Veterinário orienta sobre cuidados antes e após a ordenha, e na alimentação dos animais
A previsão de um segundo semestre do ano mais chuvoso traz preocupações aos produtores do leite, diante do desafio de manter uma produção de qualidade e de manter a sanidade dos animais. O veterinário da Cooperativa Mista da Agricultura Familiar de São João do Oeste, Coopafasjo, Vanderlei Orth, ressalta que o barro, a umidade e a dificuldade de manter os animais limpos são fatores que favorecem doenças como mastite e problemas de casco, além de aumentarem o risco de contaminação do leite. Diante destes desafios, enfatiza que pequenos detalhes no manejo fazem uma grande diferença no resultado final.
Cuidados antes da ordenha
Com as previsões do El Niño e meses de muita umidade pela frente, o veterinário orienta sobre cuidados que o produtor de leite deve adotar, mesmo antes de iniciar a ordenha. Cita que o primeiro cuidado é manter um ambiente limpo e tranquilo. As vacas devem chegar à sala de ordenha sem excesso de barro nos tetos e nas pernas. Quando necessário, é importante fazer uma limpeza cuidadosa para evitar que a sujeira entre em contato com o leite. Além disso, uma rotina sem estresse facilita a ordenha, melhora a descida do leite e contribui para a saúde dos animais.
Vanderlei chama a atenção para a importância do pré-dipping como uma ferramenta essencial para reduzir a quantidade de bactérias presentes nos tetos antes da ordenha. Mas além de aplicar o produto, lembra que é preciso respeitar o tempo de ação recomendado e secar bem cada teto com papel descartável individual. Esse procedimento reduz significativamente a incidência de mastite ambiental, que costuma aumentar durante os períodos de chuva.
O próximo passo, segundo o veterinário, é um procedimento simples, rápido e extremamente importante, que é o descarte dos primeiros três jatos de leite. Essa prática permite identificar precocemente casos de mastite clínica, observando alterações como grumos. Além disso, estimula a descida do leite e proporciona uma ordenha mais eficiente. Muitas vezes, é justamente nessa etapa que o produtor consegue detectar um problema antes que ele se agrave.
Cuidados após a ordenha e higienização dos equipamentos
Os cuidados continuam após a ordenha. Vanderlei esclarece que o pós-dipping é obrigatório em qualquer sistema de produção. Depois que as teteiras são retiradas, o canal do teto permanece aberto por alguns minutos, facilitando a entrada de bactérias. O desinfetante aplicado após a ordenha cria uma proteção importante e reduz muito a ocorrência de novas infecções além de ter ação hidratante para os tetos evitando rachaduras. O veterinário também orienta que as vacas permaneçam em pé por algum tempo após a ordenha, oferecendo alimento no cocho para evitar que deitem imediatamente.
Equipamentos limpos e bem regulados também são fundamentais para produzir leite de qualidade. Segundo o veterinário, a higienização deve ser feita logo após cada ordenha, utilizando água na temperatura correta e os detergentes indicados. Além disso, é importante revisar periodicamente e principalmente no período de inverno as teteiras, mangueiras, pulsadores e o sistema de vácuo. Equipamentos desregulados podem causar lesões nos tetos e favorecer o aparecimento de mastite.
Problemas nos cascos e atenção a alimentação
Infelizmente, é um período do ano em que os problemas de casco costumam aumentar. O veterinário comenta que o excesso de umidade deixa os cascos mais sensíveis e favorece doenças como dermatite digital e podridão dos cascos. “Uma vaca com dor caminha menos, consome menos alimento, produz menos leite e apresenta pior desempenho reprodutivo. Por isso, manter corredores drenados, reduzir áreas de barro, realizar casqueamento preventivo e adotar a desinfetação dos cascos quando necessário são medidas que trazem excelentes resultados”, complementa.
Na relação dos cuidados com os animais, a alimentação também merece atenção especial. O veterinário da Coopafasjo ressalta que o produtor deve acompanhar diariamente a qualidade da silagem, das pastagens e dos concentrados. Alimentos com presença de fungos ou deterioração comprometem o desempenho dos animais e aumentam os riscos sanitários. Uma dieta equilibrada, com energia, proteína, fibra e minerais na quantidade adequada, fortalece o sistema imunológico e ajuda as vacas a enfrentarem melhor esse período.
“O período de chuvas exige atenção redobrada, mas também mostra a importância de um manejo bem-feito. A prevenção sempre custa menos do que tratar doenças. Quando o produtor realiza corretamente o pré-dipping, descarta os três primeiros jatos, faz o pós-dipping, mantém os equipamentos higienizados, cuida dos cascos e oferece conforto aos animais, ele reduz perdas, melhora a qualidade do leite e aumenta a rentabilidade da atividade. Nossa região é referência na produção de leite graças ao compromisso dos produtores com a qualidade e em qualquer dificuldade podem contar com a nossa equipe técnica para auxiliar as propriedades leiteiras. O sucesso da pecuária leiteira está na constância dos cuidados realizados todos os dias”, enfatiza o veterinário.

