A vida comunitária a base de trabalho e da dedicação a família
Silvério e Ilse Ruschel comemoram 63 anos de união
Em mais de oito décadas de vida, a trajetória do casal Ilse e Silvério Ruschel foi marcada por mudanças, muito trabalho e fé, sempre na busca por uma vida melhor para a família. Moradores de Iporã do Oeste desde a década de 1960, deixam um legado na comunidade e ainda hoje se mantém ativos nas atividades que iniciaram na época da colonização.
Ilse Winkelmann Ruschel, hoje aos 86 anos, nasceu em Santa Cruz, Rio Grande do Sul, e com cinco anos de idade veio com a família para Beato Roque, São João do Oeste. A atividade principal da família, que trouxeram do Rio Grande para Santa Catarina, era o cultivo de fumo.
Silvério José Ruschel, aos 83 anos, é natural de Linha Fortaleza, na época território de Itapiranga. Quando tinha 10 anos, sua família se mudou para Iporã do Oeste. Anos depois Silvério foi em busca de oportunidades de trabalho, tanto em Iporã do Oeste, em Sede Capela interior de Itapiranga, no Rio Grande, retornou para Itapiranga e depois São João do Oeste. Os anos de trabalho em ferrarias lhe possibilitaram a experiência para tempo depois abrir a sua própria empresa.
O relacionamento de Silvério e Ilse iniciou em uma festa de igreja, em São João do Oeste. Os dois já se conheciam por conta de Silvério trabalhar em São João, e Ilse era quem lavava as suas roupas. O casamento foi em 03 de junho de 1963, na igreja matriz de São João do Oeste. Tempo depois o pai de Ilse vendeu as terras em São João, e o casal se mudou com a família para a localidade de Padre Reus, em São José do Cedro, onde iniciaram uma ferraria. Cerca de um ano depois, por não terem gostado da cidade, veio a decisão de se mudarem novamente, e toda a família retornou a Beato Roque.
No interior de São João do Oeste ainda não havia energia elétrica, o que dificultava bastante o trabalho. Silvério foi em busca de uma nova área de terra na comunidade de São Lourenço, Iporã do Oeste. Com o negócio confirmado, em agosto de 1968 o casal se mudou para a comunidade, onde iniciaram a ferraria que até hoje está em funcionamento. Tudo começou de forma simples e com o trabalho do próprio casal. Silvério conta que a ferraria sempre tinha muito trabalho, e na época realizava vários serviços como fabricação de carroças, ferramentas diversas usadas no campo e consertos em geral.
Hoje a ferraria continua funcionando, no mesmo local na Linha São Lourenço, e quem dá continuidade aos trabalhos é um dos filhos do casal, o Julior. Silvério trabalhou no local até os 61 anos de idade. Por conta de problemas de saúde que teve, não pode mais realizar serviços pesados. No dia 11 de outubro de 2005, Silvério passou por uma grande provação em sua vida, quando em um único dia, teve 13 paradas cardiorrespiratórias. Uma data que jamais será esquecida. Ainda hoje, ele é muito grato aos médicos Julio Lasta e Leandro Giacomello, pelos atendimentos prestados que contribuíram para salvar sua vida.
Desde a infância, Silvério sempre foi muito prestativo na comunidade. Foi coroinha, era responsável por puxar o sino, abrir e fechar a igreja, foi presidente da associação de moradores de São Lourenço e vereador de 1995 a 2000. Também foi sócio fundador da Associação Coral de Iporã do Oeste, da qual foi várias vezes presidente. Em São Lourenço, Ilse trabalhou de forma voluntária na escola e fez o serviço de corte de cabelos e penteados por cerca de 25 anos, com o qual fidelizou muitos clientes e amigos.
Há cerca de 20 anos o casal reside na cidade, mas Silvério ainda auxilia com alguns serviços leves na ferraria, algo que gosta de fazer. Um fator que contribuiu muito para a melhora da sua saúde, é a prática diária de caminhadas. O casal também se mantém ativo com a participação no grupo de idosos. Silvério integra o coral de Iporã do Oeste, do qual é sócio fundador. E Ilse ainda realiza boa parte dos serviços da casa. O casal possui três filhos, Juliane, Gilmar e Julior, e são cinco netos e um bisneto. Olhando para o passado, e tudo o que enfrentaram, Silvério e Ilse tem orgulho dos desafios que superaram, e hoje vivem para aproveitar ao máximo todas as coisas boas que a terceira idade e a sabedoria que adquiriam ao longo dos anos lhe proporcionam.



