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    “O outro lado da crise”

    Joana Reichert
    Nilson com o filho Raul, que desde cedo acompanha a família nas rotinas da propriedade

    Produtor alia organização com redução de custos para vencer períodos de crise

    Ninguém sabe melhor que os próprios produtores que crises em qualquer atividade não são algo tão incomum no setor agrícola. Oscilação de preços, mudanças de mercado, influências da economia e da política estão entre os fatores que ditam as regras no valor que o produtor recebe por exemplo, pelo litro do leite, ou pelo quilo do suíno ou das aves.

    O setor leiteiro enfrenta uma crise que vem se arrastando há mais de um ano, e que infelizmente, por falta de outra alternativa, já fez muitos produtores desistirem da atividade. Apesar da recuperação do preço em alguns meses, o cenário ainda não é favorável e cada vez mais desafia o empresário rural a adotar manejos que sejam sustentáveis, tanto falando do preço, como também da permanência na atividade.

    Mas o objetivo desta matéria não é enaltecer o cenário preocupante da crise, mas sim, trazer um exemplo de uma família que com organização e um manejo de redução de custos, vem muito além de somente se manter na atividade, também evoluindo no setor.

    O caminho inverso: da cidade para o interior

    Quando tinha 19 anos de idade, Nilson Schmitz, hoje aos 41 anos, saiu da casa dos pais, Beno e Alice, que na época residiam na cidade de Itapiranga. O destino foi o litoral catarinense, onde Nilson pretendia buscar experiências profissionais. Por volta do ano 2003, a família comprou uma propriedade na Linha Chapéu, e Beno convidou o filho a retornar para casa com o objetivo de conduzir junto com os pais e o irmão Darcio, as atividades agrícolas que seriam iniciadas no local.

    Inicialmente foi reativado um aviário que estava abandonado, passando de 15 mil para atuais 70 mil frangos em três aviários. O leite foi sendo introduzido na propriedade aos poucos, com a compra no início de apenas uma vaca em que a produção era destinada para consumo próprio. O plantel aumentou gradativamente, assim como foi a evolução gradual dos investimentos no setor. Primeiro o leite era tirado a mão, e somente em 2008, quando o rebanho já tinha 22 vacas, foi comprada a primeira ordenhadeira.

    A gestão organizada da propriedade faz parte do dia a dia do produtor desde o início. Tanto que Nilson guarda a primeira ficha do leite quando o produto era levado de baldes na beira da estrada, para carregamento pelo caminhão leiteiro. A cada dois dias a produção média na época era de 17 litros. Também desde o ano de 2012, todas as despesas e investimentos são lançados em uma planilha, o que facilita muito o controle de gestão das atividades.

    Evolução da atividade e manejo de redução de custos

    Atualmente a Granja Schmitz trabalha com um plantel de 85 vacas em lactação da raça Jersey, de um total de 102 animais, além de 35 novilhas. A produção média por dia, nesse período do ano, está em 1.600 litros. A mão de obra familiar é complementada por dois colaboradores que auxiliam na ordenha.

    Nilson é um defensor do sistema de produção de leite a base de pasto. Apesar do grande plantel, as vacas não ficam confinadas. Através de vários cursos que participou, em áreas como qualidade e gestão, o produtor obteve conhecimento e foi aprimorando os manejos e deixou de ser um comprador, para ser um vendedor de pasto.

    A família cultiva um total 50 hectares de terra, entre próprias e arrendadas. Entre estes, 11 hectares são de pastagem perene da variedade Jiggs e mais 08 hectares destinados para produção de feno, usado tanto na alimentação do rebanho próprio como também para a venda.

    O manejo do rebanho muda conforme a época do ano. Como as áreas de pasto são definitivas, com piquetes de um hectare cada, os animais vão intercalando a alimentação entre um e outro. Na pastagem perene, o produtor não gasta com a compra de sementes e nem no manejo do solo. O único investimento nas áreas é a adubação, e para isso, é aproveitado o adubo gerado nos aviários próprios. No verão, Nilson explica que as vacas permanecem nas estruturas, onde o clima é mais agradável, e há sombra e água a vontade. Também é aproveitada a sombra gerada pelas placas das usinas solares implantadas na propriedade. E a noite os animais ficam soltos no pasto. Já no inverno, durante o dia os animais ficam soltos se alimentando e expostos ao sol.

    O produtor avalia que a gestão de qualquer atividade se faz necessária porque no setor agrícola os cenários econômicos mudam constantemente, e essas oscilações não dão mais garantia de preço aos agricultores. Em função disso, Nilson afirma que nos períodos em que o leite está com preço bom, e sendo rentável, é importante o produtor manter os “pés no chão”, garantir a chamada “gordura” que é uma economia de reserva para enfrentar períodos não tão favoráveis.

    “A gente prioriza muito o lado humano na nossa propriedade. Uma casa confortável, espaços para lazer e esporte, e atividades para a qualidade de vida da nossa família. Por isso gostamos de trabalhar nisso, é satisfatório. Tudo o que conquistamos foi com o leite e os frangos”, acrescenta Nilson, enaltecendo ainda de que o bem-estar animal precisa estar aliado a qualidade de vida dos produtores para que o resultado seja o esperado.

    A mão de obra familiar é complementada por dois colaboradores que auxiliam na ordenha

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