Leonir Augusto Puntel precisou superar o receio diante da tecnologia, retomar os estudos e enfrentar a prova teórica para voltar a dirigir de forma regular
Jocelâyne Bauer
Região – Aos 79 anos, o agricultor Leonir Augusto Puntel, morador da Linha Aparecida, interior de Palmitos, e assinante do Noticiário Regional, protagonizou uma conquista que emocionou a família e surpreendeu até mesmo ele próprio: depois de décadas afastado dos estudos e de aproximadamente 40 anos sem utilizar regularmente a Carteira Nacional de Habilitação – CNH, enfrentou as etapas necessárias para regularizar o direito de dirigir e alcançou a nota 9,3 na prova teórica do DETRAN.
Leonir conta que havia obtido a carteira de motorista há muitas décadas, quando realizou o processo no município de Iraí. Durante boa parte da vida, dirigiu normalmente, mas, depois de vender o carro e deixar de utilizar o veículo com frequência, acabou se afastando da habilitação, e seus registros acabaram, sendo extraviados. Com o passar dos anos, os filhos passaram a dirigir e a necessidade de Leonir estar ao volante diminuiu.
A situação começou a pesar com as mudanças nas estradas da região. Um dos acessos que a família costumava utilizar pelo interior deixou de ser uma alternativa, fazendo com que o deslocamento exigisse, o uso de rodovias. Foi então que Leonir decidiu que era hora de resolver a situação.
Leonir estudou apenas alguns anos quando era criança. Segundo ele, a realidade daquela época era muito diferente. O trabalho na agricultura fazia com que, muitas vezes, a escola precisasse ficar em segundo plano. Ele conta que frequentou a escola por aproximadamente três anos e em determinados períodos, chegava a ficar dias sem ir às aulas porque precisava ajudar no trabalho da família. Por isso, ao se deparar novamente com uma situação de avaliação, décadas depois, o receio era grande. Além do conteúdo, havia outro obstáculo: o computador.
Leonir admite que praticamente não tem familiaridade com equipamentos eletrônicos e chegou a sentir medo diante da necessidade de utilizar a tecnologia durante o processo. Para se preparar, contou com a ajuda da neta, que explicou como funcionavam os equipamentos, a tela, os procedimentos digitais e a biometria.
A preparação também incluiu as aulas teóricas obrigatórias. Leonir participou de seis noites de aula e estudou em casa utilizando a apostila fornecida durante o curso. Ele não esconde que teve dificuldades, principalmente com a leitura e com termos que não faziam parte de seu vocabulário cotidiano. Mesmo assim, decidiu estudar.
A professora também teve papel importante nesse processo. Sabendo das dificuldades de Leonir com a leitura, procurava auxiliá-lo durante as aulas, dando-lhe tempo e apoio para acompanhar o conteúdo. Mas, para ele, a aprovação dependeria principalmente de seu próprio esforço. Conta também sobre sua devoção em Nossa Senhora Aparecida, que leva sempre consigo em seu bolso, e com fé de que ela auxiliaria no seu desempenho.
No dia da prova, Leonir chegou ao local acompanhado de outras pessoas que também fariam a avaliação. O ambiente, segundo ele, aumentou ainda mais o nervosismo. Depois de concluir a prova, não tinha ideia de qual seria o resultado. Quando perguntaram se queria saber se havia passado, sua resposta foi de cautela.
Ele não imaginava que havia conseguido um desempenho tão alto. O resultado provocou comemoração entre as pessoas que estavam no local e deixou o aposentado emocionado. Funcionários e responsáveis pelo atendimento o parabenizaram pela conquista. Quando ouviu a nota, ficou sem reação por alguns instantes. “Quando ele disse que eu tirei 9,3, aquilo silenciou”, relatou, lembrando da emoção daquele momento.
Ao lado de Leonir, a esposa, Vitorina, acompanhou toda a preparação e também viveu momentos de ansiedade durante o processo. Ela conta que sempre acreditou que o marido conseguiria passar. Enquanto ele realizava as etapas, Vitorina recorria à fé e fazia suas orações, pedindo que tudo desse certo. A notícia da aprovação foi recebida com alegria.
Para o casal, a retomada da habilitação representa também mais liberdade para visitar familiares, especialmente filhos e netos que vivem na região. Agora, ainda falta concluir as etapas práticas para finalizar o processo. Como já possui experiência de muitos anos ao volante, Leonir acredita que essa parte será mais tranquila, embora reconheça que dirigir atualmente exige atenção redobrada.

