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    Atividade física e mente ativa na prevenção contra o Alzheimer

    Joana Reichert
    Doutor Eduardo Dombroski ressalta que familiares ou cuidadores precisam compreender que os esquecimentos, as repetições e as mudanças de comportamento fazem parte da doença

    Médico alerta sobre sintomas da doença, e medidas de prevenção como exercícios e a leitura

    Com o avançar da idade algumas doenças tendem a se manifestar de forma mais intensa. Entre estas, está o Alzheimer, doença que ocorre quando há uma degeneração do cérebro, e a causa mais comum de demência. Compromete principalmente a memória, mas também afeta o raciocínio, a linguagem, a orientação, o comportamento e a capacidade de realizar as atividades do dia a dia.

    Em nossa região, infelizmente são muitos os casos de Alzheimer, que comprometem a qualidade de vida do paciente, e exigem muita atenção por parte dos cuidadores e familiares. Para falar da doença, causas, tratamento e prevenção, conversamos com o médico Eduardo Dombroski, especialista em geriatria e gerontologia, áreas voltadas para a saúde e bem-estar de pessoas da terceira idade.

    Conforme doutor Eduardo, os principais sintomas do Alzheimer são esquecimento de acontecimentos recentes, repetição de perguntas, dificuldade para encontrar palavras, confusão com datas e lugares, a pessoa se perde em caminhos conhecidos, como ir do serviço para casa, a dificuldade para tomar decisões e mudanças de comportamento. Com a evolução da doença, ocorre perda gradual da autonomia.

    O médico explica que a doença acomete normalmente pessoas idosas, sendo mais comum após os 65 anos. O risco aumenta progressivamente com o avanço da idade. “Mas vale salientar que o Alzheimer não é uma consequência normal do envelhecimento, e nem todo esquecimento significa demência. Infelizmente, ainda não existe uma forma específica que garanta a prevenção do Alzheimer. Porém, sabemos que alguns cuidados podem reduzir o risco ou retardar o aparecimento da demência”, ressalta.

    Entre as principais medidas de prevenção, o médico cita a prática de atividade física, não fumar, evitar o consumo excessivo de álcool, manter uma alimentação saudável, controlar o peso, a pressão arterial, o diabetes e o colesterol. Ainda, é importante manter a mente ativa fazendo leituras, estudando, aprendendo novas atividades ou habilidades, e preservar a convivência social.

    Sinais da doença

    Doutor Eduardo esclarece que os primeiros sinais do Alzheimer costumam envolver alterações na memória recente, como esquecer conversas, compromissos ou fatos que aconteceram há pouco tempo, além de repetir perguntas ou informações. Também podem surgir dificuldades para realizar tarefas antes habituais, como organizar contas, usar medicamentos corretamente, preparar refeições, escolher as palavras com significado para o que gostaria de dizer, acompanhar uma conversa ou orientar-se em locais conhecidos. Mudanças de comportamento como a irritabilidade, desconfiança e isolamento, também podem ocorrer.

    “O principal sinal de alerta é quando essas alterações se tornam frequentes, progressivas e passam a interferir na rotina, na segurança e na independência da pessoa. Importante salientar que alterações ocasionais de memória, pensamentos ou de comportamentos, não caracteriza suspeita de Alzheimer. Muitas doenças podem despertar sinais e sintomas semelhantes”, complementa o médico.

    Cuidado de pacientes com Alzheimer

    Familiares ou cuidadores que se dedicam a cuidar de pacientes com Alzheimer, precisam, segundo o doutor Eduardo, compreender que os esquecimentos, as repetições e as mudanças de comportamento fazem parte da doença. Por isso, discussões, cobranças e correções insistentes devem ser evitadas, pois podem aumentar a ansiedade e a agitação.

    O médico orienta que a comunicação com os portadores da doença deve ser simples e tranquila, com frases curtas e uma orientação de cada vez. Também é importante manter uma rotina organizada para alimentação, higiene, sono, medicamentos e atividades diárias.

    Doutor Eduardo chama atenção também para os cuidados com o ambiente onde a pessoa mora. Esclarece que a casa deve ser adaptada para reduzir o risco de quedas, queimaduras, fugas e outros acidentes. Os medicamentos precisam ser corretamente organizados e supervisionados. Sempre que possível, a pessoa deve ser incentivada a realizar as atividades que ainda consegue fazer com segurança, preservando sua autonomia.

    Se houver piora súbita da confusão, é necessário procurar avaliação médica, pois isso pode estar relacionado a infecção, desidratação, dor ou efeito de medicamentos. O médico lembra que é importante também cuidar de quem cuida. Dividir as responsabilidades entre os familiares, garantir períodos de descanso e buscar apoio quando necessário, ajuda a evitar a sobrecarga física e emocional dos cuidadores.

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