Jocelâyne Bauer
Caibi – Em um mundo cada vez mais dominado pela tecnologia, onde muitas ferramentas antigas foram substituídas por máquinas modernas, ainda existem pessoas que dedicam tempo, talento e paixão para preservar a memória das gerações que construíram a história do campo. É esse o propósito do artesão Ademir Spezia, de 69 anos, que transforma madeira em verdadeiras obras de arte, recriando, em miniatura, utensílios, equipamentos e cenas do cotidiano dos antigos colonizadores.
Pequenos bonecos, carregando machados, enxadas, pilões, lavadeiras de roupa, serras utilizadas por dois homens, cataventos, monjolos, cavadeiras, peneiras e diversas outras ferramentas ganham vida em miniaturas ricamente detalhadas, confeccionadas cuidadosamente pelo artesão que coloca elas em movimento funcionais, reproduzindo fielmente os movimentos e mecanismos dos equipamentos originais, em uma engrenagem para girar o que será em breve, uma roda d’água. “Isso aqui é tudo o que existia antigamente. Hoje muita gente nem conhece mais essas ferramentas. Daqui a alguns anos talvez ninguém saiba para que serviam. Por isso gosto de fazer esse trabalho”, conta Ademir.
Mais do que construir peças decorativas, ele procura preservar uma parte importante da cultura e da história das famílias do interior, lembrando uma época em que o trabalho era realizado com muito mais esforço físico, antes da chegada da motosserra, dos motores e da mecanização agrícola. Entre as peças que mais chamam atenção está a reprodução do antigo sistema de serrar madeira com um serrote de duas pessoas, utilizado antes da mecanização. Também há representações de lavadeiras utilizando pedras às margens dos rios, pilões usados para preparar arroz e canjica, além do tradicional monjolo movido pela força da água.
O artesão explica que muitas delas ainda estão em fase de testes, pois pretende construir uma grande roda d’água que movimentará todo o conjunto de mecanismos. “O objetivo é fazer uma roda grande, movida pela água, que coloque tudo para funcionar. O que está aqui hoje é um modelo, uma experiência. Depois quero fazer tudo definitivo”, explica.
Outro destaque do espaço são os cataventos produzidos artesanalmente. Ademir pretende utilizá-los não apenas como elemento decorativo, mas também para demonstrar princípios de geração de energia. Segundo ele, a ideia é instalar um sistema simples, utilizando um dínamo e uma bateria, mostrando ao visitante como o vento pode gerar eletricidade. “Quero colocar iluminação nos cataventos. O vento gira as hélices, movimenta o dínamo e carrega a bateria. É uma forma simples de mostrar como funciona a geração de energia”, relata.
O sonho de Ademir vai muito além do artesanato. Apaixonado pelo turismo, ele acredita que o espaço pode se transformar em um importante ponto de visitação, reunindo cultura, lazer, história e contato com a natureza. Ele conta que já trabalhou com turismo anteriormente e percebeu que os visitantes sempre demonstravam enorme interesse pelas peças antigas e pelos objetos históricos. “O turismo está na minha veia. Eu gosto disso. As pessoas gostam de conhecer essas coisas antigas. Antes mesmo de visitar outras atrações, elas queriam ver essas peças”, lembra.
Hoje, seu objetivo é ampliar o espaço, criando novas atrações que proporcionem experiências para toda a família. Entre os inúmeros projetos estão a construção de uma grande roda d’água, passarelas suspensas, labirintos, balanços gigantes, escorregadores, uma piscina abastecida por água natural, além de novos ambientes para receber visitantes. “Tenho muitas ideias. Quero fazer um lugar diferente, onde as pessoas possam passear, aprender e aproveitar o contato com a natureza.”


