Doutor Luiz relata trajetória na saúde pública de Iporã do Oeste
Apesar de ter nascido e crescido na cidade de Rosário do Sul, no Rio Grande do Sul, foi em Iporã do Oeste, município do Extremo Oeste Catarinense, que o doutor Luiz Carlos Vargas Barbosa fixou raízes, constituiu família e consolidou sua carreira como médico. Uma trajetória marcada pelo cuidado ao próximo, a vivência da evolução na medicina e do envolvimento na comunidade local. Neste mês de outubro, em que é comemorado o Dia do Médico, no dia 18, contamos a história do médico que em setembro de 2026 completou 41 anos atuando na área, carreira que iniciou e permanece em Iporã do Oeste.
A decisão de fazer medicina veio muito por influência dos familiares. A mãe de Luiz era muito adepta ao uso de chás, e seu avô, mesmo sem formação, fazia atendimentos na comunidade auxiliando quem estava com problemas. Durante cinco anos, Luiz serviu ao Exército em Porto Alegre, e na sequência iniciou o curso de medicina em Santa Maria, se formando após seis anos. No Exército conquistou o cargo de oficial segundo tenente, salário bom na época que foi muito importante para bancar o curso de medicina, que mesmo sendo realizado em uma Universidade Federal, tinha despesas para manter.
Depois de formado, em 1985 Luiz veio para Iporã do Oeste, a convite do também médico Júlio Lasta que já trabalhava no hospital do município, na época ainda distrito de Mondaí. Até então, Júlio era o único médico da cidade, e precisava de reforços. Luiz já havia substituído Júlio em outras oportunidades, então os dois profissionais já se conheciam. A parceria dos dois médicos durou muitos anos, sendo que além do serviço público, estruturaram a clínica que até hoje presta atendimentos particulares. De forma paralela, doutor Luiz trouxe o primeiro aparelho de ultrassom para o município, e fazia os exames no hospital e na clínica.
Em uma época com poucos profissionais, doutor Luiz recorda que no início intercalava os atendimentos com doutor Júlio. Os dois não podiam sair juntos, pois eram os únicos médicos da cidade. Além dos atendimentos no posto de saúde, hospital e clínica, ainda se revezavam no atendimento de plantão. Como na época não havia telefone ou meios práticos de comunicação, doutor Luiz conta que quando estava de sobreaviso em casa, caso saísse precisava informar os profissionais do hospital para que eles soubessem onde lhe procurar se houvesse uma emergência. Com poucos médicos, fazia todos os atendimentos, desde partos, consultas, cirurgias, anestesias e a assistência tanto ao paciente como ao acompanhante. “É como diz o ditado popular, tem que bater o escanteio, fazer o gol e comemorar. No parto, precisava anestesiar a mãe, fazer o procedimento, e depois cuidar da mãe e do bebê. Isso as vezes de madrugada e sozinho”. Conta também que quando um paciente precisava ser encaminhado para hospital maior, como de Chapecó, o médico acompanhava a viagem feita em uma ambulância antiga, chamada de Caravan, um veículo pequeno e de pouco conforto.
Nos 41 anos como médico, doutor Luiz se especializou em medicina do trabalho, e realizou ao longo desse tempo capacitações para trabalhar com aparelhos como ultrassom, acompanhando a evolução dos equipamentos. Aos 73 anos, doutor Luiz mantém uma rotina diária de atendimentos no Centro de Saúde, e após o expediente, todos os dias atende na clínica com consultas e ultrassom e ainda faz os laudos a noite em casa. “Enquanto tiver saúde, ‘vou tocando’. Por 35 anos atendi no plantão a noite e de madrugada. Esse serviço hoje deixo para os mais jovens”. Doutor Luiz avalia que atualmente a disponibilidade de mais médicos é um fator muito positivo, pois ao longo dos anos a demanda também aumentou significativamente.
Fora do trabalho, doutor Luiz sempre gostou de jogar futebol, atividade que manteve até por volta dos 65 anos. Hoje em dia é adepto a bicicleta e as caminhadas. Pai de cinco filhos, e avo de três netos, a família é uma base forte do médico, com a qual busca sempre compartilhar bons momentos e também conhecimentos, sendo que duas filhas seguiram a mesma profissão. Na gestão de 2005 a 2008, também foi vereador, inclusive entre os que mais recebeu votos na eleição, e no mandato seguinte ficou como suplente. Comenta que sempre gostou desse envolvimento com a comunidade, mas devido a rotina corrida como médico, não consegue dedicar mais tempo a isso.
Mesmo com o avanço da medicina, dos equipamentos e das especialidades, uma recomendação que doutor Luiz sempre faz aos seus pacientes é que tenham fé e pratiquem exercícios físicos, pois defende que são fatores que contribuem muito com a saúde. “Deixo um abraço fraternal a todos os munícipes. Sou natural do Rio Grande, mas me sinto Iporãoestino, pois moro mais tempo aqui, do que na minha terra natal. Até tive oportunidade de assumir cargos em outra cidade, mas decidi permanecer aqui. Gosto de Iporã e do seu povo. Inclusive, nesses 41 anos, acompanhei muitas gerações. Atendi os pais e hoje atendo seus netos. Isso é gratificante”, finaliza doutor Luiz.





