“Desafio Conhecer Pedalando”
Iporã do Oeste – Entre os dias 13 e 15 de fevereiro um grupo de ciclistas de Iporã do Oeste realizou a 5ª edição do desafio “Conhecer Pedalando”. Com o objetivo de se desafiarem no ciclismo de longa distância, nas edições anteriores os ciclistas tiveram destinos diversos. Desta vez, na 5ª edição, havia um objetivo específico, o espiritual, com uma pedalada em agradecimento a tudo de bom que acontece e que por vezes, na rotina do dia a dia, não percebemos o quanto somos abençoados. O destino final foi até o Cristo Protetor, na cidade de Encantado, RS.
Participaram da aventura os ciclistas Darci Melz, 58 anos, Carlos de Souza, 57 anos, Charles Vogt, 45 anos, Jucelino Dalla Nora, 46 anos e Rafael de Souza, 37 anos. O grupo teve um carro de apoio que fornecia hidratação e comida para a viagem, e dava suporte nas paradas, a cada 30 a 50 quilômetros. O suporte com o carro de apoio foi prestado pelo amigo dos ciclistas, Amarildo Lorenzet. Os atletas já realizaram excursões de bicicleta em vários outros momentos, e em duas edições anteriores do desafio, o Jucelino Dalla Nora foi quem deu o suporte, mas desta vez, se preparou por dois anos para participar pedalando da aventura deste ano.

A saída do pedal foi de Iporã do Oeste, com encontro marcado de madrugada, em frente à igreja matriz. No primeiro dia foram percorridos 137 quilômetros, passando por Palmitos, Frederico Westphalen, Seberi, Boa Vista das Missões e Jaboticaba. O segundo dia foi pedalando em direção a cidade de Carazinho até Tio Hugo, totalizando 152 quilômetros. No terceiro e último dia o trajeto percorrido foi de 140 quilômetros, passando por Soledade, Doutor Maurício Cardoso, chegando ao destino, o Cristo Protetor na cidade de Encantado, RS. Os três dias totalizaram 429 quilômetros.
Em nome do grupo, o ciclista Rafael de Souza afirma que nestes desafios o principal ponto positivo é conhecer a região de uma forma completamente diferente. “De bicicleta você percebe detalhes que de carro passam despercebidos: comunidades pequenas, igrejas do interior, paisagens, além do contato direto com as pessoas. Em praticamente todas as cidades fomos muito bem recebidos, muitos moradores perguntavam de onde vínhamos e demonstravam admiração pelo desafio. Isso torna a experiência muito mais humana do que esportiva”. Outro aspecto positivo que Rafael destaca é o próprio grupo. Em viagens longas surgem dificuldades físicas, cansaço e imprevistos, então acaba sendo um exercício de cooperação, em que um ajuda o outro o tempo todo, e ninguém chega sozinho.
Já em relação as dificuldades, cita que a maior delas ainda é a convivência com o trânsito. Em geral, o ciclista considera que os motoristas respeitam, mas durante o trajeto ainda encontraram situações de ultrapassagens muito próximas as bicicletas e aos atletas, e falta de compreensão de que a bicicleta também é um veículo. Em alguns trechos também encontraram pouca estrutura para ciclistas, como acostamentos estreitos ou inexistentes, o que aumenta a necessidade de atenção. Rafael ressalta que são questões que não impedem a prática esportiva, mas mostram que ainda há espaço para evoluir em educação no trânsito e infraestrutura. “Quando há respeito de todos, a estrada fica segura para qualquer usuário”, complementa.
Cinco edições do desafio “Conhecer Pedalando”
O primeiro desafio do “Conhecer Pedalando” ocorreu em 2018, quando Carlos de Souza foi desafiado por um familiar a fazer em três dias o percurso entre as cidades que eles moravam de bicicleta. Carlos aceitou o desafio, e pedalou de Iporã do Oeste a Pinheiro Preto, Santa Catarina, totalizando 380 quilômetros.
Pegando gosto pelo desafio, teve a segunda edição, de um trajeto de 500 quilômetros de Iporã do Oeste, passando por Derrubadas, Nonoai, Chapecó com destino a Pinheiro Preto. O terceiro desafio teve o dobro da quilometragem. Foram 1000 quilômetros iniciando na divisa do Brasil com a Argentina, em Paraíso, em direção a ponte em Laguna, passando por Chapecó, Lages, Urubici e Laguna.
O quarto desafio, em 2022, foi maior ainda. Foram 2000 quilômetros passando por quatro países: Argentina, Paraguai, Uruguai e finalizando no Brasil. A saída foi de Iporã do Oeste, entrando na Argentina por Paraíso, passando por Misiones e Corrientes, entrando no Brasil em Uruguaiana. O trajeto passou ainda pelo Uruguai e em seguida o retorno pelo Rio Grande do Sul, até chegar em Pinheiro Preto. Após alguns anos sem realizar o desafio, este ano o grupo retomou a proposta, já idealizando os próximos que estão por mim. E este próximo, com data a ser definida, deve superar os 2000 quilômetros.

