Centenário de Porto Novo
São João do Oeste – Em 2026 a região de Porto Novo, composta pelos municípios de Itapiranga, Tunápolis e São João do Oeste, comemora o centenário da sua colonização. São 100 anos da chegada das primeiras famílias, que habitaram terras nestas três localidades, a ali iniciaram uma nova vida. Famílias que vieram de outras cidades e estados, e enfrentaram muitos desafios para sobreviverem em uma época sem recursos, e em que tudo era mato.
Uma destas famílias pioneiras de Porto Novo, é a de Pedro Veit e Ana Neis. O casal chegou à região em abril de 1926, completando neste ano, os 100 anos desde a sua vinda. Para contar esta história, e deixá-la registrada, o genro de Pedro e Ana, seu Egon Schneider, de 84 anos, morador de São João do Oeste, escreveu os fatos históricos e os compartilhou com o jornal. Ele é casado com a dona Herta Veit Schneider, hoje com 81 anos, que está entre os 11 filhos de Pedro e Ana.
Segundo Egon, o interesse de registrar a história da família de sua esposa se deu pelo fato da comemoração do centenário, e também para que estas informações não se percam com o tempo. Seu Egon conta que todas as anotações que fez foram com base em relatos do próprio casal, quando ainda vivo. Por um período Egon e Herta foram os cuidadores do seu Pedro, momentos em que compartilharam muitas histórias da colonização.

Neste resgate histórico que Egon realizou, consta que Pedro e Ana se casaram em julho de 1925 em Bom Princípio, Rio Grande do Sul. No ano seguinte, decidiram pela mudança para Porto Novo, na comunidade de Chapéu, hoje território de Itapiranga. Quando chegaram em terras catarinenses, já havia algumas famílias residindo na região, de sobrenomes Düngersleber, Franzen, Alles e Neis. Pedro trabalhou para a colonizadora Volksverein, sendo o responsável por indicar as áreas de terra aos compradores, seguindo uma ordem numérica que estava especificada em um mapa, e também auxiliava na abertura de estradas. Enquanto isso Ana cuidava da casa e dos filhos. A residência onde moravam foi inclusive construída pela colonizadora, e junto com o casal residia o agrimensor, natural da Alemanha, profissional que fazia a medição das terras. Em setembro de 1926 nasceu a primeira filha do casal, sendo inclusive a primeira criança a nascer em Porto Novo.

Anos depois o agrimensor retornou para a Alemanha, onde casou, mas após certo período voltou ao Brasil junto com a esposa. Devido a grande quantidade de mosquitos na época, a esposa do alemão não se adaptou a região, e decidiram pelo retorno a Alemanha. Com isso, Pedro teve que procurar outro serviço, e passou a se dedicar a agricultura. Ele a esposa moraram na barranca do Rio Uruguai em Chapeú de 1926 até 1952. Nesses 22 anos, nasceram os 11 filhos do casal. Quando decidiram pela mudança para a localidade de Boa Vista do Pardo, no outro lado do Rio Uruguai em Caiçara, Rio Grande do Sul, quem comprou as terras em Chapéu foi o pai de Egon. Dessa forma, ele a esposa Herta já se conheceram na infância, e inclusive frequentaram juntos a escola.
Em Caiçara, Pedro e Ana moraram também por 22 anos, e chegaram a doar um hectare de terra para a comunidade. Quando os filhos já estavam grandes e com suas próprias famílias formadas, decidiram se mudar para Missal, no Paraná, onde moravam alguns filhos. Depois que Ana faleceu, em 1982 aos 78 anos de idade, por um período Pedro ainda morou em Missal, e pelo fato de Egon e Herta terem maior disponibilidade de cuidar dele, acabou vindo residir com o genro e a filha em São João do Oeste. Pedro faleceu em 1988, aos 88 anos de vida. Um fato curioso é que Pedro faleceu em 08/08/1988, e aos 88 anos.

Egon fez todas as anotações da história da família da esposa em um caderno, escrito a mão. Também mandou fazer a restauração de fotos antigas da família, deixando os registros mais visíveis e nítidos para a identificação. Entre os fatos que Pedro e Ana contavam, estava a dificuldade do trabalho braçal, a convivência com animais silvestres que eram uma ameaça na época, como onças, que invadiam as propriedades em busca de comida, além das fugas dos guerrilheiros que passavam na região. Herta recorda que sua mãe Ana contava que para se proteger das onças, faziam fogueiras a noite em frente à casa. O fogo afugentava os animais, os quais geravam muito medo as famílias com o receio que atacassem as crianças que dormiam nos berços dentro de casa.

Atualmente, dos 11 filhos de Pedro e Ana, cinco ainda são vivos. Ao longo dos anos a família aumentou significativamente, e hoje já são 68 netos e 11 bisnetos.

