Iporã do Oeste – No início de 2025, a secretaria de Agricultura e o Conselho Municipal de Desenvolvimento Rural, CMDR, iniciaram as discussões e reuniões para implantação de uma estratégia com a finalidade de dar o destino correto as carcaças de animais grandes das propriedades rurais. Um dos modelos discutidos e apresentados pela EMBRAPA de Concórdia, órgão parceiro na implantação da ação, é o de compostagem dos animais de forma individual nas propriedades.
A administração elaborou ainda no ano passado o projeto de lei número 41/2025, que institui o Programa Municipal de Compostagem de Carcaças de Animais de Grande Porte, de caráter permanente e com abrangência em todo o território municipal, destinado ao manejo ambientalmente adequado das carcaças. Após duas votações no Legislativo, o projeto foi aprovado no início desta semana. Ainda no ano passado foram implantadas duas unidades de forma experimental nas propriedades das famílias de Anderson Sehn, na Linha Schneiders, e de João Paulo Ritter, em Quilombo. Nestes locais, em vários momentos já foram realizadas visitas e encontros com a EMBRAPA, autoridades e profissionais da região, para avaliar os resultados e apresentar o modelo.
O secretário de Agricultura, Adriano Klein, explica que entre os objetivos do programa estão eliminar a prática do enterro ou descarte inadequado de carcaças de animais e reduzir os riscos sanitários e ambientais decorrentes da decomposição indevida de carcaças, prevenindo a contaminação do solo e da água, a emissão de gases de efeito estufa e a disseminação de doenças entre animais e seres humanos.
Conforme o secretário, a partir da regulamentação do programa o município irá estudar formas de incentivo aos produtores para a implantação das composteiras, como subsídios econômicos, fornecimento de insumos, linhas de crédito subsidiadas ou outros benefícios. Lembra que o serviço de enterro das carcaças continuará sendo prestado pelo município, e o produtor que desejar, pode optar também pela recolha das carcaças por empresa habilitada. O Programa Municipal de Compostagem prevê também parcerias com órgãos como EMBRAPA, EPAGRI e CIDASC para capacitação dos produtores e acompanhamento na execução das ações.
Unidades experimentais de compostagem
Na propriedade do produtor de leite, Anderson Sehn, na Linha Schneiders, a primeira carcaça bovina foi levada para a composteira em agosto de 2025. Desde então, a unidade já recebeu sete animais de grande porte, todos identificadas com uma placa que indica o dia do enterro.
Na prática, o produtor explica que para a implantação da unidade de compostagem foi feita a preparação do terreno, considerando o espaço necessário para manobras com as máquinas, e respeitando as divisas definidas em lei de rios e propriedades vizinhas. Todo o local onde as carcaças são depositadas é cercado. Assim que ocorre a morte de um animal, ele é furado e colocado sobre 60 centímetros de maravalha ou material semelhante, e coberto com mais 60 centímetros de material.
Em visita realizada no mês de dezembro na unidade de compostagem, por prefeitos e autoridades da região, foi verificada a situação de decomposição da carcaça enterrada em agosto, sendo que 105 dias depois, havia apenas os ossos, quando o prazo estimado para chegar nesse ponto é de 120 dias. Como o objetivo é o aproveitamento do espaço, assim que a carcaça se decompõe, outras vão sendo colocadas no local. Como forma de reduzir custos, o produtor passou a utilizar restos de silagem para cobrir as carcaças, o que tem se mostrado até mais eficaz que a maravalha. Pretende também fazer um teste com restos de feno, reaproveitando materiais da própria propriedade.
Anderson possui um plantel de cerca de 170 bovinos. A média de mortalidade é de três a quatro animais por ano. Para o município e região, é considerado um grande produtor na atividade. Para ele, pelo porte de animais, o sistema de compostagem das carcaças tem se mostrado muito útil e eficaz, pois permite a destinação dos restos na própria propriedade, o que reduz riscos sanitários. Além disso, afirma que a decomposição não causa cheiros ou vazamentos.
Assim como já acontece no caso de produtores de aves e de suínos, Anderson Sehn avalia que os produtores de leite também devem ser responsáveis pela destinação das carcaças, e considera que o maior benefício que terão com isso, é evitar a entrada de veículos em suas propriedades para a recolha dos animais, o que pode representar riscos sanitários de contaminação de doenças. A família de João Paulo Ritter, da Linha Quilombo, também implementou uma unidade experimental de compostagem em novembro do ano passado. Desde essa data, até o momento são três animais enterrados. O produtor afirma que está satisfeito com o resultado obtido, pois está funcionando conforme foi apresentado. Avalia que a unidade de compostagem tem um custo-benefício viável, respeitando as leis ambientais.

