Caibi – Os produtores rurais João Pedro e Marlete Demarchi, moradores da comunidade de Linha Planaltina, encontraram na produção de hortaliças em ambiente protegido uma alternativa concreta para diversificar a renda da família e garantir maior estabilidade na propriedade. O investimento foi viabilizado com apoio técnico e incentivo da Epagri, dentro de programas do Governo do Estado voltados ao fortalecimento da agricultura familiar.
A iniciativa começou a tomar forma em agosto de 2025, quando a família deu entrada no projeto. A instalação da estrutura ocorreu em setembro, em um processo considerado rápido pelos próprios produtores. Segundo eles, os trâmites e a liberação dos recursos aconteceram em cerca de 30 a 40 dias, possibilitando que a produção tivesse início ainda na primavera.
O investimento total foi de aproximadamente R$ 100 mil, sendo cerca de R$ 50 mil obtidos por meio de incentivo público, com financiamento em condições facilitadas e sem juros, o que tornou o projeto viável para a realidade da propriedade, tendo a possibilidade de pagar o investimento em 10 anos.
A ideia de trabalhar com produção em estufa não surgiu de forma repentina. João Pedro relata que há cerca de 15 a 20 anos já pensava em investir em cultivo protegido, inspirado em experiências de familiares e em informações obtidas em cursos e visitas técnicas. Na época, porém, as dificuldades de assistência técnica e os riscos percebidos acabaram adiando o projeto.
Ao longo da vida, a família experimentou diversas atividades agrícolas, como produção de leite, cultivo de milho, soja e fumo, além da criação de gado de corte. Com o passar dos anos, algumas dessas atividades foram perdendo rentabilidade, levando os produtores a buscar novas alternativas.
A decisão definitiva veio após novas orientações técnicas e a constatação de que a produção de verduras poderia garantir retorno mais rápido e constante, especialmente com a possibilidade de cultivo durante todo o ano.
A estrutura instalada possui 8 metros de largura por 30 metros de comprimento e abriga o sistema de produção hidropônica. Atualmente, a estufa conta com cinco bancadas destinadas ao cultivo de alface e outras três utilizadas para rúcula, radite e agrião, culturas escolhidas conforme a demanda do mercado local.
A aceitação do produto superou as expectativas iniciais. Atualmente, a produção é comercializada em mercados, lanchonetes e diretamente aos consumidores, tanto na comunidade quanto em municípios da região. Em um único sábado, por exemplo, a família chegou a vender cerca de 100 pés de alface apenas para clientes locais.
Além das vendas diretas, os produtores também estudam a possibilidade de ampliar a comercialização por meio de cooperativas, contratos institucionais e fornecimento para a merenda escolar, o que poderá garantir maior estabilidade e planejamento da produção. Além das hortaliças cultivadas na estufa, a família já iniciou o plantio de algumas culturas no solo, como repolho e couve-flor, buscando ampliar a variedade oferecida aos clientes. A experiência tem mostrado que a diversificação aumenta as oportunidades de venda e fortalece a relação com o mercado.

