Jubileu da irmã foi comemorado na Paróquia São João Berchmans com familiares e amigos
De 08 a 11 de outubro a Paróquia São João Berchmans realizou o tríduo de preparação e a missa do jubilei da irmã Rosa Kunz, 87 anos, da Congregação das Irmãs da Divina Providência. A missa foi no domingo, 11, e nos três dias antes teve o tríduo com orações. Em São João do Oeste irmã Rosa possui residindo os irmãos Tarcísio Kunz e Rufina Muller, e em Tunápolis a irmã Olga, além de outros familiares.
Irmã Rosa recebeu a reportagem do jornal na casa de sua irmã Rufina, na Linha Cristo Rei, onde conversamos com ela para além de conhecer as suas origens, também conhecer a sua trajetória na vida religiosa. Ela nasceu na Linha Popi, Itapiranga, sendo de uma família de nove irmãos. Já desde muito nova, Rosa sentia que tinha vocação para ajudar outras pessoas, gostava de servir e se sentir útil para alguém. Também queria uma vida diferente da que muitas pessoas que conhecia tinham, pois considerava que cada um tinha uma vida para si, e ela queria expandir o seu propósito para outros.
Rosa manifestou o seu interesse de frequentar o juvenato no hospital Sagrada Família de Itapiranga, mas por ainda ser muito nova, na época com 14 anos, seu pai não autorizou. Quando precisou de atendimento no hospital, após ter sido picada por uma cobra, Rosa ficou encantada com a prestatividade, o cuidado, o carinho e a atenção da irmã Imelda, que se dedicava aos pacientes internados. Para ela a irmã foi uma inspiração, e Rosa queria se doar, ajudar a aliviar a dor e o sofrimento dos doentes, assim como viu a religiosa fazendo no hospital.
Apesar do pedido da irmã Imelda para que Rosa viesse buscar a formação religiosa, seu pai afirmou que não deixaria a filha sair de casa antes que completasse 18 anos. Ao longo dos anos, Rosa esperava ansiosa para chegar à maioridade, e assim obter a autorização dos pais para ir em busca dos estudos. Quando a idade chegou, pode enfim ingressar no juvenato, que era a primeira etapa de preparação e estudos para meninas que queriam se tornar irmãs. Ali permaneceu por dois anos, seguindo depois para o Colégio São Miguel de Arroio do Meio, Rio Grande do Sul. Rosa ingressou no colégio em janeiro de 1961, junto com um grupo de 26 meninas.
No Colégio São Miguel Rosa deu sequência à preparação para a vida religiosa, com um ano de postulado e depois o noviciado. Após dois anos ocorreu a transferência para Venâncio Aires, onde Rosa realizou na prática os atendimentos como religiosa, como se fosse um estágio para confirmar a vocação. No retorno ao colégio, ficou por mais oito semanas para a preparação dos primeiros votos, renovados em um ano.
Quando fez os votos, Irmã Rosa foi transferida para o hospital de Progresso, que na época era um distrito de Lajeado. Lá permaneceu por quatro anos, e após os votos perpétuos, aos 28 anos de idade, passou por várias cidades do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina, atuando por 40 anos no setor de enfermagem dos hospitais. Na região Oeste Catarinense trabalhou nos municípios de São Carlos, Guaraciaba, Pinhalzinho e no hospital de São José do Cedro, este último onde ficou por 11 anos e se aposentou aos 64 anos de idade. Continuou trabalhando ainda por dez anos.
Em fevereiro deste ano irmã Rosa voltou para Progresso, hoje município emancipado, onde atua no hospital de forma voluntária, dando assistência aos doentes. Afirma que é uma cidade onde se sente bem e gosta de morar. “O doente não precisa apenas de assistência técnica, mas também da assistência espiritual. Percebo como os doentes são agradecidos pelas conversas, brincadeiras, rezas, os desabafos que fazem, pois muitas vezes precisam de alguém que os escute e aconselhe”.
O jubilei, os 65 anos de vida religiosa comemorados no dia 11 de outubro, foi para a irmã Rosa um momento muito feliz e emocionante para recordar sua trajetória e também rever familiares. Ela conta que não tinha a ideia de fazer festa para comemorar a data, e a iniciativa foi de familiares que possui em São João do Oeste e localidades próximas.
Apesar do desejo presente em sua vida desde muito nova, em querer ajudar o próximo, ao longo da formação irmã Rosa teve dúvidas quanto a sua vocação, se era o que realmente estava designada a seguir. A certeza veio com o tempo, quando entendeu que todas as pessoas têm fragilidades, que cometem erros e que com fé tudo pode ser possível. Para jovens que querem seguir a vocação religiosa, assim como ela também já teve esse desejo, irmã Rosa comenta que é algo que se manifesta já na infância e que precisa ser incentivado e orientado. Para a religiosa, as pessoas devem olhar mais por quem está do seu lado, em ajudar o próximo, e não apenas agir por elas mesmas.


