Casal Bracht comemora 55 anos de união e relata desafios e os bons tempos da colonização
Durante a vida do casal Aloísio e Lúcia Bracht, principalmente após o casamento, foram muitas as ajudas recebidas da comunidade onde se estabeleceram, constituíram família e onde viveram boa parte dos anos. Ajudas que também retribuíram, assim como foi com eles quando chegaram na nova propriedade que na época ainda era mato, e depois auxiliando na construção das edificações, na fundação das entidades e no desenvolvimento da comunidade.
A vida comunitária é uma base forte da família, e o exemplo dos pais, inspirou os filhos a seguirem caminhos semelhantes. Aloísio Antônio Bracht, atualmente aos 80 anos de idade, nasceu na comunidade de Santa Fé Alta, Itapiranga. Quando tinha um ano e meio de idade, se mudou com a família para São João do Oeste, iniciando uma nova vida onde na época tudo ainda era mato. Aloísio foi o quinto de um total de 15 filhos. Ao completar 21 anos de idade, em 1946, aproveitou uma oportunidade oferecida naqueles anos pela colonizadora União Popular, em parceria com o governo do Rio Grande do Sul, e realizou um estágio de pouco mais de dois anos na Suíça.
A viagem para a Suíça foi feita de navio. Aloísio recorda que foram 17 dias navegando, e o retorno após o estágio foi da mesma forma. Na Suíça, trabalhou em atividades agrícolas, como criação de suínos e produção de leite, e no período de inverno, aproveitou para cursar a escola agrícola do país. Aloísio integrou um grupo de 60 jovens que na época foi para a Suíça realizar o estágio. Destes, 50 eram do Rio Grande, e as demais 10 vagas foram oportunizadas pelo governo Gaúcho para jovens de Santa Catarina.
Ao retornar da Suíça, Aloísio comprou uma área de terra de 13 hectares na localidade hoje denominada de São João Alto. Recorda que o valor cobrado na época pela terra, foi de sete mil quilos de suínos, que era a forma utilizada para as negociações. Na propriedade Aloísio até já tinha construído um galpão, mas como enfrentou problemas com falta de água, e também em função de ter iniciado o trabalho em granjas de suínos da família Grasel, cerca de dois anos depois decidiu vender as terras pelo mesmo valor que as comprou.
Nesse meio tempo, Aloísio conheceu a sua futura esposa. Lúcia Pauli Bracht, hoje com 77 anos, nasceu em Santa Cruz do Sul, no Rio Grande. Aos seis anos de idade a família se mudou para a comunidade de Beato Roque, São João do Oeste. Permaneceu em casa, ajudando os pais nos afazeres da lavoura, até por volta dos 22 anos de idade. Ela e Aloísio se conheceram em um baile da comunidade, namoraram, e casaram no dia 11 de agosto de 1971. Logo após o casório, moraram por cerca de dois anos na propriedade em que Aloísio trabalhava nas granjas, e onde nasceu o primeiro filho do casal. Depois, compraram terra na comunidade de Taipa Alta, Iporã do Oeste, onde já tinham familiares e conhecidos morando.
O ano era 1975. Quando chegaram em Taipa Alta, tudo era mato, e nem estrada havia, apenas alguns moradores. Aloísio e Lúcia, o filho caçula, acompanhados do pai de Aloísio, foram a Itapiranga, onde há poucos dias tinha inaugurado o Banco do Brasil, em busca de recursos para financiar a terra, os maquinários e as edificações. O financiamento do casal, foi inclusive, o primeiro a ser liberado pelo novo banco.
O trabalho foi duro para pagar o empréstimo no banco, e para o sustento da família. A renda era obtida com a produção de fumo, a criação de suínos e mais tarde a produção de leite. Em meio a isso, sempre havia tempo para cultivar as amizades e a vida em comunidade. Lúcia recorda que onde moravam havia além deles outros recém-casados, e era comum se visitarem em dias de chuva para conversar, tomar chimarrão e comer pipoca. A produção também era farta. As batatinhas eram plantadas bem próximas a casa, e a terra nova e fértil, rendia boas colheitas.
Como ainda não havia uma estrada aberta, Aloísio e outros cinco homens que já moravam na comunidade abriram um pique ligando Taipa Alta e São Lourenço, onde mais tarde as máquinas da prefeitura abriram a estrada geral que se mantém até hoje. No início, quando ainda não tinham nem frutas para o consumo, Aloísio e Lúcia contaram com a contribuição das famílias que já moravam ali antes. Quando se deslocavam de carroça para a cidade, no retorno, havia sacolas de frutas que eram deixadas no caminho pelos moradores que já tinham esta fartura em suas terras. Mais tarde, quando o casal comprou um carro, levavam para o moinho em Mondaí a produção de outras famílias.
Na comunidade de Taipa Alta, o casal auxiliou na construção da igreja, do clube de madeira e depois do ginásio, além da fundação das várias entidades hoje constituídas, como o grupo de idosos. O espírito comunitário era muito forte. Para a construção do antigo clube, a doação de madeira foi tanta, que foi suficiente para a edificação e para o pagamento da mão de obra. Nesta comunidade residiram por 39 anos, e há 13 moram na cidade de São João do Oeste.
Aloísio e Lúcia tiveram três filhos, e são seis netos. No dia oito de agosto reuniram os familiares e amigos no Clube Ipiranga para comemorar os 55 anos de casados, as Bodas de Ametista. Para eles, foi uma data muito especial e importante, sendo possível reunir quase todos os familiares e os amigos próximos. Nas horas de lazer, o casal gosta de frequentar os encontros do grupo de idosos, jogar carta, loto, bolãozinho e ainda se mantém ativos cultivando boa parte dos alimentos que consomem. Em seu dia a dia, também recebem amigos para os jogos de baralho, para conversar e recordar os bons tempos.





