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    Dentista de Iporã do Oeste integra equipe que realizou cirurgias faciais reparadoras em crianças e adultos na África

    NSC Total

    Entre os dias 30 de maio e 10 de junho, uma equipe formada por profissionais brasileiros participou de uma missão humanitária na província de Malanje, em Angola, realizando cirurgias de reconstrução facial gratuitas em pacientes que aguardavam há anos por atendimento especializado.

    Entre os integrantes da missão esteve o cirurgião bucomaxilofacial Genoir Maldaner, natural de Iporã do Oeste, onde possui seu consultório, e que atua na Forma Face Odontologia Avançada e integra a equipe de Cirurgia Bucomaxilofacial do Hospital Unimed Chapecó.

    A ação reuniu oito cirurgiões brasileiros e um bombeiro comunitário. Do grupo, quatro profissionais eram do Rio de Janeiro, três de Santa Catarina e um do Paraná. Durante pouco mais de dez dias de trabalho intenso, a equipe realizou aproximadamente 80 cirurgias que devolveram função, autoestima e qualidade de vida aos pacientes atendidos.

    Convite surgiu após participação em projeto social no Brasil

    Segundo Genoir Maldaner, a oportunidade de integrar a missão internacional surgiu após sua participação no Projeto Leozinho, iniciativa social realizada em Araranguá, no Sul de Santa Catarina, que oferece cirurgias gratuitas de reconstrução facial para pacientes vindos de diversas regiões do país. O projeto foi criado pelo cirurgião bucomaxilofacial Raulino Brasil e se tornou referência no atendimento de pessoas com deformidades faciais.

    Após participar da edição realizada em abril deste ano, Maldaner recebeu o convite para integrar a missão em Angola. “O convite surgiu por meio dessa experiência no Projeto Leozinho. Quando recebi a oportunidade de participar da missão, aceitei imediatamente. Poder utilizar nossa profissão para ajudar pessoas que realmente precisam é algo extremamente gratificante”, relata.

    Cirurgias devolveram funções básicas e esperança aos pacientes

    A maior parte dos atendimentos foi destinada a pacientes com fendas labiopalatinas, condição popularmente conhecida como lábio leporino. Muitos deles aguardavam há anos pela possibilidade de realizar a cirurgia corretiva.

    Os casos atendidos envolviam desde bebês com poucos meses de vida até adolescentes e adultos que nunca haviam conseguido acesso ao tratamento.

    Além disso, a equipe também realizou procedimentos em pacientes com sequelas causadas pela Noma, uma doença infecciosa agressiva que afeta principalmente populações em situação de vulnerabilidade social. A enfermidade destrói rapidamente tecidos da boca e da face, causando deformidades severas e comprometendo funções essenciais como alimentação, fala e respiração. “Estamos falando de pacientes que voltam a mastigar adequadamente, a falar melhor, a sorrir sem constrangimento e a conviver socialmente com mais confiança. O impacto dessas cirurgias vai muito além da aparência física. Elas transformam vidas inteiras e refletem diretamente no bem-estar das famílias”, explica o cirurgião.

    História de criança de 4 anos emocionou a equipe

    Em meio aos inúmeros atendimentos realizados durante a missão, uma situação marcou profundamente os profissionais brasileiros: uma criança de apenas 4 anos já estava preparada para entrar no centro cirúrgico quando a equipe recebeu a informação de que o pai não autorizaria o procedimento. Segundo Maldaner, a cirurgia representava uma oportunidade importante para melhorar significativamente a qualidade de vida da criança. “Foi um momento muito difícil para todos nós. A mãe desejava que a cirurgia fosse realizada e sabíamos o quanto aquilo poderia mudar a vida daquela criança. Ficamos bastante abalados” recorda.

    Apesar da situação, ele destaca que o sentimento predominante durante a missão foi de gratidão. “Ver o sorriso das famílias, o alívio após as cirurgias e a esperança renovada nos olhos dos pacientes foi algo indescritível. Foram momentos que nos emocionaram profundamente”.

    Operação exigiu logística complexa e apoio das autoridades locais

    Além dos desafios médicos, a missão exigiu meses de planejamento e organização. Como se tratava de uma iniciativa privada, a equipe precisou transportar do Brasil praticamente todos os materiais necessários para a realização das cirurgias.

    Entre os insumos levados estavam anestésicos, fios cirúrgicos, instrumentais, medicamentos, antibióticos, anti-inflamatórios, analgésicos e tubos endotraqueais utilizados durante os procedimentos anestésicos.

    Toda a documentação referente aos materiais foi enviada previamente ao Hospital Geral de Malanje e ao Governo Angolano, responsáveis pela autorização da entrada dos equipamentos no país. “Havia uma preocupação natural em relação à liberação de todos os materiais quando chegássemos a Luanda. Felizmente, tudo foi muito bem organizado pelas autoridades angolanas e não tivemos nenhum problema. O apoio local foi fundamental para o sucesso da missão”, afirma Maldaner.

    Outro desafio envolveu a burocracia necessária para a autorização de cirurgias de grande porte em território estrangeiro, processo que também contou com a colaboração das autoridades de saúde do país africano.

    Experiência mudou a forma de enxergar a vida

    Ao retornar ao Brasil, Genoir Maldaner trouxe na bagagem muito mais do que experiência profissional. Segundo ele, a convivência com pacientes e famílias que enfrentam dificuldades extremas proporcionou reflexões profundas sobre valores e prioridades. “Voltei para casa com o coração aliviado e extremamente agradecido. Passei a valorizar ainda mais aquilo que muitas vezes consideramos simples: nossa família, nossos amigos, nossa casa, os alimentos e a qualidade de vida que temos”.

    O cirurgião destaca que a missão reforçou a importância da solidariedade e do compromisso social da profissão. “Como experiência pessoal e profissional, foi algo inesquecível. Muitas coisas que julgamos importantes acabam perdendo significado quando nos deparamos com realidades tão diferentes. Ajudar pessoas é algo extraordinário e essa missão certamente ficará marcada para sempre na minha trajetória”.

    Para ele, o sentimento que fica após a missão é de dever cumprido e de gratidão pela oportunidade de utilizar o conhecimento técnico para devolver dignidade, autoestima e esperança a pessoas que tanto precisavam.

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