Iporã do Oeste – O setor leiteiro enfrenta uma das piores crises da atividade, com quedas consecutivas no preço pago pelo litro que já vem se estendendo por um ano. A situação se agrava com o alto custo de produção, em que apesar da redução no litro do leite, os insumos têm mantido ou elevado o custo. Para tentar reverter a situação, que prejudica e em muitos casos já inviabilizou a atividade dos produtores, as entidades sindicais têm reivindicado ações emergenciais por parte dos governos estadual e federal.
O presidente do Sindicato dos Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais de Iporã do Oeste, Dalvo Mayer, ressalta que a Federação dos Trabalhadores na Agricultura do Estado de Santa Catarina, Fetaesc, em parceria com os sindicatos, tem apresentado uma pauta de reivindicações para auxiliar os produtores, e vários encontros já foram realizados para debater a questão. Na região, a união de esforços tem sido da Microrregião Três Fronteiras, que compreende sindicatos de 13 municípios do Oeste Catarinense. O presidente da Microrregião, Vanderley Rutkoski, também presidente do Sindicato de Riqueza, tem participado diretamente das negociações com os governos e representado as entidades e produtores.
Dalvo enfatiza que no dia 25 de setembro de 2025, em São José do Cedro, representantes dos sindicatos e agricultores associados participaram de um seminário, em que foi apresentada e discutida a primeira pauta de reivindicações. O presidente afirma que se esperava resultados mais imediatos deste encontro, pois na época não se imaginava que a crise fosse se estender por tanto tempo, e continuar se agravando.
Entre as pautas apresentadas e atendidas, Dalvo cita a proibição na reidratação do leite em pó importado, com lei já aprovada e em vigor nos estados de Santa Catarina e Paraná, e tratativas avançadas também no Rio Grande do Sul. Este é dos fatores que deu início a crise, pois com a reidratação, um quilo de leite em pó é transformado em 12 a 19 litros de leite vendido nos mercados, prejudicando a venda da produção local. Além desta, o governo do Estado liberou linhas de crédito com juros subsidiados, em que o produtor pode financiar até R$ 30 mil a juro zero, com 12 meses de carência, ou R$ 50 mil em que o juro máximo é de 6%. Esse crédito pode ser acessado nas cooperativas, mediante a comprovação da atividade exercida.
O presidente do sindicato enfatiza que outras medidas cobradas são referentes a renegociação de dívidas dos produtores de leite, a implementação de políticas públicas permanentes de apoio ao setor leiteiro, maior valorização do leite produzido pela agricultura familiar, anistia do pagamento do programa troca-troca e terra boa e incentivo a exportação de produtos lácteos nacionais. Dalvo afirma que a situação preocupa a entidade, pois entre os cerca de 500 associados, uma boa parte é de produtores de leite, e entre estes, já há alguns que desistiram da atividade por não ser mais viável financeiramente. Com as negociações em andamento, e as reivindicações já atendidas, o presidente ressalta que a expectativa é que gradativamente o preço pago pelo litro melhore, sendo que no valor pago em fevereiro, referente a produção de janeiro, houve uma pequena melhora, que apesar de ser uma pequena reação, representa esperança aos produtores.

