Jocelâyne Bauer
Mondaí – Há histórias que emocionam não apenas pelo desfecho feliz, mas pelo caminho percorrido até ele. Em Mondaí, Jacinto Winter, de 74 anos, e sua esposa, Norma Winter, que completa 70 anos em novembro, são protagonistas de uma dessas histórias. Casados há décadas, eles enfrentaram juntos um dos maiores desafios de suas vidas: abandonar o vício do cigarro e da bebida alcoólica, hábitos que fizeram parte da rotina do casal por cerca de quarenta anos.
Hoje, passados mais de 15 anos desde a decisão que mudou completamente suas vidas, Jacinto e Norma olham para trás com gratidão, orgulho e a certeza de que foi o companheirismo que os manteve firmes durante o processo. A experiência deles se tornou um verdadeiro exemplo de perseverança e demonstra que, quando existe vontade de mudar e apoio da família, é possível recomeçar.
Assim como acontecia com muitos jovens da época, o cigarro entrou cedo na vida de Jacinto. Ele conta que começou a fumar por volta dos 18 anos, quando o hábito era visto como algo comum e até socialmente aceito. Quando conheceu Norma, ela ainda não fumava, mas acabou adquirindo o costume ao longo do relacionamento.
Com o passar dos anos, além do cigarro, a bebida alcoólica também passou a fazer parte da rotina do casal. Jacinto trabalhava no antigo Banco do Estado de Santa Catarina (BESC), onde permaneceu durante 22 anos. Durante a semana mantinha uma rotina disciplinada, mas, quando chegava a sexta-feira, os encontros, festas e confraternizações se transformavam em dias de consumo intenso de álcool e cigarro.
A situação se agravava nos finais de semana. Em casa, o casal chegava a consumir quatro caixas de cerveja por mês, além das bebidas ingeridas em festas e eventos. Ambos fumavam dentro de casa, sem imaginar os impactos que aquele ambiente poderia causar aos filhos, Leandro e Samuel, ainda pequenos. “Hoje, uma das coisas que mais me dói é lembrar que fumávamos dentro de casa, perto deles. Graças a Deus nenhum dos dois seguiu esse caminho”, recorda Norma.
A percepção de que o cigarro já estava prejudicando a saúde foi o primeiro sinal de que era hora de mudar. O casal decidiu enfrentar o desafio junto. Norma procurou ajuda médica para vencer a dependência da nicotina. Mesmo ouvindo de um profissional que seria mais difícil uma mulher abandonar o cigarro do que um homem, ela não desistiu. Recebeu medicação para auxiliar no processo e começou a reduzir o consumo até conseguir abandonar definitivamente o vício, ela conta que tomou a medicação por quatro dias para controlar a ansiedade, e logo depois ganhou nojo do cigarro, e parou completamente, com a medicação e com o cigarro. “Se a pessoa realmente quer parar, ela consegue. Mas é importante buscar ajuda. Sozinho é muito mais difícil”, afirma.
Jacinto também deixou o cigarro, mas percebeu que, ao abandonar um vício, acabou intensificando outro. A vontade de fumar foi substituída pelo aumento no consumo de bebida alcoólica. A mudança definitiva aconteceu quando o alcoolismo começou a preocupar toda a família. Jacinto lembra que foi o próprio filho quem teve coragem de fazer um alerta que mudaria sua vida. O jovem revelou que já não suportava mais ver o pai daquela maneira e cogitava interná-lo para tratamento. Aquelas palavras tocaram profundamente Jacinto. “Naquele momento eu disse: não, eu vou parar. Eu não vou deixar isso acontecer.”
Determinando-se a mudar, procurou ajuda médica. Recebeu medicação para controlar e, após cerca de duas semanas, decidiu que não precisava mais do remédio. A partir dali, nunca mais voltou a beber. Segundo ele, a verdadeira transformação aconteceu porque a decisão partiu de dentro. “Se a pessoa não quiser parar, não adianta internar, fazer tratamento ou qualquer outra coisa. Ela precisa querer.”
Além do incentivo da esposa e dos filhos, Jacinto encontrou apoio na fé. Ouviu falar de um santo que iria ajudar no vício, e se tornou devoto de Santo Onofre, conhecido popularmente como protetor daqueles que desejam abandonar o vício da bebida, ele conta que rezava diariamente pedindo força para vencer aquela batalha. Para ele, a oração foi um importante complemento à sua determinação. Sempre que encontra alguém enfrentando o mesmo problema, faz questão de compartilhar sua experiência e recomendar que a pessoa nunca perca a esperança.
Os resultados da mudança apareceram rapidamente. Sem o cigarro e a bebida, Jacinto e Norma passaram a ter mais disposição, melhor qualidade de vida e uma convivência familiar muito mais tranquila. Se antes os filhos sofriam ao ver os pais presos aos vícios, hoje acompanham com orgulho a transformação vivida por eles.
O casal também destaca que o relacionamento se fortaleceu ainda mais. Afinal, foram justamente o apoio mútuo, a parceria e o compromisso assumido um com o outro que fizeram toda a diferença. “Se nós conseguimos, foi porque caminhamos juntos”, resume Jacinto.
Mesmo depois de mais de 15 anos, Jacinto admite que, em alguns momentos, ainda sente vontade de beber uma cerveja. Mas aprendeu a controlar esse desejo e, quando isso acontece, opta pela versão sem álcool. Já Norma conta que hoje o cheiro do cigarro lhe causa repulsa, algo inimaginável para quem fumou durante tantos anos.
Para ambos, abandonar os vícios foi a melhor decisão que poderiam ter tomado. “Hoje nossa vida mudou completamente. Valeu a pena cada esforço.”
Ao compartilhar sua trajetória, Jacinto e Norma esperam que outras pessoas encontrem coragem para iniciar o mesmo caminho. Eles sabem que vencer uma dependência não é fácil. Exige persistência, apoio da família, ajuda profissional quando necessário e, acima de tudo, uma decisão sincera de mudar.
Jacinto e Norma, destacam que mesmo depois de cerca de 40 anos convivendo com o cigarro e a bebida, eles provaram que o amor, a parceria e a força de vontade podem ser mais fortes do que qualquer vício. Hoje, vivem uma rotina marcada pela tranquilidade, pela saúde e pela alegria de poder olhar para trás e perceber que a melhor escolha que fizeram foi escolher a vida.

