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    Previsão de El Niño reforça importância da adoção de práticas conservacionistas do solo

    Joana Reichert
    O extensionista rural da Epagri de Descanso, Zolmir Frizzo, aponta também a previsão de alteração nas culturas cultivadas

    Extensionista alerta sobre influência do clima para a próxima safra

    As previsões climáticas divulgadas com maior intensidade nas últimas semanas apontam uma condição de chuva e tempo mais úmido principalmente para o segundo semestre do ano. Essa condição é causada pelo fenômeno El Niño, um aquecimento fora do normal das águas do Oceano Pacífico na faixa próxima à linha do Equador. O fenômeno faz parte de um ciclo natural do clima que alterna fases quentes (El Niño), frias (La Niña) e neutras, com impactos em várias regiões do planeta. Esse aquecimento muda a circulação da atmosfera e altera o padrão de chuvas e temperaturas em diferentes partes do mundo.

    No Brasil, os efeitos costumam ser desiguais: o Sul tende a ter mais chuva, enquanto áreas do Norte e do Nordeste podem enfrentar períodos mais secos. Conforme a Organização Meteorológica Mundial (OMM), agência da ONU, o fenômeno também influencia a temperatura global. Em anos de El Niño mais intenso, o planeta costuma registrar calor acima da média, somando-se ao aquecimento global. A intensidade varia de um evento para outro, assim como os impactos. E, com o planeta já mais quente, mesmo episódios moderados podem ter efeitos mais fortes do que no passado.

    As previsões climáticas deixam em alerta os produtores rurais, que dependem diretamente do clima para planejar e cultivar a safra. De acordo com o extensionista rural da Epagri de Descanso, Zolmir Frizzo, com a previsão de El Niño ficam mais evidentes as orientações de longa data já sempre repassadas aos produtores, no que diz respeito a importância da adoção de boas práticas conservacionistas do solo. Na prática, explica que o recomendado é que logo após a colheita da cultura implantada na lavoura seja feita a cobertura verde do solo, como forma de prevenção a vários problemas causados pela condição do tempo.

    O extensionista cita que a cobertura verde previne a erosão em anos com muita precipitação de chuva, favorece a descompactação do solo e garante que o solo mantenha a fertilidade e os nutrientes, essenciais para o bom desenvolvimento das culturas. Aliado a cobertura verde, Zolmir aponta a implantação dos terraços nas lavouras, uma prática antiga, que nos casos de alta precipitação de chuva permite a retirada lenta da água nas áreas, evitando danos ao solo e as plantas. “Nós precisamos melhorar a matéria orgânica, e planejar as propriedades para que consigamos chegar acima de 12 toneladas de matéria, e assim colocar muita palha e raiz no solo, porque é isso que vai garantir a melhoria na fertilidade. E assim, que ao longo do tempo, os produtores consigam reduzir custos, pois com um solo mais fortalecido evitamos custos com uso de adubos químicos e menor incidência de pragas e doenças”, destaca o extensionista.

    Considerando as previsões climáticas, o extensionista rural antecipa que deverá ter alteração nas culturas cultivadas. Comenta que Descanso mantém uma média de dois mil hectares de trigo cultivados, e com a previsão de alta precipitação de chuva, a previsão é de redução nas áreas destinadas a esta cultura, em função de ser muito suscetível as chuvas, principalmente nas fases de enchimento dos grãos e colheita. Depois da cobertura verde, as áreas então destinadas para o trigo devem dar lugar ao milho ou soja.

    Zolmir enaltece a preocupação que os produtores já demonstram com a adoção de boas práticas no manejo do solo. Comenta que 2026 foi o ano em que a Epagri de Descanso liberou a maior cota de calcário para correção de solo, de quase quatro toneladas, e também houve boa adesão ao kit solo saudável. No município foram liberadas 75 cotas pelo kit para aquisição de sementes de cobertura. Cada produtor tem direito a duas cotas de até R$ 3,15 mil cada, em que o pagamento é feito no ano seguinte.

    Terraceamento, aliado a cobertura verde, são práticas recomendadas para preservação do solo

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