Jocelâyne Bauer
A Câmara de Vereadores de Riqueza promoveu, na quinta-feira, 27, uma palestra alusiva à campanha Agosto Lilás, iniciativa voltada à conscientização, prevenção e enfrentamento da violência contra as mulheres. O encontro contou com a participação da Tenente-Coronel da Polícia Militar Naíma Huk Amarante, que abordou o tema “A cultura e as raízes da violência contra as mulheres”.
Com uma abordagem marcada por relatos pessoais, reflexões e experiências vivenciadas ao longo de sua trajetória, Naíma conduziu o público por uma discussão sobre como a violência contra a mulher não surge de forma isolada, mas está relacionada a padrões culturais, comportamentos aprendidos e situações que podem se perpetuar dentro das famílias e das comunidades.

Os momentos de maior impacto da palestra foi quando Naíma compartilhou episódios de sua própria vida. Ela contou que sofreu violência doméstica durante anos e que, mesmo tendo ingressado na Polícia Militar e conquistado formação acadêmica, precisou enfrentar marcas deixadas por uma relação tóxica e por experiências vividas ainda na infância.
Segundo ela, cultura, educação e experiências vividas durante a infância podem permanecer registradas e influenciar comportamentos na vida adulta. Ao longo da palestra, Naíma relatou situações de violência física, psicológica e sexual vivenciadas durante a infância, mostrando como um ambiente familiar marcado por agressões pode interferir profundamente no desenvolvimento de uma criança. Ela contou que cresceu em uma família onde o pai apresentava comportamentos violentos e controladores, inclusive determinando que a mãe não trabalhasse fora de casa e que permanecesse dedicada exclusivamente aos filhos e às tarefas domésticas.
Os relatos também mostraram como a violência pode ser naturalizada dentro de uma família. Na infância, Naíma e suas irmãs eram submetidas a agressões físicas e aprendiam a permanecer em silêncio para evitar novos episódios de violência. Outro ponto abordado foi a violência sexual sofrida por Naíma quando criança. O relato evidenciou como o medo, a ameaça e a manipulação podem fazer com que uma vítima permaneça em silêncio durante anos. A palestrante explicou ainda que, diante de situações extremamente traumáticas, o cérebro pode criar mecanismos de proteção, fazendo com que determinadas lembranças sejam bloqueadas. Ela relacionou essa experiência à necessidade de compreender o comportamento das vítimas e evitar julgamentos. Em outro momento da palestra, Naíma destacou o papel da escola e das pessoas que fazem parte da convivência das crianças.
“A cultura, a educação e as experiências vividas durante a infância podem permanecer registradas e influenciar comportamentos na vida adulta”

