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    Família Baumgratz sofre perda histórica após vento derrubar cerca de 70% da produção de laranjas e cítricos

    Jocelâyne Bauer

    Mondaí – Reconhecidos na região pela tradição na produção de laranjas e outras frutas cítricas, Edgar e Eunice Baumgratz, produtores rurais da comunidade de Antas, interior do município, convivem agora com aquele que classificam como o maior prejuízo em mais de 40 anos de atividade.

    Na semana passada, um forte vento atingiu uma área com cerca de 20 hectares destinados ao cultivo de cítricos e derrubou aproximadamente 70% das frutas que ainda estavam nos pés, justamente em um momento decisivo da safra.

    O casal jamais havia presenciado uma situação semelhante. “Em mais de quarenta anos trabalhando com isso, nunca tivemos um prejuízo desse tamanho”, lamenta a família. A frustração é ainda maior porque 2026 caminhava para ser um dos melhores anos da história da propriedade. No ano passado, a família colheu aproximadamente 200 mil quilos de frutas. Para esta temporada, a expectativa era superar 300 mil quilos, resultado de um pomar carregado e de condições que, até então, eram consideradas excelentes.

    Uma parte, cerca de 10%, já havia sido colhido, mas a grande parte da produção ainda permanecia nas árvores, aguardando o ponto ideal de colheita. As variedades mais tardias, destinadas principalmente à indústria de sucos, precisavam permanecer mais algumas semanas nos pés para atingir a maturação adequada e reduzir a acidez natural da fruta, e aumentar a doçura. Porém, o vento interrompeu completamente esse ciclo. Embora visualmente aparentem estar maduras, as frutas ainda não possuem as características exigidas pela indústria, impossibilitando seu aproveitamento comercial, mesmo se fossem colhidas, não se tem comércio para elas.

    Segundo a família, a cena de tantas laranjas caídas impressiona quem visita a propriedade. Em diversos pontos, praticamente não é possível caminhar entre as árvores devido à enorme quantidade de frutas espalhadas pelo solo. Os produtores estimam que o prejuízo ultrapassa 100 mil quilos de frutas.  E a perda não se restringe apenas às laranjas. Também foram severamente atingidas as plantações de pokan e outras variedades cítricas cultivadas na propriedade. Ao todo, são cerca de 10 mil pés de frutas. Além da citricultura, os Baumgratz cultivam morangos e uvas. Ainda assim, a produção de laranjas sempre foi o carro-chefe da propriedade e responsável pela maior parte da receita anual.

    Se o fenômeno climático já seria suficiente para provocar preocupação, outro fator agrava ainda mais a situação: o mercado vive um momento de preços baixos. Enquanto no ano passado a fruta destinada à indústria era comercializada por aproximadamente R$ 500 a tonelada, neste ano o valor caiu para cerca de R$ 300 por tonelada, redução de aproximadamente 40%. Além do preço inferior, a família ainda precisa arcar com os custos da colheita e do transporte.

    As frutas destinadas ao processamento precisam ser levadas até Maravilha. Apenas a colheita terceirizada custa cerca de R$ 250 por tonelada, restando uma margem praticamente inexistente para o produtor após descontadas todas as despesas logísticas. “Do jeito que está, praticamente não sobra nada”, resume a família. Outro aspecto que amplia a preocupação é a ausência de cobertura contra perdas climáticas. Os Baumgratz nunca contrataram seguro agrícola para a produção e também não possuem financiamentos vinculados a programas governamentais que possam facilitar o acesso a algum tipo de auxílio emergencial. Durante toda a trajetória na agricultura, a família construiu sua atividade com recursos próprios.

    Durante décadas, Edgar e Eunice acompanharam o crescimento do pomar, enfrentaram períodos de seca, excesso de chuva, oscilações de mercado e diversas dificuldades naturais da atividade agrícola. Ainda assim, nunca haviam enfrentado uma perda tão significativa provocada por um único fenômeno climático.  A expectativa era de que a colheita se estendesse até o fim do ano, abastecendo tanto o mercado in natura quanto a indústria de sucos. Agora, o planejamento precisará ser completamente refeito.

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