Com dois Compost Barn, as vacas são divididas em lotes conforme a produção
A atividade leiteira iniciou há cerca de 24 anos pelo casal Marilei e Mateus Biesdorf, da Linha Quilombo. Tudo começou com apenas uma vaca, e gradativamente, o plantel aumentou, assim como também foi com a quantidade de leite produzido. Da mesma forma a mão de obra ganhou o reforço dos filhos Marlise e Marcos, que hoje auxiliam os pais nas demandas da propriedade.
Lá no início, há mais de duas décadas, junto com a produção de leite o casal mantinha também a atividade de suinocultura, no ciclo completo, e ainda a criação de frangos. No manejo dos suínos a responsabilidade era do seu Blásio, pai de Mateus. Ao longo dos anos, a suinocultura deixou de ser viável, pois a exigência da empresa era migrar para apenas um sistema, não mais o ciclo completo, e também cobrava investimentos estruturais. Assim, a atividade com os suínos foi encerrada por volta do ano 2009.
A família manteve a criação de frangos, junto com a produção de leite. A avicultura até recebeu investimentos, com a ampliação das estruturas, que tinha capacidade para 30 mil frangos. Mas assim como foi com os suínos, a criação de frangos se inviabilizou pelas exigências de novas ampliações, e em novembro de 2025 foi feito o último lote. A desistência desta atividade também se deu pelo fato de que a empresa não permitia a entrada dos filhos menores nos aviários, o que desmotivou tanto eles como os pais, que buscavam incentivar desde cedo o gosto pelo trabalho.
O leite, que por muitos anos foi a base da renda mensal da família, se manteve e com o encerramento da avicultura, recebeu investimentos na ampliação do plantel e na estrutura física. Foram compradas mais cinco novilhas para a reposição gradativa do plantel. E para otimizar a estrutura disponível, o galpão que alojava os frangos, passou a ser utilizado para as vacas e também para o armazenamento de grão úmido usado no trato dos animais.
Até 2019 a produção de leite era a base de pasto, e a partir de então, com a construção do galpão de Compost Barn, as vacas passaram a ficar confinadas. Com o reaproveitamento do antigo aviário, a família fez a divisão dos animais em dois lotes. No primeiro Compost fica o lote um, com vacas que possuem uma produção de leite maior, e no segundo Compost ficam as vacas que produzem menos. Essa divisão é feita porque de um lote para outro muda o manejo e o trato, considerando principalmente a produção por animal.
A partir do confinamento das vacas, os produtores relatam um aumento expressivo da produção. De 17 litros, a média de leite por dia passou para 28 a 30 litros por vaca. O plantel atualmente é de 33 vacas, das raças holandesa e Jersey, mas no total são mais de 70, contando também as novilhas e os bezerros do gado de corte.
Para os pais, Marilei e Mateus, o fato dos dois filhos estarem em casa hoje auxiliando nas atividades é um fator que também motivou a ampliação da atividade leiteira. A expectativa deles é que a sucessão familiar aconteça, pois a propriedade está estruturada. Ainda sobre o momento da atividade, os produtores avaliam que após meses de perdas consecutivas que chegaram a uma queda de R$ 1,60 por litro, no momento o preço é considerado bom, o que impulsiona e anima para novos investimentos.


