Jocelâyne Bauer
Mondaí – O Corpo de Bombeiros Militar de Santa Catarina (CBMSC) iniciará, ainda no segundo semestre de 2026, uma nova etapa em sua história com a incorporação de 630 bombeiros militares temporários em todo o Estado. A medida é viabilizada pela nova legislação que instituiu o Serviço Militar Temporário e tem como principal objetivo reforçar o atendimento operacional, especialmente em quartéis menores, como o de Mondaí.
As informações foram repassadas pelo comandante do Grupo de Bombeiros Militar de Mondaí, 2º Sargento Bombeiro Militar Tiago Sidnei Bieger, que destacou a importância da iniciativa para ampliar a capacidade de resposta das unidades do interior. Segundo ele, o modelo segue uma lógica semelhante à já adotada pelas Forças Armadas. Os militares temporários poderão permanecer na corporação por até oito anos e receberão o mesmo salário dos soldados de carreira. A diferença estará em algumas atribuições específicas, já que os temporários serão voltados prioritariamente para a atividade operacional. “Eles vão atuar principalmente nas áreas de combate a incêndio, resgate veicular e atendimento pré-hospitalar. Algumas atividades mais específicas, como fiscalização de edificações e salvamento aquático, não fazem parte da formação deles”, explica o sargento.
Atualmente, a estrutura operacional em Mondaí trabalha em um limite considerado mínimo. Em regra, cada plantão é composto por um bombeiro militar, um servidor cedido pelo município e um bombeiro comunitário. Conforme Bieger, a chegada dos temporários permitirá que a unidade passe a contar com pelo menos dois bombeiros militares por dia de serviço, aumentando a segurança e a eficiência nas ocorrências. “Hoje conseguimos atender todas as demandas, mas sempre trabalhando no limite. Em um incêndio ou acidente, além do atendimento direto, é preciso garantir a segurança da cena, controlar o trânsito e proteger vítimas e curiosos. Quando a guarnição é pequena, isso se torna muito mais difícil”, ressalta. Quando há ocorrências de maior complexidade, o quartel de Mondaí conta com o apoio de unidades vizinhas, como Iporã do Oeste e Itapiranga, através do chamado plano de apoio operacional.
O ingresso dos soldados temporários ocorreu por meio de processo seletivo simplificado, composto por prova escrita, teste de aptidão física, exames médicos, avaliação psicológica e investigação social. Uma das características do processo foi a regionalização das vagas, buscando priorizar candidatos que residam próximos das unidades onde atuarão. “O objetivo é que os militares trabalhem na região onde vivem, porque isso facilita o conhecimento das localidades e cria vínculos maiores com a comunidade”, observa o comandante.
A classificação final dos candidatos definirá a escolha dos quartéis onde cada militar será lotado. Unidades menores, que atualmente operam com apenas um bombeiro militar por dia, terão prioridade na distribuição das vagas.
Os aprovados começaram o curso de formação na última segunda-feira, 15. Na área do 12º Batalhão de Bombeiros Militar, sediado em São Miguel do Oeste, são 42 vagas destinadas aos candidatos da região. A formação terá duração de quatro meses e será realizada em São Miguel do Oeste, contando com instrutores dos diversos quartéis da região. Entre eles estarão os bombeiros de Mondaí, que participarão diretamente da capacitação.
O 2º Sargento Tiago Bieger e o 3º Sargento Caspers atuarão como instrutores na área de combate a incêndio, após participarem recentemente de um nivelamento técnico em Joaçaba. Além das aulas teóricas e práticas em São Miguel do Oeste, os alunos também passarão por períodos de treinamento intensivo em centros de referência do Estado. Os candidatos da região serão encaminhados a Joaçaba, onde participarão de atividades imersivas em combate a incêndio. Embora ainda não exista definição do número exato de militares temporários que serão destinados a Mondaí, a expectativa é de que a unidade seja contemplada para alcançar a meta estabelecida pelo comando da corporação. “A prioridade definida pelo comando é fazer com que todos os quartéis menores tenham pelo menos dois bombeiros militares por dia de serviço. Isso representa mais segurança para os bombeiros e para a população”, enfatiza o comandante

