Encontro enfatiza importância dos dejetos animais e práticas para melhorar a qualidade e o manejo do material
Com o objetivo de discutir a qualidade e uso dos dejetos animais, a Epagri, em parceria com a Embrapa e a secretaria de Agricultura de São João do Oeste, promoveu no dia 18 de agosto uma capacitação sobre o tema. Pela parte da manhã a programação reuniu produtores, profissionais e lideranças das áreas de suinocultura, avicultura e bovinocultura no auditório da prefeitura, e a tarde foi realizada a visitação na Agro Familiar Steiger, na Linha Cristo Rei.
De acordo com o analista da área de transferência e tecnologia da Embrapa de Concórdia, Evandro Carlos Barros, o objetivo principal do evento realizado na última semana foi orientar os produtores e profissionais com foco na valorização dos dejetos animais, que anteriormente eram vistos como vilões das propriedades, pela dificuldade no uso e destinação, mas hoje são aliados. Comenta que os investimentos em estruturas como granjas, Free Stall e Compost Barn aumentaram consideravelmente nos últimos anos, e com isso, aumenta também a quantidade de dejeto produzido.
Evandro destaca que os dejetos podem ser usados em substituição a adubação mineral, e com isso, gerar renda e melhorar os indicadores da produção, indiferente da atividade. Para isso, lembra que os manejos também devem ser os adequados, considerando as normas ambientais. O analista da Embrapa ressalta que uma das melhores alternativas é a fertirrigação, para aplicação de dejetos líquidos da suinocultura e bovinocultura, em função dos benefícios que gera. Cita a redução na mão de obra para o produtor, a praticidade no manejo com a aplicação podendo ser feita em qualquer período, mesmo quando há muita umidade e as máquinas não conseguem entrar nas lavouras. Além disso, evita a compactação do solo com máquinas pesadas.
“O dejeto é um aliado do produtor. Representa uma fatia muito interessante e uma sobra importante da atividade, em que é possível agregar valor com o resíduo. É um ótimo fertilizante que pode ser usado na substituição da adubação mineral”, ressalta o analista da Embrapa. Evandro comenta que a Embrapa trabalha na busca de soluções para a agricultura, que está em constante evolução e com desafios diários. Entre estas soluções, cita o reaproveitamento e reciclagem dos materiais, o que é uma tendência, pensando em sustentabilidade e na continuidade do trabalho pelas gerações futuras.
Na visitação a propriedade da família Steiger, o extensionista rural da Epagri, Marcelo Rohden, apresentou um método alternativo para avaliar a qualidade e os nutrientes presentes no dejeto, sem que o produtor precise enviar amostra ao laboratório. Com o aparelho chamado de densímetro, explica que o produtor pode fazer o teste, e a partir da densidade do material, é possível ter uma base de quanto NPK, fósforo, nitrogênio e potássio o dejeto possui, e assim ter a recomendação técnica de quanto aplicar nas lavouras.
Marcelo acrescenta que quanto mais denso o dejeto, mais nutrientes ele apresenta e menor a dose que precisa ser aplicada por hectare. Lembra que o produtor que ainda não possui o aparelho, e quer entender melhor sobre o seu uso e funcionamento, pode entrar em contato com a Epagri para solicitar o teste.
Investimento que gera resultado
A família Steiger trabalha com suinocultura desde o ano 2000. A atividade iniciou pelo pai Joao Jorge Steiger, na época com 230 animais, e hoje está tendo sequência pelos filhos Moacir e Rodrigo. Atualmente são 2040 suínos, no sistema de terminação. De forma complementar aos suínos, a família mantém a produção de leite, com um plantel de quase 30 vacas.
Há pouco mais de dois anos a família realizou dois investimentos importantes, que vem ao encontro do manejo correto dos dejetos e das normas de biosseguridade, enfatizados durante o encontro. Para evitar a entrada da água da chuva, e consequentemente reduzir o volume armazenado e melhorar a qualidade do dejeto, os produtores investiram na cobertura das esterqueiras. Logo depois, para compensar a falta de mão de obra, investiram no sistema de fertirrigação de seis hectares, em que o dejeto é distribuído nas lavouras por aspersão.
O resultado prático, a partir dos investimentos, é um dejeto com mais nutrientes, e uma pastagem com mais qualidade e em maior quantidade. Além disso, o investimento permite o reaproveitamento dos dejetos suínos na própria propriedade, e consequentemente, uma alimentação melhor para o plantel bovino.



