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    Produtores relatam que situação está insustentável

    Jocelâyne Bauer

    “No vermelho…”

    Se fosse confinamento total, não sei se estaríamos conseguindo pagar as contas”, afirma agricultor do interior de Mondaí

    A instabilidade no mercado do leite voltou a atingir em cheio os produtores rurais neste mês de janeiro. Pela nona vez seguida, o preço pago ao produtor sofreu redução, agravando uma crise que já se estende por meses e que vem colocando em xeque a sustentabilidade econômica de propriedades familiares em todo o país. Em Linha Taipa Baixa, interior do município de Mondaí, a realidade é vivida de forma intensa pelo casal Cleonir Luis Maier, de 32 anos, e Marisa Heming Maier, de 30, que há pouco mais de quatro anos assumiram a responsabilidade direta pela atividade leiteira na propriedade da família, como sucessores dos pais de Cleonir.

    A história da família com o leite, no entanto, é bem mais antiga. “Desde que eu me lembro, sempre ajudei o pai. A atividade vem desde a década de 1990”, conta Cleonir. A sucessão familiar foi um passo natural: hoje, ele, a esposa e um irmão mais novo são os responsáveis pelo setor leiteiro, enquanto os pais seguem à frente da suinocultura. A divisão das atividades, segundo o casal, foi uma forma de buscar mais eficiência. “Qualquer setor precisa ser bem gerido para funcionar e sobrar um pouco no fim do mês”, resume.

    Nos últimos três anos, a família investiu em estrutura e manejo, optando por um sistema de semi-confinamento, que permite manter os animais no galpão durante o dia, com ventilação e conforto térmico, mas ainda com acesso à pastagem durante a noite. O objetivo foi reduzir custos em comparação ao sistema de confinamento total.

    Hoje, a propriedade conta com cerca de 44 vacas em lactação, com média aproximada de 25 litros por animal ao dia. Isso representa algo em torno de 30 mil litros de leite por mês. “Em três anos, mais que dobramos a produção”, relata Cleonir. O aumento, no entanto, não foi suficiente para compensar a queda no valor recebido pelo litro.

    Segundo o casal, o preço que chegou a R$ 2,90 no início da atual fase de retração já acumulou uma perda superior a R$ 1,10 por litro. Na prática, isso significa que praticamente todo o lucro da atividade foi absorvido. “Não tem sobra. A gente trabalha, basicamente, para pagar as contas e tirar um salário-mínimo para cada um”, afirma Marisa.

    Além da queda no preço, os custos de produção continuam pressionando. Insumos, sal mineral e outros itens essenciais tiveram reajustes recentes. “O custo aumentou. E a gente não pode simplesmente cortar no manejo, porque isso afeta a saúde e a produção das vacas”, explica Cleonir.

    O sistema de semi-confinamento tem sido, segundo eles, um fator de sobrevivência. “Se fosse confinamento total, não sei se estaríamos conseguindo pagar as contas. O custo seria pelo menos 30 ou 40 centavos a mais por litro de leite entregue à indústria”, estima.

    Para os produtores, a crise tem múltiplas causas, mas a importação de leite e derivados aparece como um dos principais fatores. “A entrada de produto de fora aumentou muito. Falam em algo em torno de 12% do consumo nacional, um índice que nunca tinha passado de 8% ou 10%”, comenta Cleonir.

    Outro ponto levantado é a diferença nas exigências e na carga tributária. “Aqui seguimos uma série de normas de qualidade e higiene, temos leis rígidas. Lá fora, a gente não sabe como é feito. E ainda pagamos mais impostos para produzir aqui do que quem vende para o Brasil”, critica.

    Entre os produtores circulam rumores sobre uma possível taxação de 10% sobre o leite importado. “Se isso se confirmar, pode ajudar um pouco. Mas a gente não pode se basear em boatos”, pondera Marisa.

    Apesar das dificuldades, a família não cogita abandonar a atividade. A presença de mão de obra familiar e a juventude dos envolvidos pesam na decisão. “Somos novos ainda. Meu irmão tem pouco mais de 20 anos. Não dá para pensar em desistir agora”, diz Cleonir.

    O casal segue investindo em genética, manejo e pastagem, buscando aumentar a eficiência dos animais. “Às vezes, um animal que produz 15 litros consome o mesmo que um de 30. A ideia é ser o mais eficiente possível”, explica. Embora a família já tenha enfrentado outras fases de baixa desde os anos 1990, Cleonir afirma que esta é a primeira grande crise vivida por eles como gestores diretos da atividade. “Teve épocas em que o preço caiu para R$ 1,80, mas recuperou rápido. Agora, são meses seguidos de queda. A recuperação demora, a queda vem rápido”, observa. A incerteza sobre o futuro impõe cautela nos planos de expansão. “A ideia é crescer, mas precisamos segurar. Primeiro pagar as contas de hoje para não se complicar amanhã”, diz Marisa.

    A situação vivida em Linha Taipa Baixa reflete um cenário mais amplo do meio rural brasileiro: jovens produtores, cheios de planos e vontade de investir, obrigados a frear o crescimento diante de um mercado instável e margens cada vez mais apertadas. “Não pensamos só em nós, mas nos sucessores que vêm depois, temos dois filhos pequenos, que talvez quando adultos queiram continuar”, conclui Cleonir. Em meio à crise, a esperança permanece como combustível para seguir em frente, na expectativa de que os “tempos bons”, como define o produtor, voltem a se impor sobre a longa fase de incertezas que hoje marca o setor leiteiro.

    Confira os preços de referência registrados pelo Conselho Paritário Produtores/Indústrias de Leite – CONSELEITE para Santa Catarina:

    O que dizem os presidentes dos Sindicatos dos Trabalhadores Rurais – Órgão que representa a classe trabalhista rural da região:

    Flávio Zang – Mondaí

    “Desde o começo, quando começou a queda do preço do leite, a gente já foi se comunicando com os demais sindicatos sobre o que íamos fazer. Nessa reunião de forma virtual que a gente fez, uma coisa bem rápida assim, a gente começou a avaliar. Vamos fazer mobilização? Como é que a gente vai organizar? Nós sempre trancávamos rodovias, pontes, fazia atos, mas avaliando, seria um risco muito grande. Hoje em dia o fluxo de veículos é muito grande. Hoje não tem nem condições de fazer o que nós fazíamos. Trancar uma ponte ou uma rodovia, uma BR por meia hora, isso hoje não tem condições de fazer, porque isso vai confrontar com outras classes trabalhadoras. E aí decidimos pressionar os nossos políticos, uma coisa mais direta, nós fizemos agenda com deputados nos gabinetes, e também fizemos uma agenda na Assembleia Legislativa, que teve uma audiência lá em Florianópolis. Então, a partir disso, começou a se pressionar os deputados, levamos nossa pauta, inclusive, para o próprio Ministério da Agricultura. Inclusive, isso chegou nas mãos do nosso Presidente da República também. Os deputados levaram também essas nossas reivindicações para o governo federal, e o governo federal fez um estudo, uma avaliação, e a primeira atitude que o governo fez, foi estancar a importação do leite em caixinha. E o governo tentou… Seria uma medida para tomar nesse momento. Só que, como existem hoje negociações, eu compro de você, você compra de mim, é difícil, muitas vezes, chegar e dizer, ‘eu não posso mais permitir a importação do leite’. Mas a nossa avaliação, como dirigente sindical, a gente sentiu, nosso município de Mondaí, quando o preço do leite estava bom, aquele que tinha 10 vacas, decidiu botar mais 5, aumentar o número de vacas, produzir mais leite. E como nós tivemos um clima bem propício para a produção de pasto, tudo isso teve reflexo no excesso de produção, houve importação de leite, então, se encheu de leite o nosso país. Tudo isso acaba baixando o preço ao produtor.  Mas estamos com a esperança agora com tudo que se fez, que o mercado do leite reaja. O sindicato está fazendo a sua parte, sem fazer barulho”.

    Vanderley Rutkoski – Riqueza

    “A gente começou lá em outubro, com uma audiência pública em São José do Cedro, isso foi provocado um pouco pela nossa regional aqui, porque hoje nós temos que mexer com a parte política, não adianta nós querer dizer que o sindicato faz sozinho, nós fizemos moções, inclusive na Câmara de Vereadores aqui de Riqueza, fazer a moção e foi apoiado por todos os vereadores do município. A gente depois também mandou moção em nome da micro-região Três Fronteira para todos os deputados, pedimos o esforço da FETAESC, pedimos para os senadores, foi mandado para os deputados do estado e federal, também foi mandado para a Secretaria da Agricultura, para o Ministério da Agricultura. E foi forçado um pouco a CONTAG, para a gente mudar o cenário. Mas a nível de Brasil não mexeu muita coisa.

    A gente acertou com a CNA uma denúncia de anti-dumping foi feito todo o processo, mas o governo vetou. Porque diz que a CNA é uma entidade representativa. Então o governo vetou esse processo do antidumping, dessa denúncia, o que é anti-Dumping? Dizendo da produção do Brasil que está fazendo com que quem produz aqui está abaixo do custo de produção, que acaba dando problema na cadeia produtiva.

    Então a gente forçou dentro do estado. Começou com o Paraná, a gente teve umas audiências com a federação, que tem a Regional Sul aqui, que pega Paraná, Rio Grande do Sul e Santa Catarina. E aí o Paraná saiu um pouco na frente com um deputado e fez um projeto de lei que que proíbe a reidratação de leite. E aqui em Santa Catarina, dois deputados fizeram esse projeto de lei também, que foi na semana passada sancionado pelo Governador do Estado. No Paraná, que já passa de 30 dias, desse projeto, nesses 30 dias, 50% de leite deixou de entrar no Paraná, de importação de leite, com essa lei. Então assim, a gente espera que o Rio Grande do Sul também faça, o governador também sancione essa lei, como Santa Catarina, pra que nós possamos diminuir. E com isso já o leite deu uma reagida, o leite spot já aumentou. Já aumentou a venda. nós precisamos de arrumar alguma coisa pra que nós possamos exportar leite também, como a carne. Nós temos que botar esse leite pra fora do mercado se nós queremos aumentar. Ou aumentamos o consumo, ou nós temos que vender pra fora. Então assim, não é a última baixa do leite que vai ter, mas o leite vai reagir até agosto. O mercado diz isso até agosto, e depois ele volta a baixar de novo, mas vai reagir bem devagarinho”.

    Luciano Vacarin – Caibi

    “Estamos dando suporte para os produtores. Justamente tentando amenizar essa crise enfrentada pelo setor. Mas, vou te dizer, de antemão a gente tem trabalhado forte junto com a federação, a FETAESC. Mobilizando então os agricultores, de fato, colocando uma pressão política também. A gente encaminhou algumas pautas aqui para a Câmara de Vereadoras. Começamos aqui na base, a Câmara subiu para a Assembleia Legislativa e assim por diante até chegar no governo federal. Também participamos de algumas reivindicações juntamente com agricultores.

    Mas, trabalhando sempre de forma bastante intensa na questão de tentar diminuir, restringir também a importação de leite. Tanto da Argentina, do Uruguai, os países que fazem parte do Mercosul. Sendo esse, então, um dos fatores que tem contribuído para a crise do setor leiteiro aqui no BRASIL. Também sugerindo ao governo federal, ao governo estadual, uma pressão para a compra de leite. Leite em pó, pela Conab e distribuição a famílias de baixa renda. A gente pensa que diminuiria um pouco o estoque interno e, consequentemente, abriria portas para a entrada do produto novamente em circulação no mercado. A questão também que seja feita uma fiscalização rigorosa nesse leite importado… Seguimos dialogando, realizando algumas reuniões juntamente com a FETAESC. E, através dela, levando nossa preocupação ao Ministério da Agricultura, ao Desenvolvimento Agrário. Apresentando, de fato, a atual realidade dos nossos produtores. E não é só aqui da nossa região, é uma realidade do país inteiro. Mas também não podia deixar de falar da nossa preocupação em ajudar na base.  É dar esse suporte na prestação de serviço, na colheita de silagem, na assistência técnica… Nós temos acompanhado também as notícias, e parece que no próximo mês, quem sabe no próximo pagamento, o leite já reaja. Não é para ter grandes aumentos, mas o que espera é que, pelo menos, essas baixas cessem. Se espera que o mercado volte à sua normalidade, neste primeiro semestre de 2026…”

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