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    50 anos como ministro da palavra e da eucaristia

    Joana Reichert
    João Flach e Inácio Spielmann na formação como ministros em 1975

    Ministro relata mudanças que acompanhou na igreja e a importância do voluntariado na comunidade

    São João do Oeste – Em 20 novembro João Luís Flach, de 74 anos, completou 50 anos da sua formação e atuação como ministro da palavra e da eucaristia e 40 anos também como ministro de batismo. Alusivo a data, recebeu uma homenagem prestada pela comunidade de Catres, Mondaí, onde atuou na função por 40 anos. Há 10 anos, continua exercendo o cargo voluntário na paróquia de São João do Oeste, cidade onde reside com a esposa Maria. Também na paróquia de São João, foi homenageado em novembro, junto com outros ministros, pelo tempo de trabalho dedicado a igreja.

    João fez parte da primeira turma de ministros que se formou na paróquia de Mondaí, empossada em 20 de novembro de 1975. Na época, a Diocese de Chapecó, através do bispo Dom José, foi uma das primeiras a oferecer a formação para que os ministros iniciassem a atuação nas comunidades. Isso foi possível graças a mudança na igreja católica, dando abertura aos leigos para que assumissem funções antes apenas exercidas pelo padre. Até o ano de 1964 a missa era rezada em latim, sendo que a celebração era feita pelo padre de costas para os fiéis. João foi coroinha nesta época, e presenciou esse período.

    Ministros da comunidade de Catres, onde João atuou por 40 anos

    Para a formação dos ministros, realizada na própria paróquia, João conta que as comunidades indicaram os nomes, e ele foi um dos indicados. Junto com ele, na primeira turma, esteve Inácio Spielmann, que faleceu no início deste ano. João e Inácio atuaram juntos por 40 anos na comunidade de Catres, sendo os dois ministros que mais tempo trabalharam juntos na mesma localidade.

    Nesses 50 anos em que assume a função voluntária na igreja, João conta que no início, quando se formou como ministro, os fiéis participavam bem mais da igreja. Na Linha Catres, diferente de outros locais, João recorda que não teve rejeição dos moradores, o que avalia que foi uma contribuição do padre na época, Vendelino Seidel, que orientou o povo sobre essa mudança que a igreja estava passando, com a introdução dos leigos nas funções religiosas. O bispo Dom José também participou de forma ativa de todo esse processo nas comunidades, deixando claro aos fiéis o papel dos ministros e sua importância.

    Na prática, João explica que o ministro da eucaristia e da palavra exerce várias funções de apoio ao padre e também preside celebrações em que o padre não está presente, leva a mensagem aos fiéis, prepara o altar e a entrega da comunhão. As atribuições do ministro também podem variar conforme a congregação do pároco que assume a paróquia. Para funções como batismo e matrimônio, é necessário que o ministro faça as formações específicas. Cerca de 10 anos depois da primeira formação, em 1985, João também se formou como ministro do batismo.

    João, junto com o padre da paróquia de Mondaí, José de Freitas, quando da homenagem prestada na comunidade de Catres

    A esposa Maria acrescenta que em todos esses anos sempre acompanhou o marido, sendo que ele é o primeiro que chega na igreja e é o último a sair. Devido ao compromisso que representava ser ministro na comunidade, João lembra que no início a orientação do bispo e do padre era não assumir outras funções, o que foi mudando ao longo do tempo.

    Em 50 anos como ministro, João também acompanhou as mudanças na igreja no que diz respeito aos religiosos que ocupam os cargos nas paróquias e diocese. Nesse período, foram seis papas, três bispos e 12 párocos nas duas paróquias, Mondaí e São João do Oeste, sem contar os padres auxiliares.

    Para esta matéria, tivemos a importante contribuição de Edemar Spielmann, de 56 anos, que é amigo de João e morador de Linha Catres. Ele também se formou como ministro em 1992, completando 33 anos na função. Edemar recorda que quando João e Inácio assumiram as funções de ministro em Catres, enfrentaram muitas dificuldades, entre elas, a distância de suas residências até a igreja. Além da própria mudança que a igreja passou naquela época, e a pouca comunicação que havia, o que dificultava a questão de levar a informação as pessoas. E ainda, de certa forma, tiveram que enfrentar a resistência dos fiéis com o fato de que a partir de então os ministros iriam auxiliar em funções que antes eram apenas exercidas pelo padre.

    João e o amigo Edemar Spielmann, também ministro, demonstrando a lembrança entregue na homenagem realizada em Catres
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