviam se inscrito em uma prova, mas ganharam em um sorteio o valor da corrida, e sobrou as vagas que tinham sido pagas, sem querer perder a inscrição, a filha de dona Inês, Isolde da Costa, lançou a ideia: — “Vamos nós correr?” E a resposta veio sem pensar duas vezes: — “Vamos.”

    Assim começou uma rotina de treinamentos simples, realizados principalmente nas estradas da comunidade, em meio às pedras e subidas do interior. O objetivo inicial era apenas participar. Mas o resultado foi muito além das expectativas. Ao completar os cinco quilômetros, dona Inês viveu um momento que guarda com carinho. “Foi muito emocionante. Todos me aplaudiam por causa da minha idade. Eu pensava que eram as pessoas daqui, mas eram corredores de outros municípios. Eles batiam tanta palma, tanta palma. Foi muito gratificante”, recorda. Ela diz que cruzar a linha de chegada foi uma sensação indescritível. “Foi muito emocionante. Eu não esperava aquilo.”

    Além da medalha e do primeiro lugar em sua categoria, a experiência proporcionou uma transformação física e emocional. “Melhorou tudo. O estresse, a auto estima, os nervos. É muito bom. Faz muito bem para a gente”, afirma. Animada com a experiência, dona Inês seguiu treinando, a expectativa era participar novamente da mesma prova esse ano, uma corrida promovida pela Acmosc, ocorrida no dia 31 de maio. Porém, durante um treino realizado em uma estrada do interior, sofreu uma queda ao tropeçar em uma pedra, poucos dias antes da corrida.

    Ela havia percorrido cerca de quatro quilômetros quando caiu e deslocou o ombro. A dor foi intensa e, inicialmente, havia suspeita de fratura. Após atendimento médico, o ombro foi recolocado e ela iniciou a recuperação. Mesmo machucada e ainda debilitada, não quis ficar longe do evento em que pretendia competir novamente. Sem condições de correr, participou da caminhada de três quilômetros e recebeu medalha de participação. “Eu estava muito fraca. Mas fui. Não queria deixar de participar.”

    Nem o acidente diminuiu a vontade de continuar praticando atividade física. Dona Inês garante que o braço lesionado não tira seu entusiasmo.  “O braço está ruim, mas as pernas não. Eu não tenho medo de caminhar.” Ela acredita que conseguiria percorrer distâncias ainda maiores e revela que já pensava em aumentar gradativamente seus treinos. “Na verdade, corremos bastante, nem sempre medimos quanto, mas acredito que tem dias que faço seis quilômetros, outro dia sete”. A corredora também destaca o incentivo da família. A filha Isolde, a neta Érica Saúgo, além do companheiro dela, Luan, compartilham a paixão pelas corridas. Já a neta Tainá, que mora em Erechim, foi uma das grandes incentivadoras para que a avó aceitasse o desafio pela primeira vez.

    Acostumada durante a vida ao trabalho no campo e à produção de queijos, dona Inês encontrou na corrida um novo propósito. E faz questão de mostrar que nunca é tarde para descobrir novos sonhos. Aos 74 anos, ela continua surpreendendo. E, apesar do susto recente, já deixa claro que pretende continuar caminhando e, quando estiver totalmente recuperada, voltar a correr. “É muito gratificante. Melhorou tudo na minha vida. A idade não impede a gente de fazer aquilo que gosta.”

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