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    Oito anos de transplante e de uma nova vida com mais qualidade e saúde

    Joana Reichert

    Hemodiálises, um transplante frustrado e a esperança de uma nova tentativa

    No dia 21 de junho Claudete Rockenbach, de 34 anos de idade, moradora de Iporã do Oeste, comemorou junto a família uma data importante na sua vida, que são os oito anos do transplante de rim. Uma data com muito significado, por todo o processo que enfrentou antes, durante e depois do procedimento, e que para Claudete representa uma nova chance de viver, com mais qualidade e saúde.

    Ainda na adolescência, Claudete sofreu uma queda e bateu as costas no chão. A partir disso passou a sentir muitas dores persistentes na região. Ao realizar exames, identificou a perda da função renal. Apesar do problema, com os devidos cuidados, a sua condição de vida era considerada boa e dentro da normalidade.

    Claudete realizava acompanhamento médico frequente e seguia as orientações, mas após a segunda gestação, em outubro de 2016, a perda renal se agravou, e teve que iniciar as hemodiálises para manter o funcionamento dos rins. A hemodiálise é um tratamento para pacientes com insuficiência renal grave que limpa e filtra o sangue com uma máquina. Na época realizava três sessões de hemodiálise por semana no Clínica Renal do Oeste, em São Miguel do Oeste, cada uma com duração média de três horas. Esse processo se estendeu por cerca de oito meses, quando Claudete foi chamada para realizar o transplante de rim de um doador considerado compatível. Infelizmente após a cirurgia do transplante, dias após começou a passar mal e o corpo rejeitou o órgão transplantado. Foi necessária uma nova cirurgia para retirada do rim, e com isso, Claudete voltou para o processo das hemodiálises semanais.

    Após a cirurgia de retirada do rim, Claudete teve que se recuperar e assim voltar a fila do transplante. Quase um ano depois, veio a notícia esperada de um doador compatível, e o novo transplante foi agendado. O procedimento foi realizado em hospital de Chapecó, sendo que anteriormente são feitos os exames e a preparação em si para a cirurgia. Este novo transplante teve êxito, e tudo ocorreu bem. No dia 21 de junho Claudete completou oito anos da cirurgia, e como é de direito da família do doador, a pessoa que doou o rim não foi identificada. “Eu agradeço todos os dias, sou muito grata pelo sim dessa família, em aceitar doar o órgão, para que dessa forma a vida pudesse continuar”.

    Em função de conviver com problemas renais há muitos anos, os cuidados com alimentação e outros aspectos já fazem parte da rotina de Claudete mesmo antes do transplante. Mas após o procedimento, esses cuidados se intensificaram. Na alimentação, evita alimentos crus e gordurosos, e para preservar a imunidade evita o compartilhamento de objetos como chimarrão, e também evita locais com aglomeração de pessoas onde a transmissão de viroses ocorre com maior facilidade. Outras restrições são quanto a prática de atividades físicas que possam representar risco de quedas, batidas ou a sobrecarga de peso. Associado a isso está o acompanhamento médico, a realização de exames a cada dois meses e o uso de medicamento contínuo.

    “Foi uma vitória não só minha, mas de toda família, porque eles sempre estiveram comigo durante todo o processo. O transplante trouxe para nós uma qualidade de vida muito maior. Um dos maiores ensinamentos de tudo isso é viver cada dia, como se fosse o último, pois cada dia é uma vitória. Para famílias que tem a possibilidade de dar o seu sim para a doação de órgãos, e auxiliar outras pessoas, que o façam se sentir essa vontade em seu coração, porque a vida pode continuar”, enaltece Claudete, reforçando também a importância das pessoas falarem com os seus familiares sobre a doação de órgãos, que somente é realizada mediante autorização da família.

    Durante o ano algumas datas também remetem a importância do tema da doação de órgãos, como o Dia do Transplantado em 06 de junho, e o Dia Nacional da Doação de Órgãos e Tecidos em 27 de setembro, mês em que a temática ganha maior atenção com a denominação de Setembro Verde.

    Para enfrentar o processo da doença, e lidar melhor com o seu próprio emocional, Claudete buscou muito pelas práticas integrativas, como o Reiki. E hoje, a partir da ajuda que recebeu de outros profissionais, Claudete aprofundou os conhecimentos e trabalha com a aplicação destas práticas, também como forma de contribuir com as pessoas que necessitam desses atendimentos. “Uma frase que gosto muito, e que levo comigo é: ‘você é vida, inspire”.

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