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    Fibromialgia: a luta diária de Classi Geib e a mobilização por mais atenção aos pacientes

    Jocelâyne Bauer
    Edimara durante visita a Classi Geib

    Caibi – Desde 2022, a agricultora Classi Geib, moradora da La. Glória, enfrenta uma rotina marcada por dores constantes, consultas frequentes e o desafio de conviver com a fibromialgia, uma doença crônica caracterizada por dores generalizadas, fadiga, distúrbios do sono e outros sintomas que afetam significativamente a qualidade de vida.

    Segundo Classi, os primeiros sinais surgiram de forma gradual, inicialmente com dores nas mãos e nos braços, passando por problemas como tendinite e síndrome do túnel do carpo, que exigiram cirurgias. Com o passar do tempo, as dores se intensificaram e se espalharam pelo corpo, até que, após uma série de consultas e exames, veio o diagnóstico clínico de fibromialgia. “Eu comecei a ir ao médico por causa das dores, e foi indo, indo, até que a médica disse que era fibromialgia. Hoje eu passo o dia com dor. Tem dias que parece que tem um caminhão em cima de mim”, relata.

    A rotina de tratamento envolve diversos medicamentos para controle da dor, do sono, da ansiedade e de outras complicações associadas. Mesmo assim, o alívio nem sempre é suficiente. “Eu tomo remédio, mas nada ajuda muito. E é muito remédio, um ajuda uma coisa e prejudica outra. Às vezes a gente para porque não aguenta mais”, conta. Atualmente, Classi toma aproximadamente 15 comprimidos de remédios diferentes, diariamente, para controlar dores, ansiedade e para dormir.

    Além das dores, Classi relata limitações nas atividades diárias. Caminhar, fazer tarefas domésticas ou até preparar refeições tornou-se um desafio. “Tem dias que eu não consigo nem terminar o almoço. A dor caminha pelo corpo todo, nas pernas, nas mãos, nas costas. A gente tenta, mas chega uma hora que precisa deitar”, conta. A fibromialgia não afeta apenas o corpo, mas também o emocional. A doença pode causar ansiedade, depressão e dificuldades para dormir, sintomas que também fazem parte da realidade de Clasi. “Às vezes a gente fica nervosa, chora, fica triste. Não é fácil. Quem não sente a dor não imagina como é”, afirma. Ela destaca ainda a importância do apoio familiar no enfrentamento da doença.

    Projeto de Lei busca melhorar atendimento aos pacientes

    Diante de casos como o de Classi e de outros moradores do município, a vereadora Edimara Conte Portes, do Progressistas, está elaborando um projeto de lei voltado ao atendimento de pessoas com fibromialgia.

    A proposta prevê a criação de um fluxo organizado de atendimento na rede pública de saúde, desde a triagem inicial até o encaminhamento médico e acesso a benefícios. O objetivo é garantir que os pacientes tenham um caminho claro para diagnóstico, acompanhamento e tratamento.

    Entre as medidas previstas estão: capacitação de profissionais da saúde para o atendimento de pacientes com fibromialgia; criação de grupos de apoio e acompanhamento; oferta de terapias complementares, como auriculoterapia e outras práticas integrativas já disponíveis nas unidades de saúde; facilitação no encaminhamento para especialistas e exames; organização de documentação e orientação para acesso a benefícios.

    Segundo a vereadora, o projeto também busca reduzir o preconceito e a falta de compreensão sobre a doença, que muitas vezes não apresenta sinais visíveis, mas causa sofrimento intenso.

    Outra iniciativa em andamento é a organização de pacientes para participação em eventos e seminários sobre fibromialgia, onde médicos, especialistas e profissionais da área jurídica orientam sobre direitos, tratamentos e políticas públicas. A formação de grupos locais também é considerada fundamental para fortalecer a troca de experiências e o apoio mútuo entre os pacientes.

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