Iporã do Oeste – A Emenda Constitucional (PEC) 45, aprovada no Congresso Nacional, também conhecida como Reforma Tributária, é responsável por alterar de forma significativa o modelo brasileiro de tributação sobre o consumo, extinguindo os tributos atuais (PIS, COFINS, IPI, ICMS e ISS) e estabelecendo dois novos tributos sobre valor agregado: a CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços) e o IBS (Imposto sobre Bens e Serviços).
A mudança para o novo modelo ocorrerá de forma gradativa, com início em 2026 e conclusão em 2032. Para esclarecer como vai funcionar a tributação no país com a nova legislação, conversamos com o contador do Escritório Contábil Oeste, Marciano Muller, que explicou, de forma resumida, as principais alterações trazidas pela Reforma Tributária.
NR: O que é a Reforma Tributária e qual seu objetivo?
Marciano Muller – A Reforma Tributária é uma grande mudança na forma como os impostos serão cobrados no Brasil, principalmente aqueles que incidem sobre tudo o que compramos e vendemos, como produtos e serviços. Hoje, o sistema é confuso, cheio de regras diferentes, impostos sobre impostos e muitas burocracias, o que acaba encarecendo tudo para empresas e consumidores.
Com a reforma, vários tributos serão substituídos por dois principais: o IBS (Imposto sobre Bens e Serviços) e aCBS (Contribuição sobre Bens e Serviços). A ideia é ter um modelo mais simples, parecido com o que já funciona em muitos outros países, em que o imposto é cobrado apenas em cada etapa da produção ou venda, sem “efeito cascata”.
O principal objetivo é simplificar o sistema, reduzir a burocracia, dar mais clareza ao que se paga de imposto e tornar a cobrança mais justa, ajudando a diminuir custos para as empresas e, com o tempo, favorecer preços mais equilibrados ao consumidor.
NR – Haverá um cronograma de implantação da reforma?
Marciano Muller – Sim, a reforma não vai começar de uma vez só. Ela será implantada aos poucos, justamente para que empresas, contadores e o próprio governo consigam se adaptar sem grandes impactos.
Em 2026, começa a fase de testes. As empresas já vão informar o IBS e a CBS nas notas fiscais, mas ainda sem cobrança efetiva. É como um período de aprendizado, para ajuste de sistemas, regras e procedimentos.
Depois disso, de 2027 até 2032, acontece uma etapa de transição: os impostos antigos vão diminuindo gradualmente enquanto os novos aumentam aos poucos. Esse processo evita uma mudança brusca.
A partir de 2033, o novo sistema entra em funcionamento completo, com os impostos antigos sobre consumo sendo definitivamente encerrados.
NR – Quais as principais mudanças que a reforma vai gerar no dia a dia das pessoas/contribuintes?
Marciano Muller – O objetivo principal seria a simplificação tributária para as empresas, isso significa menos confusão, menos tipos de impostos para controlar e uma forma mais padronizada de apuração em todo o país.
Também haverá mais transparência. O imposto passará a aparecer de forma mais clara nas notas fiscais e no preço final, permitindo que as pessoas saibam exatamente quanto estão pagando de tributo em cada compra.
Outro ponto importante é o sistema decrédito de impostos. As empresas poderão aproveitar praticamente tudo aquilo que pagarem de tributos em compras, reduzindo custos escondidos no processo de produção e venda.
Para o consumidor, isso pode representar preços mais justos ao longo do tempo e maior clareza sobre a carga tributária. Para o empresário, significa mais controle, menos risco fiscal e um ambiente de negócios mais organizado.
Contudo, a complexidade inicial dessa reforma está trazendo muitas dúvidas e incertezas, ocasionando diversos debates e mudanças no regramento.
NR – Qual a orientação, como profissional e quanto escritório de contabilidade, para que as empresas já possam se preparar para as mudanças em 2026?
Marciano Muller – A principal dica é: começar a se preparar desde já. A reforma não está distante — ela começa a ser aplicada em 2026 — e quem estiver organizado vai passar por essa transição com muito mais tranquilidade.
É importante revisar sistemas de emissão de notas, controles financeiros e processos internos. Também vale a pena fazer simulações com o contador para entender como os novos impostos podem afetar o preço dos produtos, a margem de lucro e o caixa da empresa. Além disso, é fundamental investir em informação e capacitação da equipe administrativa, mantendo o escritório de contabilidade sempre próximo das decisões estratégicas.
Quem se antecipa reduz riscos, evita problemas com o Fisco e ainda pode encontrar oportunidades de melhorar a gestão e a competitividade do negócio durante essa grande mudança tributária.

