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    Produtor Vilson Ghisleri mantém tradição vitivinícola de família e relata desafios com as condições climáticas

    Por Jocelâyne Bauer

    Região – Em São José do Laranjal, interior de Iraceminha, o aroma das uvas e o som constante do trabalho no parreiral fazem parte da rotina do produtor Vilson Ghisleri, homem que carrega no sangue a tradição vitivinícola de sua família, iniciada há mais de sete décadas. Filho e neto de viticultores, Ghisleri mantém viva a herança deixada pelo avô, o primeiro morador da comunidade e responsável por trazer, em 1951, as primeiras mudas de uva para a região. Hoje, aos 20 mil litros anuais de vinho produzidos em sua vinícola artesanal, ‘Vinhos Cave de Ermínio’ somam-se histórias de dedicação, aprendizado e desafios impostos pela natureza e pelo tempo.

    A safra deste ano, no entanto, não tem sido das mais generosas. O produtor relata que a excessiva umidade durante a floração trouxe perdas significativas, principalmente nas variedades bordô, destinadas à produção de vinhos finos. “A uva não quer muita chuva na florada. Ela precisa de umidade só na brotação. Mas esse ano, choveu demais. As flores não conseguiram se desenvolver, ficaram grudadas e acabaram abortando. Acredito que a perda chegue a 30%”, lamenta Ghisleri.

    Ele explica que o trabalho de controle de pragas e doenças é constante e começa ainda no início de setembro, quando os parreirais começam a brotar. “A gente inicia as aplicações no dia 5 ou 10 de setembro. Depois, a cada seis ou sete dias tem que aplicar de novo. Mesmo assim, é um cuidado enorme”, conta.

    Cacho ‘abortado’ que não consegue se desenvolver

    As doenças mais temidas são o míldio — um mofo que ataca folhas, grãos e cachos — e a botrite, que aparece com o excesso de chuva. “Teve ano em que o míldio atacou do dia para a noite. Parecia que tinha nevado de tanto fungo branco sobre as plantas. Foi preciso correr com o sulfato de cobre para tentar salvar o que restava”, relembra.

    Para o produtor, a única forma de evitar completamente os prejuízos seria investir em cobertura para os parreirais, o que reduziria a incidência de chuvas e doenças. Porém, o alto custo inviabiliza o projeto. “Seria o ideal, mas é muito caro. Para quem trabalha com uva de vinho, não compensa. O investimento é alto demais”, explica. Mesmo assim, Vilson não desanima. Mantém um pequeno vinhedo próprio, além de comprar parte das uvas de outros produtores da região para manter a produção constante. “Eu compro de quem sobra. Às vezes é 100 quilos, às vezes é uma tonelada. Dá certo. Assim, a gente não deixa de produzir”, conta.

    A história da vinícola Ghisleri tem raízes profundas. O avô de Vilson, vindo do Rio Grande do Sul, trouxe em 1950 as primeiras mudas e plantou o primeiro parreiral na comunidade. Desde então, a uva e o vinho fazem parte da vida da família. “Meu nono foi o primeiro a plantar aqui. Depois meu pai continuou. E eu cresci vendo-os trabalhando. Em 1995, comecei a plantar por conta própria. A gente fazia tudo em pequena escala, mas com muito carinho”, relembra.

    Foi também em 1995 que Iraceminha realizou a primeira Feira do Vinho, ainda sem uma produção local consolidada. Ghisleri participou das edições seguintes, e em 2003, com apoio do município, iniciou a construção da atual vinícola, por meio de programas de incentivo ao pequeno produtor. “O prefeito da época incentivou bastante. Conseguimos recursos do Estado e do Banco do Brasil. Foi um passo grande, maior que a perna, mas necessário. Aprendemos errando e fomos nos aperfeiçoando”, conta ele. Com o passar dos anos, Vilson buscou formação técnica, fez cursos em Videira e Bento Gonçalves, e até frequentou aulas na Embrapa Uva e Vinho, onde aprimorou os métodos de produção e controle de qualidade.

    Hoje, a vinícola produz cerca de 20 mil litros de vinho de mesa por safra, além de comercializar rótulos finos e espumantes em parceria com uma cooperativa da Serra Gaúcha, que detém a tecnologia e estrutura necessárias para vinhos de maior complexidade. “Lá, eles produzem o vinho fino e o espumante. Eu coloco a minha marca e vendo. É um acordo bom, porque o custo de produção de um espumante é muito alto. Seria inviável investir sozinho”, explica.

    Vilson mantém um catálogo com variedades de tipos de vinho, entre secos, suaves e finos, todos vendidos sob sua marca. O produtor acredita que a diversidade é o que atrai os clientes. “Quem vem comprar uma garrafa, acaba levando cinco. Quer experimentar. Se tivesse só um tipo, o movimento seria menor. Então, quanto mais variedades, melhor”, destaca. “Vale a pena. É um trabalho que exige muito, mas é justo. A gente se sustenta, vive bem e leva adiante o nome da família. No fim das contas, o vinho é mais que um produto — é a nossa história engarrafada.”

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